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sexta-feira, 24 de maio de 2019

Lições de Filemon

1 Da parte de Paulo, prisioneiro por causa de Cristo Jesus, e ainda do irmão Timóteo, a Filémon, nosso querido colaborador, 2 à nossa irmã Ápia e a Arquipo, que nos acompanha na luta, e também à igreja que se costuma reunir em tua casa. 3 Que a graça e a paz da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo estejam convosco. 4 Nas minhas orações, lembro-me sempre de ti e dou graças ao meu Deus, 5 porque tenho ouvido falar do teu amor e da fé que tens no Senhor Jesus para benefício de todos os santos. 6 Peço que a partilha da tua fé seja eficaz, conhecendo todo o bem que temos por Cristo. 7 O teu amor, meu caro irmão, dá-me muita alegria e coragem, porque com ele tens fortalecido o coração dos santos. 8 Por isso, ainda que eu tenha plena liberdade em nome de Cristo para te mandar fazer o que for mais conveniente, 9 prefiro, no entanto, fazer-te um pedido por amor de Deus. Sou eu, Paulo, agora velho e prisioneiro por causa de Jesus Cristo, 10 quem te pede a favor de Onésimo que aqui na prisão se tornou como um filho meu. 11 Noutro tempo ele te era inútil. Agora, porém, é útil, não só para ti, mas também para mim. 12 Mandei-to então de volta e peço-te que o recebas como se ele fosse filho das minhas próprias entranhas. 13 Gostava de o conservar aqui comigo, para me ajudar como se fosses tu, enquanto estou preso por causa do evangelho. 14 Mas não quis resolver nada sem o teu conhecimento, para que o favor que te peço não seja por obrigação, mas da tua livre vontade. 15 Pode até suceder que Onésimo se tenha ausentado de ti por algum tempo para que agora o conserves para sempre. 16 Não já como escravo mas, muito mais do que isso, como um querido irmão na fé. Tenho por ele muita estima, mas tu ainda deverás ter mais, quer como ser humano, quer como irmão no Senhor. 17 Por isso, se me consideras em comunhão contigo, recebe Onésimo como se me recebesses a mim. 18 Se ele te causou algum prejuízo, ou se te deve alguma coisa, deixa isso à minha conta. 19 Eu, Paulo, aqui o deixo escrito pelo meu próprio punho: «Eu to pagarei.» Ainda que pudesse lembrar-te que me deves a tua própria vida. 20 Sim, meu irmão, faz-me esse favor, como crente no Senhor. Alivia-me deste cuidado como irmão em Cristo! 21 Escrevo-te confiado em que farás o que digo, e estou convencido que até irás fazer mais do que aquilo que te peço. 22 Ao mesmo tempo, prepara também um quarto para mim, pois espero que Deus responda às vossas orações concedendo-vos essa graça. 23 Recebe cumprimentos de Epafras, que está comigo na prisão por causa de Cristo Jesus, 24 bem como dos meus colaboradores Marcos, Aristarco, Demas e Lucas. 25 Que a graça do Senhor Jesus Cristo esteja convosco.
Copyright © 1993, 2009 Sociedade Bíblica de Portugal

Estava a fazer a minha leitura diária da Bíblia, e hoje passei por este texto, que nos dão algumas lições, para as quais - acho eu - devemos dar crédito:

1 - "prisioneiro por causa de Cristo". O apóstolo Paulo estava disposto a sofrer pela defesa do Evangelho de Cristo. Ele não estava a desfrutar do seu sossego da sua casa, no conforto do seu sofá, mas num lugar escuro, com mau cheiro, etc. O Evangelho que Paulo professava e pelo qual estava a preso não era o Evangelho do facilitismo, da bênção aos "ponta-pés", mas o Evangelho que era incompreendido, criticado, e até perseguido.

2 - Os primeiros versículos mostram-nos que ele não estava sozinho, mas menciona pessoas que estavam com ele, como colaboradores na luta do Evangelho.

3 - Estando em prisão, a passar por momentos desconfortáveis, em não se revoltou contra Deus - como fazem alguns cristãos quando as coisas não são só bênçãos, só momentos bons - mas buscava ao Senhor em oração e fazia-o com acções de graças.

4 - "... ouvido falar do teu amor..." O amor é um mandamento e deve tornar-se visível de forma prática. Filemon era um jovem que exercia o amor a favor dos "domésticos da fé", e com certeza, por outros que estavam à sua volta (o próximo). Vemos mais a respeito do amor de Filemon no v. 7. Filemon era um exemplo de amor pelo Reino, e pelas pessoas.

5 - "... e da fé que tens no Senhor" Sua fé era conhecida. Não era uma fé escondida, envergonhada, mas uma fé que era vista, de forma que chegou aos ouvidos de Paulo a respeito da fé que ele tinha no Senhor.

6 - "Peço que a partilha da tua fé seja eficaz..." Isso mostra que a partilha da nossa fé pode ser ineficaz. Que possamos partilhar a nossa fé de forma correcta, de forma que as pessoas possam desejar ter, e não que se afastem.

7 - Apesar de Paulo ser autoridade sobre a vida de Filemon, e tenha a "liberdade... para te mandar fazer", Paulo tinha a atitude de pedir por amor de Deus.

8 - Paulo solicita que Filemon recebesse Onésimo (com quem não havia tido um bom relacionamento) como se Onésimo fosse filho natural de Paulo, mas também como se recebesse a ele mesmo (v. 17).

9 - Paulo procura não resolver tudo sozinho (v. 14), para que Filemon não fizesse algo por obrigação, mas de livre vontade.

10 - Paulo incentiva Filemon a não fazer discriminação por Onésimo ter sido escravo, mas a recebê-lo como irmão. 

11 - Paulo dispõe-se a assumir qualquer prejuízo que Onésimo tenha causado no passado a Filemon, a fim de que agora pudesse haver um bom relacionamento entre estes dois irmãos.

12 - Paulo esperava que Filemon cumprisse o que lhe era pedido, mas que fosse ainda mais além do que lhe fora pedido.

13 - Paulo tinha fé, sabia que os irmãos oravam pela sua libertação, e pediu que houvesse uma acção antecipada, para que quando houvesse uma acção divina na sua libertação daquele cativeiro, tudo já estivesse orientado para que ele tivesse um lugar de refrigério.


sábado, 22 de setembro de 2018

Conhecendo... Paulo

Saulo ou Paulo? Deus transformou o nome de Saulo em Paulo, após a conversão?
Paulo seria casado? 
Paulo fazia parte do Sinédrio?

APRESENTAÇÃO
Paulo de Tarso, também chamado de 'Apóstolo Paulo', 'Saulo de Tarso', 'São Paulo Apóstolo', 'Apostolo dos gentios' e 'São Paulo', (Tarso, Cilícia, c.5 - Roma, 67) foi um dos mais influentes escritores do cristianismo primitivo, cujas obras compõem parte significativa do Novo Testamento. A influência que exerceu no pensamento cristão, foi fundamental por causa do seu papel como proeminente apóstolo do Cristianismo durante a propagação inicial do Evangelho pelo Império romano.
Conhecido também como Saulo, se dedicava à perseguição dos primeiros discípulos de Jesus na região de Jerusalém. De acordo com o relato na Bíblia, durante uma viagem entre Jerusalém e Damasco numa missão para que, encontrando fiéis por lá, "os levasse presos a Jerusalém", Saulo teve uma visão de Jesus envolto numa grande luz, ficou cego, mas teve a visão recuperada após três dias por Ananias que também o baptizou. Começou então a pregar o Cristianismo. Juntamente com Simão Pedro e Tiago, o justo, ele foi um dos mais proeminentes líderes do nascente cristianismo. Era também cidadão romano, o que lhe conferia uma situação legal privilegiada. A questão de sua cidadania romana gera certa curiosidade. Paulo afirma em Actos 22.28 ser romano "de nascimento". Tal declaração parece indicar que o apóstolo herdou essa posição de seu pai.
Treze epístolas (cartas) no N.T. são atribuídas a Paulo, mas a sua autoria em sete delas é contestada por estudiosos modernos. Agostinho desenvolveu a ideia de Paulo que a salvação é baseada na fé e não nas "obras da Lei". A interpretação de Martinho Lutero das obras de Paulo influenciou fortemente sua doutrina de 'sola fide'.
A conversão de Paulo mudou radicalmente o curso de sua vida. Com suas actividades missionárias e obras, Paulo acabou transformando as crenças religiosas e a filosofia de toda a região da bacia do Mediterrâneo. Sua liderança, influência e legado levaram à formação de comunidades dominadas por grupos gentios que adoravam o Deus de Israel, aderiam ao código moral judaico, mas que abandonaram o ritual e as obrigações alimentares da Lei Mosaica por causa dos ensinamentos de Paulo sobre a vida e obra de Jesus e seu "Novo Testamento", fundamentados na morte de Jesus e na sua ressurreição.

Saulo ou Paulo? Deus transformou o nome de Saulo em Paulo, após a conversão?
O nome original de Paulo era "Saulo" (em hebraico: שָׁאוּלSha'ul; traduzido em grego antigo: Σαούλ - Saul - ou Σαῦλος - Saulos), nome que divide com o bíblico rei Saul, um outro benjamita e primeiro rei de Israel, que foi sucedido pelo rei David, da tribo de Judá. Segundo suas próprias palavras, era um fariseu (grupo de judeus devotos ao Torá, surgidos no século II a.C.. Opositores dos saduceus, criam numa Lei Oral, em conjunto com a Lei escrita, e foram os criadores da instituição da sinagoga. Com a destruição de Jerusalém em 70 d.C. e a queda do poder dos saduceus, cresceu sua influência dentro da comunidade judaica e se tornaram os precursores do judaismo rabínico. A palavra Fariseu tem o significado de "separados", " a verdadeira comunidade de Israel", "santos".).
O uso de "Paulo" (em grego: Παῦλος - Paulos; em latim: Paulus ou Paullus - "baixo"; "curto") aparece nos "Actos" pela primeira vez quando ele começou sua primeira jornada missionária em território desconhecido. Em At 13:6-13, Paulo aparece, juntamente com Barnabé e João Marcos, conversando com Sérgio Paulo, um oficial romano em Chipre que será convertido por ele. Paulus era um sobrenome romano e alguns argumentam que Paulo o adoptou como seu primeiro nome. Outra teoria, apontada pelo Vaticano, afirma que era costume para os judeus romanizados da época adoptarem um nome romano e o pai de Paulo provavelmente quis agradar à família dos Pauli. Por fim, há ainda os que consideram possível a homenagem a Sérgio Paulo e mais provável que a mudança esteja mais relacionada a um desejo do apóstolo em se distanciar da história do Rei Saul, que perseguiu David.

Paulo seria casado? 
A resposta clara com confirmação de um texto bíblico a respeito de Paulo e seu casamento não encontramos. Mas as cartas paulinas e de seus escritos encontramos o seu pensamento com respeito ao casamento. Assim, na compreensão do texto podemos deduzir muitos elementos da vida de Paulo.
Primeira consideração: Paulo não era casado, é isto que podemos entender em 1Co 7:7,8.
Segunda consideração: Alguns exegetas estudiosos das cartas paulinas, analisando e interpretando os textos acham que ele era viúvo. São meras especulações.
Terceira consideração: A análise dos textos das cartas paulinas nos induz que Paulo não era contra o casamento. Assim Paulo escrevia em suas cartas pois deste modo ele via a sua vocação pessoal e procurava ser fiel a ela no anúncio de Jesus Cristo. Em 1Co 7:32 entendemos que para Paulo o facto de não querer casar tinha a ver com a sua experiência pessoal com Deus.
Quarta consideração: Nos seus escritos ele defende a tese e o direito que possuía de casar-se (1Co 9.5)
Quinta consideração: Paulo nunca foi contra o casamento, como muitos afirmam. Na carta a Timóteo (4:1-7), considerava a teoria daqueles que proibiam os casamento como "doutrina demoníaca", "hipocrisia de mentirosos" e "fábulas ímpias".

Paulo fazia parte do Sinédrio?
No ano 35 Paulo foi nomeado pelo Sinédrio para perseguir os cristão (At 7.58; 8.1-3). Nada indica que ele fizesse parte propriamente do Sinédrio. Uma pessoa contratada pela Assembleia da República para uma função, não implica que ela seja membro da Assembleia da República!