Texto relativo à primeira parte da lição online sobre a Bíblia - Curso "Princípios da Fé Cristã"
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Se ainda não começaste o curso "Princípios da Fé Cristã", gostaria de convidar-te a começares esta maratona espiritual comigo. A Bíblia incentiva-nos a crescer espiritualmente, e através dos estudos que aqui serão partilhados terás a oportunidade de conhecer melhor o que a Palavra de Deus diz sobre diversos temas.
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INTRODUÇÃO:
1 Pedro 2:4,5 (“Cheguem-se a Cristo que é a rocha viva, rejeitada, na verdade, pelos homens, mas de grande valor para Deus que a escolheu. Vocês também se tornaram pedras vivas para Deus usar na edificação da sua casa espiritual. E são seus santos sacerdotes para através de Jesus Cristo lhe apresentar ofertas do seu agrado”) diz que fomos feitos “casa espiritual”, em que Jesus é a “rocha viva”.
Como cristãos, temos que estar edificados sobre a “rocha/pedra viva/principal” que nos foi transmitida pelos apóstolos e profetas, conforme mencionado em Efésios 2:20-22 (“esse povo que é como um edifício construído sobre o alicerce dos profetas e dos apóstolos, e do qual Jesus Cristo é a principal pedra de esquina, pela qual todo o edifício se alinha. Em Cristo essa construção cresce, porque cada pedra se adapta perfeitamente ao conjunto, a fim de se tornar um templo consagrado ao Senhor. Vocês estão também integrados nesse conjunto, para formarem a morada onde Deus habita pelo seu Espírito”).
Sendo Jesus o nosso fundamento, então nossa vida deve estar alicerçada na Sua Palavra – Bíblia. Nossa vida precisa estar edificada sobre a Palavra, para quando vieres os dias maus… podermos resistir firmes… Mateus 7.24-27; Lucas 6.46-49
Nossa “casa espiritual” precisa estar bem fundamentada/alicerçada sobre a Palavra… nem em qualquer outro tipo de fundamento/alicerce.
Quais são pois, os fundamentos ensinados pelos apóstolos e profetas que devem ser estabelecidas em nossa vida espiritual? Hebreus 6:1,2
O único guia seguro é a Bíblia. Ela é a revelação de um Deus que tem conhecimento infinito e, portanto, pode oferecer-lhe verdade absoluta. Deus deu-lhe uma revelação suficiente e completa. Ela apresenta um quadro exacto e compreensível a respeito de filhos, pais, vida familiar, valores, treinamento, desenvolvimento, disciplina – tudo que precisamos para estar equipado para vida. (“Pastoreando o Coração da Criança”, Tedd Tripp, p.10)
A Bíblia é a genuína Palavra de Deus, dada aos Homens para a sua saúde espiritual, como afirma 2 Timóteo 3:16,17, mas também para a sua saúde emocional e psíquica (alma), e corpo.
Enquanto na oração fala com Deus, através da Bíblia Deus fala consigo. É tão real e tão confiável como se Jesus estivesse aqui em pessoa a falar consigo.
Um jovem, em certa ocasião, adquiriu com grande esforço, uma passagem de comboio para realizar a longa viagem que sempre havia sonhado. Durante a viagem não comeu quase nada, pois havia gasto todo o dinheiro na passagem. Não sabia que as refeições já estavam incluídas na passagem. No último dia, já sentindo que não podia mais suportar o jejum, buscou o refeitório, dizendo para si mesmo: “Ainda que tenha que pagar a conta a lavar os pratos, hoje vou jantar.” Mas que surpresa teve quando pediu a conta ao empregado e este lhe disse: “Não senhor, não deve nada. Sua passagem inclui a alimentação de toda a viagem.”
Assim acontece muitas vezes connosco: temos nas nossas mãos a fonte da nossa provisão e bênção, a Palavra de Deus, fonte de vida e promessas e, no entanto, fazemos como o jovem da história; vivemos sem desfrutar todo o bem que Deus tem para nós, pois ignoramos a Palavra, suas promessas e bênçãos.
Devemos amar a Palavra e seguir a sua direcção assim como faz o capitão de um barco com a bússola. Deste modo aprenderemos a agir com sabedoria e a tirar o melhor proveito dela para a nossa vida.
A Bíblia é o maior dos tesouros, tem a resposta para todas as nossas necessidades, mostra-nos como manejar as finanças, o relacionamento com outras pessoas, com a família, os sentimentos e como resolver os problemas.
Josué 1:8 diz: “Não se aparte da tua boca o livro desta lei, antes medita nele dia e noite, para que tenhas cuidado de fazer conforme tudo quanto nele está escrito; porque então farás prosperar o teu caminho, e serás bem sucedido.”
Deus nos deu a Palavra com um propósito – ser o guia do nosso caminhar diário, nas decisões e em tudo o que nos diz respeito. O salmista diz: “Lâmpada para os meus pés é a Tua Palavra e luz para os meus caminhos” (Salmo 119:105).
Deus inspirou diversos homens em distintas épocas e em diferenças culturas para que, por meio da Sua Palavra, ou seja, a Bíblia, pudéssemos conhecer e receber Suas promessas. Mas, como fazer para entendê-la, tirar proveito, meditar nela, praticá-la, fazer prosperar o meu caminho e para que tudo me vá bem?
Ninguém conseguirá compreender bem a Bíblia, sem ter pelo menos a ideia da História, dos costumes, dos idiomas e das religiões dos povos que, diretamente como os judeus ou indiretamente como os egípcios, assírios e outros, participaram do seu conteúdo.
1 – DEFINIÇÃO DE “BÍBLIA”
Do vocábulo grego ‘biblos’, temos o plural ‘biblia’, que quer dizer: livros. Daí o nome da nossa Bíblia.
A palavra Bíblia é derivada do termo em grego koiné τὰ βιβλία, que significa "os livros" (singular βιβλίον). A palavra βιβλίον em si tinha o significado literal de "rolo" e passou a ser usada como a palavra comum para "livro". É o diminutivo de βύβλος (byblos), "papiro egípcio", possivelmente assim chamado a partir do nome do porto marítimo fenício Biblos (também conhecido como Gebal) de onde o papiro egípcio era exportado para a Grécia.
O termo grego ta biblia ("os livros") era "uma expressão que os judeus helenísticos usavam para descrever seus livros sagrados". O estudioso bíblico F. F. Bruce observa que João Crisóstomo parece ser o primeiro escritor (em suas Homilias sobre Mateus, proferidas entre 386 e 388) a usar a frase grega ta biblia ("os livros") para descrever o Antigo e o Novo Testamento juntos.
A expressão em latim biblia sacra ("livros sagrados") foi traduzida do grego τὰ βιβλία τὰ ἅγια (tà biblía tà hágia, "os livros sagrados"). O termo biblia do latim medieval é a abreviação de biblia sacra ("livro sagrado"). Gradualmente, passou a ser considerado um substantivo feminino singular em latim medieval e, assim, a palavra foi emprestada como singular para os vernáculos da Europa Ocidental.
Um sinónimo de ‘A Bíblia’ é ‘As Escrituras’, do grego ‘ta gramata’ ou ‘hai graphai’, como vemos nos seguintes textos:
“Perguntou-lhe Jesus: Nunca lestes as Escrituras...” - Mt 21;42.
“Ainda que não lestes esta Escritura: A pedra...” - Mc 12:10.
“Toda a Escritura é inspirada por Deus...” - 2Tm 3:16.
Os livros da Bíblia foram inicialmente escritos e copiados à mão em rolos de papiro. Nenhum original sobreviveu. A idade da composição original dos textos é, portanto, difícil de determinar e muito debatida. Usando uma abordagem linguística e historiográfica combinada, Hendel e Joosten datam as partes mais antigas da Bíblia hebraica (o Cântico de Débora em Juízes 5 e a história de Sansão de Juízes 16 e 1 Samuel) como tendo sido compostas no início da Idade do Ferro pré-monárquica (c. 1200 a.C.). Os Manuscritos do Mar Morto, descobertos nas cavernas de Qumran em 1947, são cópias que podem ser datadas entre 250 a.C. e 100 d.C. São as cópias mais antigas existentes dos livros da Bíblia hebraica de qualquer tamanho que não sejam simplesmente fragmentos.
Os primeiros manuscritos provavelmente foram escritos em paleo-hebraico, uma espécie de pictograma cuneiforme semelhante a outros pictogramas do mesmo período. O exílio para a Babilónia provavelmente levou à mudança de escrita (aramaico) nos séculos V a III a.C. Desde a época dos pergaminhos do Mar Morto, a Bíblia hebraica era escrita com espaços entre as palavras para ajudar na leitura.
Os massoretas foram escribas e eruditos judeus que se dedicaram a preservar e padronizar o texto hebraico do Antigo Testamento. Eles criaram um sistema de vogais e notas (massorá) para garantir que as escrituras fossem lidas e transmitidas sem alterações. Por volta do século VIII d.C., os massoretas acrescentaram sinais vocálicos (niqqud).
Levitas ou escribas mantiveram os textos, sendo que alguns textos sempre foram tratados como mais oficiais do que outros. Os escribas preservavam e alteravam os textos alterando a escrita e atualizando as formas arcaicas ao mesmo tempo em que faziam correções. Esses textos hebraicos foram copiados com muito cuidado.
2 - 16 RAZÕES PORQUE PODEMOS CONFIAR NA BÍBLIA - clique AQUI
3 - REVELAÇÃO E INSPIRAÇÃO
Sendo que a glória de Deus se tornou um fogo consumidor para o Homem (devido ao Pecado), Deus estabeleceu um plano.
Portanto, o propósito definido da Bíblia é revelar ao Homem a vontade divina, o plano da salvação, por isso todos os seus assuntos, em última análise, poderiam ser condensados nesta simples síntese – revelar a Cristo.
Meios usados por Deus para transmitir a Sua palavra:
a) A voz audível: Génesis 3:8-15; Números 12:7-8.
b) De face a face: Êxodo 33:11; Deuteronómio 34:10.
c) Os anjos: Zacarias 1:9; Lucas 1:11, 18 e 19.
d) Visões: Daniel 7:2; Apocalipse 1:19.
e) Sonhos: Números 12:6; Génesis 37:5 e 9.
f) O Espírito Santo: 2Pedro 1:21; 2Samuel 23:11 e12.
g) Cristo: João 17:34; Hebreus 1:1 e 2.
A Palavra de Deus foi transmitida verbalmente pelos profetas durante aproximadamente 2.500 anos. Isto foi possível porque as pessoas no inicio do mundo foram privilegiadas com longevidade e prodigiosa memória.
A Palavra Escrita
Razões para ser dada a Palavra de Deus em forma escrita:
a) A capacidade mental diminui por causa do pecado.
b) A vida humana foi abreviada por doenças, alimentação, etc.
c) Por uma multiplicidade de fatores, o homem começou a errar mais.
d) Por causa da apostasia, as verdades divinas deviam ser dadas com toda a exatidão.
e) A palavra escrita inspira autenticidade.
Há dois vocábulos que de modo geral caracterizam o que Deus fez quando a Bíblia foi escrita: Revelação e Inspiração.
4.1. DIFERENÇA ENTRE REVELAÇÃO E INSPIRAÇÃO
a) REVELAÇÃO - Deus dá a conhecer ao escritor coisas desconhecidas e que por si só, o Homem não poderia conhecer.
b) INSPIRAÇÃO - O Espírito Santo age como um sopro sobre os escritores, capacitando-os a receber e transmitir a mensagem divina sem mistura ou erro.
Exemplos: Se Moisés escreveu o Génesis, recebendo-o por visão, sonhos, ou mesmo pela própria voz de Deus, temos uma Revelação. Porém, se ele valeu-se de escritos anteriores, incluindo a tradição, desde que usado pelo Espírito Santo, temos uma Inspiração.
4.2. REVELAÇÃO
No Antigo Testamento, o termo “revelar” vem do verbo galah, do hebraico. Esta raiz significa “descobrir, despir”, então isso significa que o ato de abertura foi para ver o que estava escondido. Etimologicamente, revelação vem do latim “revelo”, que significa descobrir, desvendar, levantar o véu. Revelação significa, portanto, descobrimento, manifestação de algo que está escondido.
Algumas vezes percebemos que o termo “revelação” é usado como um ato de se despir de forma humilhante para não esconder nada, como vemos no livro de Isaías 47:3.
O verbo galah aparece 23 vezes em conexão com a manifestação do próprio Deus ou a comunicação da Sua mensagem.
No Novo Testamento, “revelação” não vem do hebraico, e sim do verbo grego “apokalupto” que significa “descobrir, divulgar, revelar”, que ocorre 26 vezes. A palavra grega correspondente à latina “revelação” é “apocalipse”.
Na Bíblia Deus revela os Seus pensamentos, Suas intenções, Seus desígnios, Seus mistérios. Isaías 55:8-9; Romanos 11:33-34; Apocalipse 1:1.
A Bíblia é a mensagem de Deus em palavras humanas. Há um Deus transcendente que escolheu revelar-Se ao Homem, para que ele entenda como se formaram as coisas. Revelação tem que ver mais com o conteúdo.
A Bíblia está repleta de expressões como: “e falou o Senhor”, “eis o que diz o Senhor”, “veio a mim a palavra do Senhor”. Daí a propriedade de denominarmos o conjunto destas revelações de “A Palavra de Deus”.
Podemos falar de Revelação tomando-a em dois sentidos: Activo e Passivo.
- Revelação no sentido Activo: é a atividade de Deus, enquanto se dá a conhecer aos Homens. O Homem apenas pode conhecer a Deus porque Ele Se revela. Esta revelação se consumou em Jesus Cristo. Cristo em todos os Seus ensinos tornou bem claro que Ele era uma revelação de Deus. E também o Espírito Santo!
- Revelação no sentido Passivo: é o próprio conhecimento que é comunicado aos Homens. O mais proeminente canal de revelação no Antigo Testamento foram os profetas; no Novo Testamento foram os apóstolos.
Precisamos também entender que encontramos, na vida da Igreja e dos cristãos, canais de “revelação” também. «És “um Bíblia”!» - Um cristão pode ser a única Bíblia que aqueles que não ainda não receberam Jesus como Salvador e Senhor, leem. Se der um testemunho negativo, a Bíblia será negativa para eles, mas se der um bom testemunho, a Bíblia será boa para eles e revelará quem é Jesus para eles.
Se perguntarmos ao homem natural qual é a solução para o seu problema, ele não achará meio de responder a esta pergunta. Este clamor do homem necessitado de uma resposta aos seus problemas faz da Bíblia uma fonte de “revelação”. Se Deus desejou se revelar para nós através da Bíblia, podemos afirmar que Ele deseja que aprendamos mais dEle como um Deus “revelado”, ainda que não na totalidade (Isaías 55:8-11).
Vemos referências à Revelação de Deus, nas páginas das Escrituras:
- Deus revelou-se na aliança efetuada com Abraão - Génesis 17.7
- Deu a Israel a Sua Lei - Exodo 20.22
- Revelou a Sua vontade - Isaías 48.3
- Travou relações com o povo - Salmos 147.19,20
- Revelou-Se pessoalmente em Cristo - Colossenses 2.9.
Veremos alguns meios usados por Deus para revelar-se:
a) A REVELAÇÃO ORIGINAL - Deus criou o Homem à Sua imagem e semelhança para que o Homem pudesse conhecer, amar, servir e dar glória à Sua Pessoa.
b) A REVELAÇÃO REDENTORA - Por causa do Pecado o Homem perdeu a possibilidade de aprender a compreender o testemunho interior ou o da criação. Deus se manifesta aos Homens através de uma revelação especial operada pelo Espírito Santo, dentro do Homem, para que o Homem volte para Deus.
c) REVELAÇÃO VERBAL - Através de Jesus, o Homem tem consciência da vontade de Deus para a sua vida. No livro de Actos vemos a revelação verbal manifestada de múltiplas maneiras, tais como: visões, sonhos, inspirações proféticas, etc.
d) REVELAÇÃO BÍBLICA - O que diferencia a Bíblia de qualquer outro livro é a sua inspiração divina. Observe: (a) “Na verdade há um espírito no Homem, e o sopro do Todo-Poderoso o faz entendido” - Job 32.8; (b) “Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correcção, para a educação na justiça” - 2Tm 3.16; (c) “Porque nunca jamais qualquer profecia foi dada por vontade humana, entretanto Homens falaram da parte de Deus movidos pelo Espírito Santo” - 2Pd 1.21.
A prova máxima de que a Bíblia tem origem divina está no seu poder de transformar vidas.
4.3. INSPIRAÇÃO
4.3.1. A TEORIA CORRECTA DA INSPIRAÇÃO DA BÍBLIA
Hermisten M.P. Costa definiu “inspiração” de uma forma simples e direta: “Podemos definir a inspiração como sendo a influência sobrenatural do Espírito Santo sobre os homens separados por ele mesmo, a fim de registarem de forma inerrante e suficiente toda a vontade de Deus, constituindo este registo na única fonte e norma de todo o conhecimento cristão.”
De um estudo do bispo Westcott, publicado no livro “História, Doutrina e Interpretação da Bíblia”, de Joseph Angus, vol. l, pág. 99, destacamos o seguinte: “Ensina-nos que a Inspiração é uma operação do Espírito Santo, atuando nos homens, de acordo com as leis da constituição humana; que não é neutralizada pela influência divina, mas aproveitada como um veículo para a expressão completa da mensagem de Deus. Ensinam-nos que a Inspiração está geralmente combinada com o progresso moral e espiritual do Doutrinador, de maneira que há no todo uma conformidade moral entre o Profeta e a sua doutrina.”
Henri Daniel-Rops, no livro “Que é a Bíblia?”, definiu inspiração como sendo a operação divina que toma conta do autor sagrado, esclarecendo-o, guiando-o, assistindo-o na execução do seu trabalho. Também é uma palavra latina, derivada do verbo “inspiro”, que quer dizer “soprar para dentro”.
2 Timóteo 3:16 nos diz que “toda a Escritura é divinamente inspirada” – em grego, “theopneustos”, bafejada por Deus, tendo o sopro de Deus, inspirada por Deus. Esta passagem é de uma clareza meridiana, pois aqui se afirma a divina autoridade de toda a Escritura. Deus é o autor dos relatos bíblicos. A Bíblia não pode conter erros, porque Deus não erra, e se falamos em erros das Escrituras, estes são devidos às falhas humanas. Devemos confiar em tudo o que a Bíblia ensina por causa desta autoria divina.
Cremos que a inspiração bíblia procedeu de quatro formas:
a) PLENA - A Teoria da Inspiração Plena é a que todas as partes da Bíblia são igualmente inspiradas. Os escritores foram capacitados pela cooperação vital e contínua do Espírito Santo. 1Pe 1:12; Ap 22:18,19
Nas páginas do Antigo Testamento, a expressão “Assim diz o Senhor” e similares são usadas mais de 3.800 vezes. Ao receber a revelação no Monte Sinai, Moisés “ escreveu todas as palavras do Senhor” (Êx 24.4). Jeremias foi advertido: “não esqueças nem uma palavra” (Jr 26.2).
O salmista David afirma em 2Samuel 23:2: “O Espírito do Senhor fala por meu intermédio”.
No Novo Testamento encontramos referências aos profetas do Antigo Testamento, como as seguintes: “Homens que falaram da parte de Deus” e “que foram movidos pelo Espírito Santo”, “o Espírito de Cristo que estava neles testificou”.
No texto do Novo Testamento, Paulo disse que usava as palavras “que o Espírito Santo ensina” (1 Co 2.13). João assegura que o Senhor lhe revelou “coisas que brevemente devem acontecer” (Ap 1.1). E o Senhor Jesus asseverou que até os sinais diacríticos do texto hebraico eram inspirados: “nem um jota ou um til se omitirá da lei” (Mt 5.18). Assim sendo, as Escrituras reivindicam que a mensagem bíblica veio da parte de Deus.
Mateus 5:17-18 – “Não cuideis que vim destruir a Lei ou os profetas: não vim ab-rogar, mas cumprir. Porque em verdade vos digo, que até que o Céu e a Terra passem, nem um jota ou til se omitirá da Lei, sem que tudo seja cumprido”. Jesus chama a Escritura de “a Palavra de Deus” (Marcos 7:13).
A mesma veemente defesa feita para a integridade do Velho Testamento é feita por Cristo para as Suas próprias palavras: “As Minhas palavras não hão de passar” (Mateus 24:35).
Depois de ter sido escrito o último livro do N.T., a Inspiração Plena cessou.
Apocalipse 22:18,19: Porque eu testifico a todo aquele que ouvir as palavras da profecia deste livro que, se alguém acrescentar a estas coisas, Deus fará vir sobre ele as pragas que estão escritas neste livro; e, se alguém tirar quaisquer das palavras do livro desta profecia, Deus tirará a sua parte do livro da vida, e da cidade santa, e das coisas que estão escritas neste livro.
Portanto, Bíblia não apenas “contém” ou “torna-se” a Palavra de Deus (conforme ensino da Neo-Ortodoxia), mas sobretudo ela é a inspirada Palavra de Deus – plena, sem erros e sem falha alguma.
“A inspiração é a combinação entre a expressão natural dos escritores e a iniciação e orientação especiais dos seus escritos concedidas pelo Espírito Santo. Mas o Espírito Santo não somente dirigia os pensamentos, ou conceitos dos escritores, como também supervisionava a seleção das palavras para a totalidade do texto (e não somente para as questões de fé e prática). O Espírito Santo garantia a exatidão e a suficiência de tudo quanto era escrito como a revelação da parte de Deus. Ditado divino. A inspiração é a superintendência infalível da reprodução mecânica das palavras divinas à medida que o Espírito Santo as ditava aos autores bíblicos. Estes, como obedientes estenógrafos, tudo registavam segundo as ordens especiais do Espírito Santo quanto ao conteúdo, vocabulário e estilo” HORTON. Staleym. Teologia Sistemática: Uma Perspectiva Pentecostal. Editora CPAD.
b) INTERATIVA ou DINÂMICA. A Bíblia é um livro divino, mas evidentemente ele não caiu pronto do Céu. Para que a Bíblia se concretizasse, o Espírito Santo Se serviu de Homens e que conservavam a respetiva personalidade, o caráter, talento e génio, os hábitos intelectuais e poderes de estilo. Deus não violentou nem destruiu as faculdades daqueles que deviam formular a Sua mensagem. O escritor continuava sendo homem, com seu modo de ser, sua linguagem própria, seu próprio estilo. Exemplo: Amós, um pecuário e agricultor.
Pedro e João são escritores simples, usando um vocabulário reduzido. Paulo e Lucas são escritores cultos, usando linguagem rica, primorosa e repleta de figuras literárias. Homens como Lucas, que sabia escrever e diz que muito pesquisou para poder informar a Teófilo (Lc 1:3).
A Bíblia não deixa de lado a inteligência do Homem, nem a sua percepção e entendimento. Esta é a que aceitamos. A Escritura contém o divino e o humano. A verdade é inspirada por Deus, mas é moldada pelo espírito humano, de acordo com o idioma, o ambiente e a inteligência humana de cada escritor.
Cada um, na sua maneira peculiar de se expressar, afirma a mesma verdade fundamental: a inspiração total da Bíblia. As Escrituras são de origem divina porque o Espírito de Deus falou através dos profetas.
O Espírito Santo garantiu a liberdade dos escritores bíblicos conforme a capacitação de cada um. Portanto, a Bíblia possui particularidades quanto à gramática, vocábulos, ao género literário, e outros. Cada autor fez uso de géneros literários distintos, tais como: narrativa (1 e 2 Samuel), poesia (Salmos), provérbios (livro de Provérbios) etc. Os autores sagrados também fizeram uso de figuras de linguagem, tais com o: o emprego de parábolas e enigmas (Jz 14.14; Ez 17.2); de alegorias (G1 4-22-24; Hb 9.9); de hipérboles (Jo 21.25; Cl 1.23); de metáforas e símiles (Zc 2.8; Tg 3 3 – 5); de vocabulário simples ou rebuscado a depender do grau de instrução do autor (2 Pe 3.15,16). O emprego dos recursos literários evidencia a cultura do escritor, mas em hipótese alguma invalida a inspiração da Palavra de Deus (Pv 2.6; Tg 1.17).
Apesar disso, os autores não se tornaram intérpretes do divino. Isso porque Deus não inspirou aos escritores apenas os pensamentos ou as ideias. O Espírito Santo também inspirou cada uma das palavras que expressam com exatidão a mensagem divina (1Co 2.10,11).
“No tocante à orientação do escritor pelo Espírito, tem-se sugerido que a influência do Espírito estendeu-se somente ao impulso original para se escrever, ou somente à seleção dos tópicos, ou apenas aos pensamentos ou ideias do autor, conforme este achasse melhor. Na inspiração plenária e verbal, todavia, a orientação do Espírito estendia-se até às próprias palavras que o escritor selecionava para expressar os seus pensamentos. O Espírito Santo não ditava as palavras, mas guiava o escritor para que este, livremente, escolhesse as palavras que realmente expressavam a mensagem de Deus. (Por exemplo, o escritor poderia ter escolhido “casa” ou “construção”, segundo a sua preferência, mas não poderia ter escolhido “campo”, pois isso teria mudado o conteúdo da mensagem.)” HORTON. Staleym. Teologia Sistemática: Uma Perspectiva Pentecostal. Editora CPAD.
“Apresentada em termos humanos. Apesar de a Bíblia alegar ser a Palavra de Deus, ela também é as palavras de seres humanos. Afirma ser a comunicação de Deus às pessoas, na sua linguagem e expressões.
Todos os livros na Bíblia foram composições de escritores humanos.
A Bíblia manifesta estilos literários diferentes, desde a métrica fúnebre de Lamentações à poesia exaltada de Isaías, desde a gramática simples de João até o grego complexo de Hebreus. A escolha de metáforas demonstra que autores diferentes usaram 0 próprio contexto histórico e seus interesses. Tiago se interessa pela natureza. Jesus usa metáforas urbanas e Oseias as da vida rural.
A Bíblia manifesta perspetivas e emoções humanas; David falou no salmo 23 do ponto de vista de um pastor; o livro dos Reis foi escrito de um ponto de vista profético, e Crónicas, do ponto de vista sacerdotal; Atos manifesta um interesse histórico e 2Timóteo, o coração de um pastor. Paulo expressou tristeza pelos israelitas que rejeitaram a Deus (Rm 9.2).
A Bíblia revela padrões e processos do pensamento humano, incluindo a razão (Romanos) e a memória (1Co 1.14-16).
Os autores da Bíblia usaram recursos humanos para informação, incluindo pesquisa histórica (Lc 1.1-4) e obras não canónicas (Js 10.13; At 17.28; 1Co 15.33; Tt 1.12; Jd 9,14)”. GEISLER. Norman. Enciclopédia De Apologética, respostas aos críticos da fé cristã. Editora Vida. 1 Ed. 2002. pag. 120-121.
c) Verbal ou Oral. Uma das tradições que sabemos com relação ao povo de Israel, era a tradição oral ou verbal. Deus usou também a área verbal para que escrevessem (Ex. 34:27).
A inspiração é chamada de verbal porque Deus soprou nos escritores sagrados aquilo que deveria ser escrito (Ap 19.9; 1 Co 14.37). A Bíblia é “divinamente inspirada” (2 Tm 3.16). O termo do grego theopneustos, que significa literalmente “soprada por Deus”. Porém, os autores bíblicos não foram usados automaticamente como se escrevessem um ditado; eles foram instrumentos de Deus e, cada qual com sua própria personalidade e talento, escreveram “inspirados pelo Espírito Santo” (2 Pe 1.21).
d) Sobrenatural. Não há como explicar a forma como Deus fez para que os escritores, vivendo em tempos e lugares tão diferentes, trouxessem unidade à Palavra de Deus se não fosse a acção do Espírito Santo na vida daqueles homens (2Pe 1;21)
2 Pedro 1:20-21 – “Sabendo primeiramente isto: que nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação. Porque a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum, mas os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo”.
4.3.2. TEORIAS FALSAS DA INSPIRAÇÃO DA BÍBLIA
Homens sábios aos seus próprios olhos, começaram a atacar a Bíblia afirmando que ela não podia ser divina porque continha várias espécies de erros.
Apenas poucos anos se passaram, desde que João escreveu o Apocalipse, e doutrinas erróneas se levantaram, como a dos gnósticos, dos docetistas, dos epicureus, dos ebionitas, etc.
No fim do século XVIII apareceram os racionalistas negando tudo o que fosse sobrenatural. Defendiam eles que a razão humana é o único critério válido de verdade. Por conseguinte, consideram a Bíblia como uma coleção de livros puramente humanos, fruto de atividade meramente natural, e, portanto, sujeitos a todas as falhas de qualquer outro livro humano sem excluir os erros.
Os protestantes liberais e os modernistas negam também a inspiração da Bíblia, e quando a admitem é com um conceito totalmente desfigurado do que significa inspiração.
Brian Schwertley escreveu: “Os maiores críticos da inspiração bíblica são os liberais. Os liberais têm uma posição muito diferente da posição ortodoxa, do verdadeiro cristianismo.”
O Modernismo ensina que algumas partes da Bíblia são inspiradas, e outras não. Pior do que ensinar isto, é dizer que certas partes podem conter erros, são fruto apenas da experiência humana e contém lendas. Diante deste ensinamento errado, os modernistas trazem o seguinte conceito:
- Iluminação: As partes inspirada das Escrituras foram dadas por Deus a somente a alguns homens bondosos. Se a inspiração foi apenas isso, cairíamos num subjetivismo extremamente perigoso, pois, nesse caso, a veracidade dos textos bíblicos dependeria da apreensão de cada “iluminado” para que pudesse registar o que percebera.
- Intuição. Como todo ensinamento gera uma reação, logo os opositores ao modernismo apresentaram o que conhecemos como conceito de intuição, ou seja, atribuindo apenas à intuição humana o registo bíblico. Com isto estamos a afirmar que o modernismo está a dizer de uma forma bem clara: “Não há nenhum elemento divino na compreensão da Bíblia.”
Assim como o conceito da iluminação está errado, este de intuição também está. Se estes conceitos fossem corretos, teríamos a seguinte definição: “... a Bíblia poderia até ser um belíssimo livro, todavia, apenas um livro humano criado pela genialidade humana e, por mais belo e extraordinário que fosse, seria falível, cheio de erros, preceitos antiquados e, o pior de tudo, não nos conduziria a Deus.”
a) INSPIRAÇÃO NATURAL ou TEORIA DA INTUIÇÃO: Essa teoria nega que a Bíblia seja sobrenatural ou vinda de Deus, defendendo que ela foi produzida pelos próprios poderes intuitivos do Homem. De acordo com ela os escritores da Bíblia foram inspirados unicamente no sentido em que os escritores talentosos como Sócrates, Shakespeare, Homero e Camões o foram (2Sm 23.2; Jr 1.9; At 28.25). Esta teoria considera as Escrituras como produto natural da mente humana.
b) INSPIRAÇÃO COMUM: Ensina que da mesma maneira como os escritores da Bíblia foram inspirados, ainda hoje o somos. Quando oramos, cantamos ou ensinamos a Palavra, estamos ‘inspirados’ por Deus.
c) INSPIRAÇÃO PARCIAL (Teoria Fraccional ou Parcial): Ensina que partes da Bíblia são inspiradas, outras não. Defende que os autores da Bíblia tiveram inspiração somente para alguns assuntos das Escrituras. Afirma que a Bíblia contém a Palavra de Deus.
A afirmação divina é: “Toda a Escritura é divinamente inspirada” (2Tm 3:16).
d) DITADO VERBAL (Inspiração Mecânica): Ensina que Deus ditou para os escritores aquilo que queria que fosse escrito. Nessa teoria, os homens funcionaram apenas como máquinas ou robots. Sabemos que Deus apenas usou as faculdades mentais dos homens, mas deixou livre os seus estilos. (Lc 1.3,4)
e) INSPIRAÇÃO DAS IDEIAS: Ensina que Deus inspirou as ideias mas não as palavras. As palavras ficaram a cargo do escritor (1Co 2.13; Hb 1.1; Ap 22.19).
... continua...

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