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sábado, 15 de março de 2025

balanços e balanças (2)



“Não é que o ser humano se tenha tornado mais ganancioso que nas
gerações passadas.  Ocorre que as avenidas para expressar ganâncias cresceram
enormemente” – foi a declaração feita recentemente pelo Dr. Alan
Greenspan ao Congresso do seu país.

Somos tentados a pensar que balanços fraudulentos e estratagemas
corporativos são males dos tempos modernos, prato cheio para os
catastrofistas de plantão reafirmarem suas teses de que o nosso mundo
não tem mais solução.  O equívoco dessa visão epidérmica é que factos
idênticos ocorreram já por volta do ano 750 a. C..  Nessa ocasião, um eminente
executivo do ramo da agropecuária, insistia em conservar um alto padrão
ético em seus negócios, enquanto a nível nacional, a conduta moral era
deplorável.

De tal forma se destacou que Deus o comissionou como Seu porta-voz,
para despertar a consciência da sua nação, imersa em escândalos e corrupção.
Foi assim que Amós, homem simples e sem qualquer preparo teológico,
protestou com veemência”:  “Ouçam, vocês que pisam os pobres e arruínam os
necessitados da terra, dizendo:  Quando acabará a lua nova para que
vendamos o cereal?  E quando terminará o sábado para que comercializemos o
trigo, diminuindo a medida, aumentando o preço, enganando com balanças
desonestas e comprando o pobre com prata e o necessitado por um par de sandálias”  (Amos 8:4-6)

Somos de novo periféricos na nossa análise quando julgamos que tais
questões são inerentes a uma dada raça, a uma certa nação ou cultura específica.
Episódios recentes, contudo, anulam essa tese, uma vez que a sua
ocorrência se evidencia numa das mais evoluídas e prósperas sociedade e nação.
Discorrendo sobre o racismo, o ex-presidente Richard Nixon declarou
certa vez que “racismo é problema individual”.  Assim também o são a prática
de adulteração de balanços, o uso de pesos e medidas enganosos, as
licitações fraudulentas, o desvio de verbas públicas, a instituição do “saco azul”
e males afins.  São, afinal, um problema inerente ao Homem, seja como
indivíduo, seja colectivamente.

Nesse contexto, a agenda de Deus assume significado único.  O escritor
do Evangelho de João constata que “ao amar o mundo” de modo único, Deus
mandou Jesus Cristo como solução individual (“para todo aquele que n’Ele crer”
– João 3:16).  Deus trata a questão das nações e cuida do problema da
sociedade a partir do indivíduo.

Se tens compromisso sério com a construção de uma sociedade mais
justa, com um mundo mais humano e fraterno, antes de ingressar numa ONG, ou
sair em fervorosa passeata, ou exigir leis mais duras e penas mais severas, dê
uma olhada para dentro de si mesmo.  Salomão, o maior sábio de todos os
tempos, aconselha com ênfase de quem experimentou:  “Quem procura esconder os seus pecados será um fracasso.  Quem os confessa e abandona será perdoado”
(Provérbios 28:13).  Trate as suas questões pessoais directamente com o
Deus que garantiu:  “Eis que faço novas todas as coisas.”

Como estão os seus balanços pessoais?

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O Sr. Sérgio Fortes é advogado e consultor em logísticas e transportes, membro da comissão directiva de CBMC Internacional e líder de CBMC Brasil. Vive em S. Paulo, Brasil e compreende perfeitamente bem as pressões, os desafios, o stress...  bem vincados no dia-a-dia do homem comum.

Os seus temas com as suas reflexões simples e directas, oferecem os melhores recursos da sabedoria bíblica para ajudar a harmonizar uma liderança de excelência na nossa vida espiritual, familiar e no bem complicado mercado de trabalho.

balanços e balanças (1)

Na véspera da sua morte, o meu pai teve uma atitude estranha. Pouco antes de dormir, ele foi à loja onde exerceu o seu negócio por mais de 60 anos e fez uma lacónica anotação num pedaço de papel, fixando-o com um prendedor de roupas em local bem visível: “Provérbios 11:1 – Eclesiastes 1:2”.  Ao conferir o conteúdo desse lembrete, constatamos duas verdades que modelaram a conduta comercial do meu Pai:  Provérbios 11:1 declara: “Balança (e balanço também!) enganosa é abominação para o Senhor, mas o peso justo é o seu prazer.”  Eclesiastes 1:2 adverte: “Vaidade de vaidade, diz o pregador, tudo é vaidade.” 

O mundo tem-se chocado com a onda de fraudes nos balanços de grandes corporações americanas, que ao contabilizarem receitas falsas, provocaram prejuízos de muitas centenas de milhões de dólares, tanto aos que tão somente quiseram aplicar as suas modestas poupanças, para terem um futuro mais tranquilo, como também ao capital meramente especulativo. Não menos questionável tem sido as maquiagens feitas por empresas brasileiras nas suas balanças.  Produtos com 1 kg passaram a ter 900 gramas, mas o preço ao consumidor não mudou.  Embalagens antes com 3 unidades, passaram a 5 e o preço dobrou.  Tolerava-se esse tipo de conduta quando praticada pelo Zé das Esquina.  Mas agora a sua amplitude assumiu proporções gigantescas. 

Ao comentar as fraudes em balanços, o respeitado presidente do Banco Central americano, Sr. Alan Greenspan, concluiu: “Uma ganância infecciosa parece ter tomado de assalto boa parte de nossa comunidade de negócios. Nossos guardiões históricos das informações financeiras sumiram”.  Como resgatar a credibilidade de nossos balanços e nossas balanças? Balança é medida de avaliação.  Como tal, balanço é uma variação de balança.

A lição do meu Pai é que a sua balança tinha tudo a ver com a sua relação com Deus.  Não defraudar o próximo é questão secundária, porque a primária é não defraudar a Deus.  Os pesos e medidas que usava eram precisos.  O Peso de 1 kg pesava 1 kg. E 1 metro media 1 metro.  A sua motivação não decorria do medo de rigorosa fiscalização de órgãos competentes, mas do desejo de agradar a Deus. A vaidade tem conspurcado meios empresariais e  profissionais.  O anseio de ser capa de revista, de ser laureado como o melhor do ano, de ser aplaudido e reverenciado tem resultado em quebra de princípios éticos e abandono de conduta moral íntegra. Em Wall Street piadas amargas têm circulado, como esta citada em importante semanário brasileiro: “Quem comprou US$ 1.000 em acções da Nortel há um ano tem hoje 49 dólares. Os mesmos US$ 1.000 em acções da WorldCom valem agora apenas US$ 5. Se em vez dessas acções, a pessoa tivesse comprado US$1.000 em latas de cerveja, bebendo o conteúdo e vendido as embalagens de alumínio para reciclagem, teria hoje US$ 214.  A nova moral do capitalismo é: ‘encha a cara e recicle’”  

A moral ensinada por Jesus é válida para o mundo globalizado:  “Sim, sim e  não, não;  o que passar disso vem do Maligno” (Mateus 5:37).  Conduta correcta não se molda em razão de fiscalização rigorosa, ou por causa de leis severas que punem exemplarmente os culpados, mas em razão e por causa de relacionamento pessoal com Deus.  Esta é a base de credibilidade para relações de negócios lucrativos, seguros e duradoiros.

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O Sr. Sérgio Fortes é advogado e consultor em logísticas e transportes, membro da comissão directiva de CBMC Internacional e líder de CBMC Brasil. Vive em S. Paulo, Brasil e compreende perfeitamente bem as pressões, os desafios, o stress...  bem vincados no dia-a-dia do homem comum. 

Os seus temas com as suas reflexões simples e directas, oferecem os melhores  recursos da sabedoria bíblica para ajudar a harmonizar uma liderança de  excelência na nossa vida espiritual, familiar e no bem complicado mercado de trabalho.