domingo, 14 de junho de 2026

Bíblia - parte 2



Texto relativo à segunda parte da lição online sobre a Bíblia - Curso "Princípios da Fé Cristã"

.............

Se ainda não começaste o curso "Princípios da Fé Cristã", gostaria de convidar-te a começares esta maratona espiritual comigo. A Bíblia incentiva-nos a crescer espiritualmente, e através dos estudos que aqui serão partilhados terás a oportunidade de conhecer melhor o que a Palavra de Deus diz sobre diversos temas.

A Bíblia afirma, "o meu povo perece por falta de conhecimento" (Oséias). Por isso, convido-te a cresceres no teu conhecimento bíblico, para que sejas bem-sucedido, como nos ensina Josué 1:8.
Investe na tua eternidade! Clica AQUI

.............


5 - EXPLICAÇÕES NECESSÁRIAS AO MANUSEIO DA BÍBLIA

A Bíblia é um clássico popular. Embora essa afirmação pareça contraditória; o facto é que embora sendo um clássico da literatura, a Bíblia destina-se a todos os Homens e pode ser perfeitamente entendida em sua essência pelo mais humilde leitor.

Em razão de ser a Bíblia uma coleção de livros agrupados por assuntos e de constante consultas, fez com que aos poucos se procurasse métodos para facilitar o seu manuseio. Daí a divisão em capítulos, versículos, parágrafos, etc.

a) AS PALAVRAS EM ITÁLICO - não constam dos textos originais (hebraico ou grego). Elas foram inseridas para dar sentido à frase, conectar ideias ou melhorar a clareza gramatical, respeitando a estrutura do português.

Exemplos comuns na Bíblia (Almeida Corrigida Fiel):

Apocalipse 1:10 - Original do texto: "E no dia do Senhor fui arrebatado em espírito". A palavra arrebatado aparece em itálico porque nos manuscritos originais está escrito apenas "fui em espírito", sendo o termo adicionado para completar o sentido do êxtase de João.

Mateus 5:3 - "Bem-aventurados os pobres de espírito..." O termo espírito é adicionado pelo tradutor para especificar que a pobreza mencionada não é material, mas sim espiritual.

Marcos 10:8 - "E serão os dois uma só carne." A palavra carne está em itálico, pois o texto grego original diz apenas "e serão os dois uma só [coisa/ser]".

b) PALAVRAS ENTRE PARÊNTESES (e por vezes com aspas) - não constam no original, uma vez que as línguas antigas (hebraico e grego) não usavam pontuação. Os tradutores modernos utilizam os parênteses para inserir explicações contextuais, comentários do autor ou palavras subentendidas para facilitar a leitura. Estes recursos servem para tornar o texto mais fluido e compreensível, separando pequenas ideias secundárias do pensamento principal.

Alguns dos exemplos mais claros incluem:

Marcos 7:19 (Comentário do autor): Jesus estava a debater a pureza dos alimentos, e o narrador inseriu um parêntese para clarificar uma implicação teológica importante: "declarando puros todos os alimentos".

Efésios 5:9 (Interjeição): O apóstolo Paulo interrompe o seu raciocínio com uma breve observação antes de continuar a frase principal: "(pois o fruto da luz consiste em toda a bondade, justiça e verdade ) ".

Romanos 5:13-14 (Explicação intercalada): Paulo usa parênteses para clarificar um ponto teológico sobre o pecado antes da Lei de Moisés: "(no entanto, a morte reinou desde Adão até Moisés...)".

c) PALAVRAS NA MARGEM - são a tradução literal ou uma palavra sinónima no caso de texto ou palavra duvidosa. Na Bíblia, as "palavras na margem" referem-se geralmente às referências cruzadas ou notas de rodapé. Elas servem para mostrar a intertextualidade (a ligação entre diferentes textos bíblicos) através de citações, alusões ou ecos.

Exemplos comuns de palavras ou códigos (como letras e números) na margem que remetem a outras passagens incluem:

- Cumprimento de profecias: Na margem de Mateus 21:5 (a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém), encontrará uma referência marginal para Zacarias 9:9, que profetizou esse evento séculos antes.

- Relatos paralelos: Na margem de passagens sobre a vida de Cristo, como Marcos 4:35-41 (Jesus a acalmar a tempestade), há referências para os relatos paralelos nos evangelhos de Mateus e Lucas.

- Citações diretas: Em Mateus 4:4 (a tentação no deserto), a palavra na margem aponta para Deuteronómio 8:3, que Jesus citou para responder a Satanás.

Pode consultar estas ligações instantaneamente utilizando ferramentas digitais como o Bible Cross-References da Sociedade Bíblica do Brasil ou o Estudo de Referências Cruzadas da Bíblia Online.

d) DATAS NO TEXTO - foram inseridas no texto bíblico em 1701, pelo arcebispo Usher. Sendo esta cronologia de um modo geral, incerta.

e) SUMÁRIO DOS CAPÍTULOS - Os sumários de capítulos na Bíblia (frequentemente chamados de esboços) não fazem parte do texto original, mas são ferramentas de estudo adicionais incluídas pelas editoras para guiar o leitor. Eles resumem os principais temas e acontecimentos de cada divisão do texto. Contudo, há-de se ter o devido cuidado na interpretação de determinados textos, pois, como na maioria das vezes acontece, os títulos dos capítulos ou parágrafos encerram a opinião do tradutor ou editor, sobre o assunto em pauta.

f) DIVISÃO EM CAPÍTULOS E VERSÍCULOS - também não existe nos originais. A Bíblia foi originalmente escrita em textos contínuos, sem divisão de capítulos ou versículos. A divisão que facilita a localização de passagens foi feita por estudiosos séculos mais tarde.

- Capítulos: A estrutura de capítulos que usamos hoje foi criada por Stephen Langton (então professor em Paris e mais tarde Arcebispo de Cantuária) por volta de 1204-1205. Inicialmente, ele aplicou esta divisão a manuscritos da Vulgata Latina. O formato provou ser tão prático que foi rapidamente adotado por toda a Europa e continua a ser a base da esmagadora maioria das Bíblias modernas.

- Versículos: A divisão em versículos exigiu mais tempo e ocorreu na época da imprensa, no século XVI. a) Novo Testamento: A numeração padrão que conhecemos foi publicada pelo impressor francês Robert Estienne (ou Stephanus) em 1551.

b) Antigo Testamento: Baseou-se na tradição judaica de divisão massorética. Robert Estienne aplicou esses versículos a toda a Bíblia numa edição da Vulgata Latina publicada em 1555.

Em alguns casos essa divisão é até prejudicial, pois tira o sentido do texto. Veja alguns exemplos:

- O capítulo 53 de Isaías deveria começar em Isaías 52.13.

- O capítulo 8 de João deveria começar em Jo 7.53.

- O capítulo 7 de 2 Reis deveria começar em 2 Reis 6:24.

- O capítulo 10 de Mateus deveria começar em Mt 9:35.

- O capítulo 5 de Actos deveria começar em At 4:36.


Com a divisão em versículos acontece a mesma coisa:

- Ef 1.5 deveria começar com as duas úlimas palavras de Ef 1.4


Ef 1:4 - Como, também, nos elegeu nele, antes da fundação do mundo, para que fosse santos e irrepreensíveis, diante dele em amor;

Ef 1:5 – E, nos predestinou para filhos de adopção, por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito da sua vontade.”

Ef 1:4 - Como, também, nos elegeu nele, antes da fundação do mundo, para que fosse santos e irrepreensíveis, diante dele;

Ef 1:5 – Em amor nos predestinou para filhos de adopção, por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito da sua vontade.”


- I Co 2.9 e 2.10 deveriam ser um só versículo


1Co 2:9 – Mas, como está escrito: As coisas que o olho não viu, e o ouvido não ouviu, e não subiram ao coração do homem, são as que Deus preparou para os que o amam.

1Co 2:10 – Mas Deus no-las revelou pelo seu Espírito; porque o Espírito penetra todas as coisas, ainda as profundezas de Deus.

Mas, como está escrito: As coisas que o olho não viu, e o ouvido não ouviu, e não subiram ao coração do homem, são as que Deus preparou para os que o amam. Mas Deus no-las revelou pelo seu Espírito; porque o Espírito penetra todas as coisas, ainda as profundezas de Deus.


- Jo 5.39 e 40 deveriam também ser um só versículo.


Jo 5:39 – Examinais as Escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que de mim testificam;

Jo 5:40 – E não quereis vir a mim, para terdes vida.

Jo 5:39 – Examinais as Escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que de mim testificam; e não quereis vir a mim, para terdes vida.


Nas epístolas de Romanos e Efésios há diversos casos desses.


A divisão em versículos também difere um pouco as versões, por exemplo:

- Diferentes tradições (Católica e Protestante) e versões podem apresentar divergências na numeração de versículos em vários livros;

- Livro de Levítico (Capítulo 5): Em traduções protestantes (como Almeida Revista e Atualizada), o capítulo 5 termina no versículo 19. Na numeração adotada em edições católicas (como a Bíblia Ave-Maria), este mesmo capítulo estende-se até o versículo 26, com o capítulo 6 iniciando-se logo em seguida.

- Livro de Malaquias: Nas Bíblias protestantes, o livro termina no capítulo 4, versículo 6. Em edições católicas, o capítulo 3 se estende e engloba o que seria o capítulo 4, totalizando 3 versículos a mais no capítulo 3.

- Livro de Atos dos Apóstolos (Capítulo 12): Em versões tradicionais, o último versículo é o 25. Algumas versões modernas acabam dividindo este capítulo de forma ligeiramente distinta para se alinhar aos manuscritos originais de referência.

g) DIVISÃO DO TEXTO EM PARÁGRAFOS - também não existe no original, embora seja muito útil para a compreensão da Bíblia. Em português a única versão que contém essa divisão é a ARA, com um tipo de negrito cada vez que isso acontece.

h) REFERÊNCIAS MARGINAIS - são paralelismos verbais, que indicam outras ocasiões nas quais aquela palavra é empregada. Têm muito valor para quem estuda a Bíblia.

i) TEXTO - são todas as palavras contidas numa passagem.

j) CONTEXTO - é tudo aquilo que fica antes ou depois daquilo que estamos a ler: pode ser imediato ou remoto. Vai de uma palavra até um livro inteiro. No caso da Bíblia pode ocupar, inclusive, mais de um livro.

k) REFERÊNCIAS - é a conexão directa sobre determinado assunto.

Exemplo: Rm 11:17 -> Rm - nome do livro (abreviatura de Romanos)

                                  11 - número do capítulo

                                  17 - número do versículo

Outras indicações:

    Rm 11:17 a - parte inicial do versículo

    Rm 11:17 b - parte final do versículo

    Rm 11:17 ss. - indica os versículos seguintes.

    vv. - versículos

    qv. - recomendações para que veja a referência

    cf. - significa ‘compare, confira’

    i.e. - significa ‘isto é’.

    ss - seguintes

l) INFERÊNCIAS - conexão indirecta entre assuntos; dedução.

m) ABREVIATURAS - são duas letras sem ponto, sendo a primeira maiúscula. Entre cap. e versículo usa-se apenas um ponto (mas pode aparecer com dois pontos). Os capítulos são separados pelo ponto e vírgula e os versículos por vírgula.

Exemplos: Jn 1.3 - Jonas, capítulo 1, versículo 3

                Jn 1:3,4 - Jonas, capítulo 1, versículos 3 e 4

                Jn 1,3 - Jonas, capítulos 1 e 3

                Jn 1:3-6 - Jonas, capítulo 1, versículos 3 a 6

                Jn 1-3 - Jonas, capítulos 1 a 3.

                1Jo 2 – 1 Livro de João, capítulo 2

n) SIGLAS:

      AC (a.C.) - Antes de Cristo

       A.D. (‘Ano Domini’) equivalente a d.C. (depois de Cristo)


     LXX – Septuaginta                            NAA: Nova Almeida Atualizada

     ARA: Almeida Revista e Atualizada     ARC: Almeida Revista e Corrigida

     ACF: Almeida Corrigida Fiel               NVI: Nova Versão Internacional

     NTLH: Nova Tradução na Linguagem de Hoje 

     NVT: Nova Versão Transformadora      KJA: King James Atualizada


6 - A ESTRUTURA DA BÍBLIA

     - Partes: A.T. e N.T.

     - Livros: 66 (A.T. = 39 N.T. = 27)

     - Duração: mais ou menos 15 séculos


Em termos históricos, os principais marcos são:

    📜 Antigo Testamento
         - Início aproximado: cerca de 1200 a.C. (alguns textos podem ter tradições ainda mais antigas)
         - Conclusão aproximada: cerca de 165 a.C. (livros como Daniel e outros textos tardios)
         ➡️ Ou seja, foi escrito aproximadamente entre 1200 a.C. e 165 a.C.

         📜 Novo Testamento
          - Início aproximado: cerca de 50 d.C. (cartas de Paulo são os primeiros textos)
          - Conclusão aproximada: cerca de 90–100 d.C. (Evangelho de João e Apocalipse)
          ➡️ Foi escrito aproximadamente entre 50 d.C. e 100 d.C.

         ⏳ Resumo geral - Se juntarmos tudo:
               - Período total de composição: cerca de 1200 a.C. até 100 d.C.
               - Isso corresponde a aproximadamente 1300 a 1400 anos (por isso muitas fontes arredondam para “cerca de 14 a 16 séculos”).

- Escritores: Bíblia é geralmente atribuída a cerca de 35 a 40 autores diferentes, mas o número exato não é possível determinar com precisão histórica, os quais pertenceram às mais variadas profissões e actividades. Viveram e escreveram em países, regiões e continentes diferentes, entretanto, seus escritos formam uma harmonia perfeita. Isso prova que UM só os dirigia no registo da revelação divina.

6.1. O ANTIGO TESTAMENTO

a) LÍNGUA: Escrito originalmente em hebraico. Pequenos trechos como Esdras 4.8-6.18; 7.12-26; Daniel 2.4-7.28; e Jeremias 10.11, foram escritos em aramaico que é o mesmo que siríaco (“língua internacional” - Entre cerca de 700 a.C. e 300 a.C., o aramaico tornou-se a língua comum de comunicação em grande parte do Império Assírio e depois do Império Babilónico e Persa.). Note o seguinte texto: “Então disseram Eliaquim, Sebna e Joá a Rabsaqué: Pedimos-te que fales em aramaico aos teus servos, porque o entendemos, e não nos fales em judaico, aos ouvidos do povo que está sobre os muros” - Is 36.11.

Algumas palavras do idioma persa também se encontram no A.T., como ‘sátrapa’ (governador regional do Império Persa), conf. Esdras 8.36; Ester 3.12; Daniel 3.2,3

Depois do cativeiro babilónico, os judeus passaram a falar o aramaico que era a língua falada por Jesus e Seus discípulos, embora também naquele tempo já se conhecesse o Koinê, idioma popular dos gregos.

b) GRUPOS: O A.T. divide-se em quatro grupos:



Lei

5 livros

Pentateuco (Génesis, Êxodo, Levítico e Deuteronómio)


Históricos

12 livros

Josué, Juízes, Rute, I Samuel e II Samuel, I Reis e II Reis, I Crónicas e II Crónicas, Esdras, Neemias e Ester.


Poéticos

5 livros

Job, Salmos, Provérbios, Eclesiastes e Cantares de Salomão.


Proféticos

17 livros

- Profetas Maiores: Isaías, Jeremias, Lamentações, Ezequiel, Daniel.

- Profetas Menores: Oséias, Joel, Amós, Obadias, Jonas, Miquéias, Naum, Habacuc, Sofonias, Ageu, Zacarias, Malaquias.

OBS.: A classificação acima se fez por assuntos; vem da versão Septuaginta, através da Vulgata. Não leva em conta a ordem cronológica dos mesmos. Mesmo dentro dos livros não existe uma ordem cronológica exacta.

6.2. O NOVO TESTAMENTO

a) LÍNGUA: Foi escrito em koiné (ou koine), o idioma comum dos gregos usado entre cerca de 300 a.C. e 300 d.C., especialmente no mundo helenístico e no Império Romano, levado a quase todo o mundo existente pelo Imperador grego, Alexandre, o Grande (rei macedónio conquistador, que reinou entre 336 a.C. e 323 a.C., e conquistou o Império Persa, Egito e territórios até à Índia).

b) GRUPOS: Tem 27 livros classificados em quatro grupos:



Biográfico

_ Mateus - escrito em hebreu, dirige-se aos judeus e apresenta Jesus como o Messias.

_ Marcos - dirige-se aos Romanos e apresenta Jesus como o Rei Vitorioso e vencedor.

_ Lucas - dirige-se aos gregos, apresenta Jesus como o Filho do Homem, é o mais completo.

_ João - dirige-se à Igreja e apresenta Jesus como o Filho de Deus. É o mais espiritual.


Histórico

Actos dos Apóstolos - regista a história da Igreja primitiva.


Epístolas (cartas)

Contém a doutrina da Igreja.

Subdividem-se assim:

_ Eclesiásticas: Romanos, I e II Coríntios, Gálatas, Efésios, Filipenses, Colossenses, I e II Tessalonissences.

_ Individuais: I e II Timóteo, Tito e Filemon.

_ Colectiva: Hebreus.

_ Universais: Tiago; I e II Pedro; I, II e III João e Judas


Profético

Apocalipse - trata da volta pessoal de Jesus à Terra e das coisas que precederão esse glorioso evento.

OBS.: Os livros do N.T. também não estão em ordem cronológica. Os escritores orientais não são como os ocidentais; detalhistas e cronológicos. Escrevem como se o assunto tratado fosse do conhecimento de todos. O leitor que trate de arrumá-los.

 Esse é um milagre da Bíblia; Deus não usou o Homem como uma máquina. Conseguiu fazer no estilo de cada um, com que Sua Palavra fosse escrita sem contradições ou erros.


domingo, 31 de maio de 2026

Bíblia - parte 1


Texto relativo à primeira parte da lição online sobre a Bíblia - Curso "Princípios da Fé Cristã"

.............

Se ainda não começaste o curso "Princípios da Fé Cristã", gostaria de convidar-te a começares esta maratona espiritual comigo. A Bíblia incentiva-nos a crescer espiritualmente, e através dos estudos que aqui serão partilhados terás a oportunidade de conhecer melhor o que a Palavra de Deus diz sobre diversos temas.

A Bíblia afirma, "o meu povo perece por falta de conhecimento" (Oséias). Por isso, convido-te a cresceres no teu conhecimento bíblico, para que sejas bem-sucedido, como nos ensina Josué 1:8.
Investe na tua eternidade! Clica AQUI

.............

INTRODUÇÃO:

1 Pedro 2:4,5 (“Cheguem-se a Cristo que é a rocha viva, rejeitada, na verdade, pelos homens, mas de grande valor para Deus que a escolheu. Vocês também se tornaram pedras vivas para Deus usar na edificação da sua casa espiritual. E são seus santos sacerdotes para através de Jesus Cristo lhe apresentar ofertas do seu agrado”) diz que fomos feitos “casa espiritual”, em que Jesus é a “rocha viva”.

Como cristãos, temos que estar edificados sobre a “rocha/pedra viva/principal” que nos foi transmitida pelos apóstolos e profetas, conforme mencionado em Efésios 2:20-22 (“esse povo que é como um edifício construído sobre o alicerce dos profetas e dos apóstolos, e do qual Jesus Cristo é a principal pedra de esquina, pela qual todo o edifício se alinha. Em Cristo essa construção cresce, porque cada pedra se adapta perfeitamente ao conjunto, a fim de se tornar um templo consagrado ao Senhor. Vocês estão também integrados nesse conjunto, para formarem a morada onde Deus habita pelo seu Espírito”).

Sendo Jesus o nosso fundamento, então nossa vida deve estar alicerçada na Sua Palavra – Bíblia. Nossa vida precisa estar edificada sobre a Palavra, para quando vieres os dias maus… podermos resistir firmes… Mateus 7.24-27; Lucas 6.46-49

Nossa “casa espiritual” precisa estar bem fundamentada/alicerçada sobre a Palavra… nem em qualquer outro tipo de fundamento/alicerce.

Quais são pois, os fundamentos ensinados pelos apóstolos e profetas que devem ser estabelecidas em nossa vida espiritual? Hebreus 6:1,2

O único guia seguro é a Bíblia. Ela é a revelação de um Deus que tem conhecimento infinito e, portanto, pode oferecer-lhe verdade absoluta. Deus deu-lhe uma revelação suficiente e completa. Ela apresenta um quadro exacto e compreensível a respeito de filhos, pais, vida familiar, valores, treinamento, desenvolvimento, disciplina – tudo que precisamos para estar equipado para vida. (“Pastoreando o Coração da Criança”, Tedd Tripp, p.10)

A Bíblia é a genuína Palavra de Deus, dada aos Homens para a sua saúde espiritual, como afirma 2 Timóteo 3:16,17, mas também para a sua saúde emocional e psíquica (alma), e corpo. 

Enquanto na oração fala com Deus, através da Bíblia Deus fala consigo. É tão real e tão confiável como se Jesus estivesse aqui em pessoa a falar consigo.

Um jovem, em certa ocasião, adquiriu com grande esforço, uma passagem de comboio para realizar a longa viagem que sempre havia sonhado. Durante a viagem não comeu quase nada, pois havia gasto todo o dinheiro na passagem. Não sabia que as refeições já estavam incluídas na passagem. No último dia, já sentindo que não podia mais suportar o jejum, buscou o refeitório, dizendo para si mesmo: “Ainda que tenha que pagar a conta a lavar os pratos, hoje vou jantar.” Mas que surpresa teve quando pediu a conta ao empregado e este lhe disse: “Não senhor, não deve nada. Sua passagem inclui a alimentação de toda a viagem.”

Assim acontece muitas vezes connosco: temos nas nossas mãos a fonte da nossa provisão e bênção, a Palavra de Deus, fonte de vida e promessas e, no entanto, fazemos como o jovem da história; vivemos sem desfrutar todo o bem que Deus tem para nós, pois ignoramos a Palavra, suas promessas e bênçãos.

Devemos amar a Palavra e seguir a sua direcção assim como faz o capitão de um barco com a bússola. Deste modo aprenderemos a agir com sabedoria e a tirar o melhor proveito dela para a nossa vida. 

A Bíblia é o maior dos tesouros, tem a resposta para todas as nossas necessidades, mostra-nos como manejar as finanças, o relacionamento com outras pessoas, com a família, os sentimentos e como resolver os problemas.

Josué 1:8 diz: “Não se aparte da tua boca o livro desta lei, antes medita nele dia e noite, para que tenhas cuidado de fazer conforme tudo quanto nele está escrito; porque então farás prosperar o teu caminho, e serás bem sucedido.”

Deus nos deu a Palavra com um propósito – ser o guia do nosso caminhar diário, nas decisões e em tudo o que nos diz respeito. O salmista diz: “Lâmpada para os meus pés é a Tua Palavra e luz para os meus caminhos” (Salmo 119:105).

Deus inspirou diversos homens em distintas épocas e em diferenças culturas para que, por meio da Sua Palavra, ou seja, a Bíblia, pudéssemos conhecer e receber Suas promessas. Mas, como fazer para entendê-la, tirar proveito, meditar nela, praticá-la, fazer prosperar o meu caminho e para que tudo me vá bem?

Ninguém conseguirá compreender bem a Bíblia, sem ter pelo menos a ideia da História, dos costumes, dos idiomas e das religiões dos povos que, diretamente como os judeus ou indiretamente como os egípcios, assírios e outros, participaram do seu conteúdo.

1 – DEFINIÇÃO DE “BÍBLIA”

Do vocábulo grego ‘biblos’, temos o plural ‘biblia’, que quer dizer: livros. Daí o nome da nossa Bíblia. 

A palavra Bíblia é derivada do termo em grego koiné τὰ βιβλία, que significa "os livros" (singular βιβλίον). A palavra βιβλίον em si tinha o significado literal de "rolo" e passou a ser usada como a palavra comum para "livro". É o diminutivo de βύβλος (byblos), "papiro egípcio", possivelmente assim chamado a partir do nome do porto marítimo fenício Biblos (também conhecido como Gebal) de onde o papiro egípcio era exportado para a Grécia.

O termo grego ta biblia ("os livros") era "uma expressão que os judeus helenísticos usavam para descrever seus livros sagrados". O estudioso bíblico F. F. Bruce observa que João Crisóstomo parece ser o primeiro escritor (em suas Homilias sobre Mateus, proferidas entre 386 e 388) a usar a frase grega ta biblia ("os livros") para descrever o Antigo e o Novo Testamento juntos.

A expressão em latim biblia sacra ("livros sagrados") foi traduzida do grego τὰ βιβλία τὰ ἅγια (tà biblía tà hágia, "os livros sagrados"). O termo biblia do latim medieval é a abreviação de biblia sacra ("livro sagrado"). Gradualmente, passou a ser considerado um substantivo feminino singular em latim medieval e, assim, a palavra foi emprestada como singular para os vernáculos da Europa Ocidental.

Um sinónimo de ‘A Bíblia’ é ‘As Escrituras’, do grego ‘ta gramata’ ou ‘hai graphai’, como vemos nos seguintes textos:

“Perguntou-lhe Jesus: Nunca lestes as Escrituras...” - Mt 21;42.

“Ainda que não lestes esta Escritura: A pedra...” - Mc 12:10.

“Toda a Escritura é inspirada por Deus...” - 2Tm 3:16.

Os livros da Bíblia foram inicialmente escritos e copiados à mão em rolos de papiro. Nenhum original sobreviveu. A idade da composição original dos textos é, portanto, difícil de determinar e muito debatida. Usando uma abordagem linguística e historiográfica combinada, Hendel e Joosten datam as partes mais antigas da Bíblia hebraica (o Cântico de Débora em Juízes 5 e a história de Sansão de Juízes 16 e 1 Samuel) como tendo sido compostas no início da Idade do Ferro pré-monárquica (c. 1200 a.C.). Os Manuscritos do Mar Morto, descobertos nas cavernas de Qumran em 1947, são cópias que podem ser datadas entre 250 a.C. e 100 d.C. São as cópias mais antigas existentes dos livros da Bíblia hebraica de qualquer tamanho que não sejam simplesmente fragmentos.

Os primeiros manuscritos provavelmente foram escritos em paleo-hebraico, uma espécie de pictograma cuneiforme semelhante a outros pictogramas do mesmo período. O exílio para a Babilónia provavelmente levou à mudança de escrita (aramaico) nos séculos V a III a.C. Desde a época dos pergaminhos do Mar Morto, a Bíblia hebraica era escrita com espaços entre as palavras para ajudar na leitura. 

Os massoretas foram escribas e eruditos judeus que se dedicaram a preservar e padronizar o texto hebraico do Antigo Testamento. Eles criaram um sistema de vogais e notas (massorá) para garantir que as escrituras fossem lidas e transmitidas sem alterações. Por volta do século VIII d.C., os massoretas acrescentaram sinais vocálicos (niqqud). 

Levitas ou escribas mantiveram os textos, sendo que alguns textos sempre foram tratados como mais oficiais do que outros. Os escribas preservavam e alteravam os textos alterando a escrita e atualizando as formas arcaicas ao mesmo tempo em que faziam correções. Esses textos hebraicos foram copiados com muito cuidado.

2 - 16 RAZÕES PORQUE PODEMOS CONFIAR NA BÍBLIA - clique AQUI

3 - REVELAÇÃO E INSPIRAÇÃO

Sendo que a glória de Deus se tornou um fogo consumidor para o Homem (devido ao Pecado), Deus estabeleceu um plano.

Portanto, o propósito definido da Bíblia é revelar ao Homem a vontade divina, o plano da salvação, por isso todos os seus assuntos, em última análise, poderiam ser condensados nesta simples síntese – revelar a Cristo. 

Meios usados por Deus para transmitir a Sua palavra:

a) A voz audível: Génesis 3:8-15; Números 12:7-8.

b) De face a face: Êxodo 33:11; Deuteronómio 34:10.

c) Os anjos: Zacarias 1:9; Lucas 1:11, 18 e 19.

d) Visões: Daniel 7:2; Apocalipse 1:19.

e) Sonhos: Números 12:6; Génesis 37:5 e 9.

f) O Espírito Santo: 2Pedro 1:21; 2Samuel 23:11 e12.

g) Cristo: João 17:34; Hebreus 1:1 e 2.

A Palavra de Deus foi transmitida verbalmente pelos profetas durante aproximadamente 2.500 anos. Isto foi possível porque as pessoas no inicio do mundo foram privilegiadas com longevidade e prodigiosa memória.

A Palavra Escrita

Razões para ser dada a Palavra de Deus em forma escrita:

a) A capacidade mental diminui por causa do pecado.

b) A vida humana foi abreviada por doenças, alimentação, etc.

c) Por uma multiplicidade de fatores, o homem começou a errar mais.

d) Por causa da apostasia, as verdades divinas deviam ser dadas com toda a exatidão.

e) A palavra escrita inspira autenticidade.

Há dois vocábulos que de modo geral caracterizam o que Deus fez quando a Bíblia foi escrita: Revelação e Inspiração.

4.1. DIFERENÇA ENTRE REVELAÇÃO E INSPIRAÇÃO

a) REVELAÇÃO - Deus dá a conhecer ao escritor coisas desconhecidas e que por si só, o Homem não poderia conhecer.

b) INSPIRAÇÃO - O Espírito Santo age como um sopro sobre os escritores, capacitando-os a receber e transmitir a mensagem divina sem mistura ou erro.

Exemplos: Se Moisés escreveu o Génesis, recebendo-o por visão, sonhos, ou mesmo pela própria voz de Deus, temos uma Revelação. Porém, se ele valeu-se de escritos anteriores, incluindo a tradição, desde que usado pelo Espírito Santo, temos uma Inspiração.

4.2. REVELAÇÃO

No Antigo Testamento, o termo “revelar” vem do verbo galah, do hebraico. Esta raiz significa “descobrir, despir”, então isso significa que o ato de abertura foi para ver o que estava escondido.  Etimologicamente, revelação vem do latim “revelo”, que significa descobrir, desvendar, levantar o véu. Revelação significa, portanto, descobrimento, manifestação de algo que está escondido.

Algumas vezes percebemos que o termo “revelação” é usado como um ato de se despir de forma humilhante para não esconder nada, como vemos no livro de Isaías 47:3.

O verbo galah aparece 23 vezes em conexão com a manifestação do próprio Deus ou a comunicação da Sua mensagem.

No Novo Testamento, “revelação” não vem do hebraico, e sim do verbo grego “apokalupto” que significa “descobrir, divulgar, revelar”, que ocorre 26 vezes. A palavra grega correspondente à latina “revelação” é “apocalipse”.

Na Bíblia Deus revela os Seus pensamentos, Suas intenções, Seus desígnios, Seus mistérios. Isaías 55:8-9; Romanos 11:33-34; Apocalipse 1:1.

A Bíblia é a mensagem de Deus em palavras humanas. Há um Deus transcendente que escolheu revelar-Se ao Homem, para que ele entenda como se formaram as coisas. Revelação tem que ver mais com o conteúdo.

A Bíblia está repleta de expressões como: “e falou o Senhor”, “eis o que diz o Senhor”, “veio a mim a palavra do Senhor”. Daí a propriedade de denominarmos o conjunto destas revelações de “A Palavra de Deus”.

Podemos falar de Revelação tomando-a em dois sentidos: Activo e Passivo.

- Revelação no sentido Activo: é a atividade de Deus, enquanto se dá a conhecer aos Homens. O Homem apenas pode conhecer a Deus porque Ele Se revela. Esta revelação se consumou em Jesus Cristo. Cristo em todos os Seus ensinos tornou bem claro que Ele era uma revelação de Deus. E também o Espírito Santo!

- Revelação no sentido Passivo: é o próprio conhecimento que é comunicado aos Homens. O mais proeminente canal de revelação no Antigo Testamento foram os profetas; no Novo Testamento foram os apóstolos. 

Precisamos também entender que encontramos, na vida da Igreja e dos cristãos, canais de “revelação” também. «És “um Bíblia”!» - Um cristão pode ser a única Bíblia que aqueles que não ainda não receberam Jesus como Salvador e Senhor, leem. Se der um testemunho negativo, a Bíblia será negativa para eles, mas se der um bom testemunho, a Bíblia será boa para eles e revelará quem é Jesus para eles.

Se perguntarmos ao homem natural qual é a solução para o seu problema, ele não achará meio de responder a esta pergunta. Este clamor do homem necessitado de uma resposta aos seus problemas faz da Bíblia uma fonte de “revelação”. Se Deus desejou se revelar para nós através da Bíblia, podemos afirmar que Ele deseja que aprendamos mais dEle como um Deus “revelado”, ainda que não na totalidade (Isaías 55:8-11).  

Vemos referências à Revelação de Deus, nas páginas das Escrituras:

- Deus revelou-se na aliança efetuada com Abraão - Génesis 17.7

- Deu a Israel a Sua Lei - Exodo 20.22

- Revelou a Sua vontade - Isaías 48.3

- Travou relações com o povo - Salmos 147.19,20

- Revelou-Se pessoalmente em Cristo - Colossenses 2.9.

Veremos alguns meios usados por Deus para revelar-se:

a) A REVELAÇÃO ORIGINAL - Deus criou o Homem à Sua imagem e semelhança para que o Homem pudesse conhecer, amar, servir e dar glória à Sua Pessoa.

b) A REVELAÇÃO REDENTORA - Por causa do Pecado o Homem perdeu a possibilidade de aprender a compreender o testemunho interior ou o da criação. Deus se manifesta aos Homens através de uma revelação especial operada pelo Espírito Santo, dentro do Homem, para que o Homem volte para Deus.

c) REVELAÇÃO VERBAL - Através de Jesus, o Homem tem consciência da vontade de Deus para a sua vida. No livro de Actos vemos a revelação verbal manifestada de múltiplas maneiras, tais como: visões, sonhos, inspirações proféticas, etc.

d) REVELAÇÃO BÍBLICA - O que diferencia a Bíblia de qualquer outro livro é a sua inspiração divina. Observe: (a) “Na verdade há um espírito no Homem, e o sopro do Todo-Poderoso o faz entendido” - Job 32.8; (b) “Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correcção, para a educação na justiça” - 2Tm 3.16; (c) “Porque nunca jamais qualquer profecia foi dada por vontade humana, entretanto Homens falaram da parte de Deus movidos pelo Espírito Santo” - 2Pd 1.21.

A prova máxima de que a Bíblia tem origem divina está no seu poder de transformar vidas.

4.3. INSPIRAÇÃO

4.3.1. A TEORIA CORRECTA DA INSPIRAÇÃO DA BÍBLIA

Hermisten M.P. Costa definiu “inspiração” de uma forma simples e direta: “Podemos definir a inspiração como sendo a influência sobrenatural do Espírito Santo sobre os homens separados por ele mesmo, a fim de registarem de forma inerrante e suficiente toda a vontade de Deus, constituindo este registo na única fonte e norma de todo o conhecimento cristão.”

De um estudo do bispo Westcott, publicado no livro “História, Doutrina e Interpretação da Bíblia”, de Joseph Angus, vol. l, pág. 99, destacamos o seguinte: “Ensina-nos que a Inspiração é uma operação do Espírito Santo, atuando nos homens, de acordo com as leis da constituição humana; que não é neutralizada pela influência divina, mas aproveitada como um veículo para a expressão completa da mensagem de Deus. Ensinam-nos que a Inspiração está geralmente combinada com o progresso moral e espiritual do Doutrinador, de maneira que há no todo uma conformidade moral entre o Profeta e a sua doutrina.”

Henri Daniel-Rops, no livro “Que é a Bíblia?”, definiu inspiração como sendo a operação divina que toma conta do autor sagrado, esclarecendo-o, guiando-o, assistindo-o na execução do seu trabalho. Também é uma palavra latina, derivada do verbo “inspiro”, que quer dizer “soprar para dentro”.

2 Timóteo 3:16 nos diz que “toda a Escritura é divinamente inspirada” – em grego, “theopneustos”, bafejada por Deus, tendo o sopro de Deus, inspirada por Deus. Esta passagem é de uma clareza meridiana, pois aqui se afirma a divina autoridade de toda a Escritura. Deus é o autor dos relatos bíblicos. A Bíblia não pode conter erros, porque Deus não erra, e se falamos em erros das Escrituras, estes são devidos às falhas humanas. Devemos confiar em tudo o que a Bíblia ensina por causa desta autoria divina.

Cremos que a inspiração bíblia procedeu de quatro formas:

a) PLENA - A Teoria da Inspiração Plena é a que todas as partes da Bíblia são igualmente inspiradas. Os escritores foram capacitados pela cooperação vital e contínua do Espírito Santo. 1Pe 1:12; Ap 22:18,19

Nas páginas do Antigo Testamento, a expressão “Assim diz o Senhor” e similares são usadas mais de 3.800 vezes. Ao receber a revelação no Monte Sinai, Moisés “ escreveu todas as palavras do Senhor” (Êx 24.4). Jeremias foi advertido: “não esqueças nem uma palavra” (Jr 26.2).

O salmista David afirma em 2Samuel 23:2: “O Espírito do Senhor fala por meu intermédio”.

No Novo Testamento encontramos referências aos profetas do Antigo Testamento, como as seguintes: “Homens que falaram da parte de Deus” e “que foram movidos pelo Espírito Santo”, “o Espírito de Cristo que estava neles testificou”. 

No texto do Novo Testamento, Paulo disse que usava as palavras “que o Espírito Santo ensina” (1 Co 2.13). João assegura que o Senhor lhe revelou “coisas que brevemente devem acontecer” (Ap 1.1). E o Senhor Jesus asseverou que até os sinais diacríticos do texto hebraico eram inspirados: “nem um jota ou um til se omitirá da lei” (Mt 5.18). Assim sendo, as Escrituras reivindicam que a mensagem bíblica veio da parte de Deus.

Mateus 5:17-18 – “Não cuideis que vim destruir a Lei ou os profetas: não vim ab-rogar, mas cumprir. Porque em verdade vos digo, que até que o Céu e a Terra passem, nem um jota ou til se omitirá da Lei, sem que tudo seja cumprido”. Jesus chama a Escritura de “a Palavra de Deus” (Marcos 7:13).

A mesma veemente defesa feita para a integridade do Velho Testamento é feita por Cristo para as Suas próprias palavras: “As Minhas palavras não hão de passar” (Mateus 24:35).

Depois de ter sido escrito o último livro do N.T., a Inspiração Plena cessou.

Apocalipse 22:18,19: Porque eu testifico a todo aquele que ouvir as palavras da profecia deste livro que, se alguém acrescentar a estas coisas, Deus fará vir sobre ele as pragas que estão escritas neste livro; e, se alguém tirar quaisquer das palavras do livro desta profecia, Deus tirará a sua parte do livro da vida, e da cidade santa, e das coisas que estão escritas neste livro.

Portanto, Bíblia não apenas “contém” ou “torna-se” a Palavra de Deus (conforme ensino da Neo-Ortodoxia), mas sobretudo ela é a inspirada Palavra de Deus – plena, sem erros e sem falha alguma. 

“A inspiração é a combinação entre a expressão natural dos escritores e a iniciação e orientação especiais dos seus escritos concedidas pelo Espírito Santo. Mas o Espírito Santo não somente dirigia os pensamentos, ou conceitos dos escritores, como também supervisionava a seleção das palavras para a totalidade do texto (e não somente para as questões de fé e prática). O Espírito Santo garantia a exatidão e a suficiência de tudo quanto era escrito como a revelação da parte de Deus. Ditado divino. A inspiração é a superintendência infalível da reprodução mecânica das palavras divinas à medida que o Espírito Santo as ditava aos autores bíblicos. Estes, como obedientes estenógrafos, tudo registavam segundo as ordens especiais do Espírito Santo quanto ao conteúdo, vocabulário e estilo” HORTON. Staleym. Teologia Sistemática: Uma Perspectiva Pentecostal. Editora CPAD.      

b) INTERATIVA ou DINÂMICA. A Bíblia é um livro divino, mas evidentemente ele não caiu pronto do Céu. Para que a Bíblia se concretizasse, o Espírito Santo Se serviu de Homens e que conservavam a respetiva personalidade, o caráter, talento e génio, os hábitos intelectuais e poderes de estilo. Deus não violentou nem destruiu as faculdades daqueles que deviam formular a Sua mensagem. O escritor continuava sendo homem, com seu modo de ser, sua linguagem própria, seu próprio estilo. Exemplo: Amós, um pecuário e agricultor.

Pedro e João são escritores simples, usando um vocabulário reduzido. Paulo e Lucas são escritores cultos, usando linguagem rica, primorosa e repleta de figuras literárias. Homens como Lucas, que sabia escrever e diz que muito pesquisou para poder informar a Teófilo (Lc 1:3).

A Bíblia não deixa de lado a inteligência do Homem, nem a sua percepção e entendimento. Esta é a que aceitamos. A Escritura contém o divino e o humano. A verdade é inspirada por Deus, mas é moldada pelo espírito humano, de acordo com o idioma, o ambiente e a inteligência humana de cada escritor. 

Cada um, na sua maneira peculiar de se expressar, afirma a mesma verdade fundamental: a inspiração total da Bíblia. As Escrituras são de origem divina porque o Espírito de Deus falou através dos profetas.

O Espírito Santo garantiu a liberdade dos escritores bíblicos conforme a capacitação de cada um. Portanto, a Bíblia possui particularidades quanto à gramática, vocábulos, ao género literário, e outros. Cada autor fez uso de géneros literários distintos, tais como: narrativa (1 e 2 Samuel), poesia (Salmos), provérbios (livro de Provérbios) etc. Os autores sagrados também fizeram uso de figuras de linguagem, tais com o: o emprego de parábolas e enigmas (Jz 14.14; Ez 17.2); de alegorias (G1 4-22-24; Hb 9.9); de hipérboles (Jo 21.25; Cl 1.23); de metáforas e símiles (Zc 2.8; Tg 3 3 – 5); de vocabulário simples ou rebuscado a depender do grau de instrução do autor (2 Pe 3.15,16). O emprego dos recursos literários evidencia a cultura do escritor, mas em hipótese alguma invalida a inspiração da Palavra de Deus (Pv 2.6; Tg 1.17).   

Apesar disso, os autores não se tornaram intérpretes do divino. Isso porque Deus não inspirou aos escritores apenas os pensamentos ou as ideias. O Espírito Santo também inspirou cada uma das palavras que expressam com exatidão a mensagem divina (1Co 2.10,11).   

“No tocante à orientação do escritor pelo Espírito, tem-se sugerido que a influência do Espírito estendeu-se somente ao impulso original para se escrever, ou somente à seleção dos tópicos, ou apenas aos pensamentos ou ideias do autor, conforme este achasse melhor. Na inspiração plenária e verbal, todavia, a orientação do Espírito estendia-se até às próprias palavras que o escritor selecionava para expressar os seus pensamentos. O Espírito Santo não ditava as palavras, mas guiava o escritor para que este, livremente, escolhesse as palavras que realmente expressavam a mensagem de Deus. (Por exemplo, o escritor poderia ter escolhido “casa” ou “construção”, segundo a sua preferência, mas não poderia ter escolhido “campo”, pois isso teria mudado o conteúdo da mensagem.)” HORTON. Staleym. Teologia Sistemática: Uma Perspectiva Pentecostal. Editora CPAD.    

“Apresentada em termos humanos. Apesar de a Bíblia alegar ser a Palavra de Deus, ela também é as palavras de seres humanos. Afirma ser a comunicação de Deus às pessoas, na sua linguagem e expressões. 

Todos os livros na Bíblia foram composições de escritores humanos.

A Bíblia manifesta estilos literários diferentes, desde a métrica fúnebre de Lamentações à poesia exaltada de Isaías, desde a gramática simples de João até o grego complexo de Hebreus. A escolha de metáforas demonstra que autores diferentes usaram 0 próprio contexto histórico e seus interesses. Tiago se interessa pela natureza. Jesus usa metáforas urbanas e Oseias as da vida rural.

A Bíblia manifesta perspetivas e emoções humanas; David falou no salmo 23 do ponto de vista de um pastor; o livro dos Reis foi escrito de um ponto de vista profético, e Crónicas, do ponto de vista sacerdotal; Atos manifesta um interesse histórico e 2Timóteo, o coração de um pastor. Paulo expressou tristeza pelos israelitas que rejeitaram a Deus (Rm 9.2).

A Bíblia revela padrões e processos do pensamento humano, incluindo a razão (Romanos) e a memória (1Co 1.14-16).

Os autores da Bíblia usaram recursos humanos para informação, incluindo pesquisa histórica (Lc 1.1-4) e obras não canónicas (Js 10.13; At 17.28; 1Co 15.33; Tt 1.12; Jd 9,14)”. GEISLER. Norman. Enciclopédia De Apologética, respostas aos críticos da fé cristã. Editora Vida. 1 Ed. 2002. pag. 120-121.

c) Verbal ou Oral. Uma das tradições que sabemos com relação ao povo de Israel, era a tradição oral ou verbal. Deus usou também a área verbal para que escrevessem (Ex. 34:27).

A inspiração é chamada de verbal porque Deus soprou nos escritores sagrados aquilo que deveria ser escrito (Ap 19.9; 1 Co 14.37). A Bíblia é “divinamente inspirada” (2 Tm 3.16). O termo do grego theopneustos, que significa literalmente “soprada por Deus”.  Porém, os autores bíblicos não foram usados automaticamente como se escrevessem um ditado; eles foram instrumentos de Deus e, cada qual com sua própria personalidade e talento, escreveram “inspirados pelo Espírito Santo” (2 Pe 1.21).  

d) Sobrenatural. Não há como explicar a forma como Deus fez para que os escritores, vivendo em tempos e lugares tão diferentes, trouxessem unidade à Palavra de Deus se não fosse a acção do Espírito Santo na vida daqueles homens (2Pe 1;21)

2 Pedro 1:20-21 – “Sabendo primeiramente isto: que nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação. Porque a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum, mas os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo”.

4.3.2. TEORIAS FALSAS DA INSPIRAÇÃO DA BÍBLIA

Homens sábios aos seus próprios olhos, começaram a atacar a Bíblia afirmando que ela não podia ser divina porque continha várias espécies de erros. 

Apenas poucos anos se passaram, desde que João escreveu o Apocalipse, e doutrinas erróneas se levantaram, como a dos gnósticos, dos docetistas, dos epicureus, dos ebionitas, etc. 

No fim do século XVIII apareceram os racionalistas negando tudo o que fosse sobrenatural. Defendiam eles que a razão humana é o único critério válido de verdade. Por conseguinte, consideram a Bíblia como uma coleção de livros puramente humanos, fruto de atividade meramente natural, e, portanto, sujeitos a todas as falhas de qualquer outro livro humano sem excluir os erros.

Os protestantes liberais e os modernistas negam também a inspiração da Bíblia, e quando a admitem é com um conceito totalmente desfigurado do que significa inspiração. 

Brian Schwertley escreveu: “Os maiores críticos da inspiração bíblica são os liberais. Os liberais têm uma posição muito diferente da posição ortodoxa, do verdadeiro cristianismo.” 

O Modernismo ensina que algumas partes da Bíblia são inspiradas, e outras não. Pior do que ensinar isto, é dizer que certas partes podem conter erros, são fruto apenas da experiência humana e contém lendas. Diante deste ensinamento errado, os modernistas trazem o seguinte conceito:

- Iluminação: As partes inspirada das Escrituras foram dadas por Deus a somente a alguns homens bondosos. Se a inspiração foi apenas isso, cairíamos num subjetivismo extremamente perigoso, pois, nesse caso, a veracidade dos textos bíblicos dependeria da apreensão de cada “iluminado” para que pudesse registar o que percebera.

- Intuição. Como todo ensinamento gera uma reação, logo os opositores ao modernismo apresentaram o que conhecemos como conceito de intuição, ou seja, atribuindo apenas à intuição humana o registo bíblico. Com isto estamos a afirmar que o modernismo está a dizer de uma forma bem clara: “Não há nenhum elemento divino na compreensão da Bíblia.”

Assim como o conceito da iluminação está errado, este de intuição também está. Se estes conceitos fossem corretos, teríamos a seguinte definição: “... a Bíblia poderia até ser um belíssimo livro, todavia, apenas um livro humano criado pela genialidade humana e, por mais belo e extraordinário que fosse, seria falível, cheio de erros, preceitos antiquados e, o pior de tudo, não nos conduziria a Deus.”

a) INSPIRAÇÃO NATURAL ou TEORIA DA INTUIÇÃO: Essa teoria nega que a Bíblia seja sobrenatural ou vinda de Deus, defendendo que ela foi produzida pelos próprios poderes intuitivos do Homem. De acordo com ela os escritores da Bíblia foram inspirados unicamente no sentido em que os escritores talentosos como Sócrates, Shakespeare, Homero e Camões o foram (2Sm 23.2; Jr 1.9; At 28.25). Esta teoria considera as Escrituras como produto natural da mente humana.

b) INSPIRAÇÃO COMUM: Ensina que da mesma maneira como os escritores da Bíblia foram inspirados, ainda hoje o somos. Quando oramos, cantamos ou ensinamos a Palavra, estamos ‘inspirados’ por Deus.

c) INSPIRAÇÃO PARCIAL (Teoria Fraccional ou Parcial): Ensina que partes da Bíblia são inspiradas, outras não. Defende que os autores da Bíblia tiveram inspiração somente para alguns assuntos das Escrituras. Afirma que a Bíblia contém a Palavra de Deus. 

A afirmação divina é: “Toda a Escritura é divinamente inspirada” (2Tm 3:16).

d) DITADO VERBAL (Inspiração Mecânica): Ensina que Deus ditou para os escritores aquilo que queria que fosse escrito. Nessa teoria, os homens funcionaram apenas como máquinas ou robots. Sabemos que Deus apenas usou as faculdades mentais dos homens, mas deixou livre os seus estilos. (Lc 1.3,4)

e) INSPIRAÇÃO DAS IDEIAS: Ensina que Deus inspirou as ideias mas não as palavras. As palavras ficaram a cargo do escritor (1Co 2.13; Hb 1.1; Ap 22.19).


... continua...