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sábado, 1 de março de 2025

muda de vida (parte 3)

Continuaremos a compartilhar sobre o rei Ezequias, que, rompendo com o mau exemplo de seu pai, e com a situação dos seus dias, escolheu seguir os caminhos do Senhor. Ele foi um instrumento nas mãos de Deus para trazer sobre Israel um novo tempo. 

Ezequias convocou os levitas e os sacerdotes para que retornassem ao seu chamado. Isso nos relembra que, em Cristo, todos fomos feitos Seus ministros e sacerdotes. Fomos separados para ser adoradores, intercessores, e para viver nossas vidas a serviço do Senhor. Ezequias ordenou que eles santificassem a Casa do Senhor e que, abrindo suas portas, retirassem dela toda imundícia.

Assim como naqueles dias foi necessária uma limpeza profunda, devido ao abandono do templo e à sua profanação, entendemos que hoje, como morada do Senhor, precisamos ter contínuo zelo pela santificação da nossa vida. Se fecharmos as portas à comunhão e à intimidade com o Pai, a poeira vai se ajuntar, e as consequências serão desastrosas. O nosso afastamento de Deus gera a desgraça e o cativeiro das nossas vidas, assim como se viu em Israel. 

No texto de II Crónicas 29, dos versos 15 a 19, lemos: “Congregaram a seus irmãos, santificaram-se e vieram, segundo a ordem do rei pelas palavras do Senhor, para purificarem a casa do Senhor. Os sacerdotes entraram na casa do Senhor, para a purificar, e tiraram para fora, ao pátio da casa do Senhor, toda imundícia que acharam no templo do Senhor; e os levitas a tomaram, para a levarem fora, ao ribeiro Cedrom [...] Então foram ter com o rei Ezequias no palácio, e disseram: Já purificamos toda a casa do Senhor, como também o altar do holocausto com todos os seus utensílios e a mesa da proposição com todos os seus objetos. Também todos os objetos que o rei Acaz no seu reinado lançou fora, na sua transgressão, já preparamos e santificamos; eis que estão diante do altar do Senhor.”

Precisamos assumir a nossa postura de levitas e sacerdotes, e nos enxergarmos como o templo do Senhor. Vamos abrir as portas fechadas, e deixar o espírito Santo nos sondar, e no mostrar a sujeira, a imundícia dentro de nós?

Talvez tenhas alguns objetos que precisam ser jogados fora, como eles o fizeram no ribeiro Cedrom. Não tenhas dó de te desfazeres de coisas que não edificam: presentes de antigos namorados, roupas indecentes, fotos e outros objetos que atraem más recordações e, algumas vezes, a presença de demónios no teu lar ou no teu local de trabalho. Lembra-te de que tudo em ti deve existir para a glória de Deus: “Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus.” (1Co 10:31) És esse templo que precisa ser purificado.

Assim que Ezequias recebeu a notícia de que a casa do Senhor estava limpa e santificada, ele restaurou o culto a Deus. A partir do verso 20 nós lemos sobre isso, e é maravilhoso ver o que aconteceu naquele primeiro culto: “Estavam, pois, os levitas em pé com os instrumentos de Davi, e os sacerdotes com as trombetas. Deu ordem Ezequias que oferecessem o holocausto sobre o altar . Em começando o holocausto, começou também o cântico ao Senhor com as trombetas, ao som dos instrumentos de David, rei de Israel. Toda a congregação se prostrou , quando se entoava o cântico, e as trombetas soavam [...] o rei e todos os que se achavam com ele , prostraram-se, e adoraram. Então o rei Ezequias e os príncipes ordenaram aos levitas que louvassem ao Senhor com as palavras de David e de Asafe [...] Eles o fizeram com alegria e se inclinaram e adoraram [...] e todos os que estavam de coração disposto trouxeram holocaustos [...] Assim se estabeleceu o ministério da casa do Senhor. Ezequias e todo o povo se alegraram por causa daquilo que Deus fizera para o povo, porque subitamente se fez esta obra.”

muda de vida (parte 2)

Já compartilhamos sobre o facto de Ezequias ter escolhido seguir o exemplo de David ao invés do de seu pai Acaz, quando reinou sobre Israel. Ele se torna um exemplo para nós, pois também precisamos assumir a nossa identidade como filhos de Deus, em Jesus. Precisamos romper com o que está ao nosso redor e escolher os caminhos do Senhor para que possamos ser canais de bênção na nossa geração, assim como Ezequias o foi em Israel. 

No verso 29 do texto de II Crónicas, encontramos registados vários de seus actos como rei. Seu pai, Acaz, havia cometido toda a sorte de abominações perante o Senhor, e Ele começou as reformas naquilo que era o mais importante: “No ano primeiro de seu reinado, no primeiro mês, abriu as portas da Casa do Senhor, e as reparou. Trouxe os sacerdotes e os levitas, ajuntou-os na praça oriental, e lhes disse: Ouvi-me, ó levitas! Santificai-vos agora e santificai a Casa do Senhor, Deus de vossos pais; tirai do santuário a imundícia. Porque nossos pais prevaricaram e fizeram o que era mal perante o Senhor nosso Deus, e o deixaram; desviaram os seus rostos do tabernáculo do Senhor, e lhe voltaram as costas. Também fecharam as portas do pórtico, apagaram as lâmpadas, não queimaram incenso nem ofereceram holocaustos nos santuários ao Deus de Israel. Pelo que veio grande ira do Senhor sobre Judá e Jerusalém, e os entregou ao terror, ao espanto e aos assobios, como vós o estais vendo com os vossos próprios olhos. Porque eis que nossos pais caíram à espada, e por isso nossos filhos, nossas filhas e nossas mulheres estiveram em cativeiro. Agora estou resolvido a fazer aliança com o Senhor, Deus de Israel, para que se desvie de nós o ardor da sua ira. Filhos meus, não sejais negligentes; pois o Senhor vos escolheu para estardes diante dele para o servirdes...” 

Há dois aspectos que eu gostaria de ressaltar neste momento. Ezequias convocou os levitas e os sacerdotes. Ser levita e sacerdote significa, em poucas palavras, ser separado por Deus para ministrar adoração a Ele, para interceder a Deus pelos outros e para cuidar das coisas do Reino de Deus. Sabemos que todos nós fomos feitos, em Cristo, ministros e sacerdotes, e que podemos adorá-Lo e entrar em Sua presença Santa em oração, em comunhão íntima. Quando Ezequias, portador desta mensagem de arrependimento e volta ao Senhor, abriu a sua boca, o próprio Deus tocou o coração daqueles homens, e eles atenderam ao seu chamado. 

Muitas vezes as pessoas temem abrir a boca contra uma situação errada ao seu redor. Mas se Deus é contigo, não há o que temer. É preciso obedecer ao clamor do Espírito dentro do teu coração. 

Algumas comunidades (igrejas) negligenciaram o queimar do incenso, que são as orações. Deixaram de oferecer os holocaustos, que é a adoração. Não sabem o que é orar de verdade, interceder a Deus. Não sabem o que é adorar a Deus, o que é ministrar ao Senhor como levitas e sacerdotes, que todos nós somos. Negligenciam essa nossa função; essa é a razão de tanta miséria espiritual e natural na vida das pessoas. Mas acredita que é tempo dessa mensagem ser ouvida. Vale a pena fazer como Ezequias e abrir os lábios para convocar os crentes, como adoradores e intercessores, a se voltarem para Deus. 

O outro aspecto é a revelação do propósito eterno do Senhor. Ele jamais desejou habitar em templos feitos por mãos de homens, mas sim, dentro do coração do homem. A Palavra é clara quando afirma que nós, em Cristo, nos tornamos a morada do Senhor. Somos o templo do Espírito Santo. 

Nos dias de Ezequias, as portas do templo estavam fechadas, e ali dentro havia muita sujeira. Isso se refere às nossas vidas. O lugar de adoração a Deus, de comunhão com o Senhor, estava abandonado. Não há como uma casa fechada ficar limpa. A poeira vai se acumulando e em pouco tempo o que brilhava vai sendo ofuscado, o que estava aceso vai sendo apagado. Não era necessário apenas abrir as portas novamente, mas uma limpeza profunda precisava acontecer. 

Quando fechamos as portas à comunhão com o Senhor, toda sorte de imundícia começa a fazer parte da nossa vida. No lugar onde somente o Senhor devia ser adorado, até mesmo outros deuses, ídolos, foram colocados. Os utensílios sagrados foram profanados. Absurdos foram cometidos dentro daquele local anteriormente construído para a adoração ao Senhor. 

É por isso que muitas pessoas que já experimentaram a glória da presença de Deus em suas vidas se deixaram levar por “ventos estranhos”, pensando que não haveria muitas consequências do esfriamento de sua fé. Como já mencionei, não é possível manter limpa uma casa fechada. No final da história, muitos se vêem cheios de demónios e até mesmo cometem pecados que jamais imaginariam ver em suas próprias vidas. Podem até mesmo estar dentro das igrejas, levantam as suas mãos, cantam louvores. Todavia, estão como Israel, em cativeiro; suas famílias experimentam a destruição, pois se esquecem de que adorar a Deus não é mais um ritual religioso que se cumpre num dia específico, comparecendo a um templo feito de tijolo e cimento. A adoração que Deus recebe é aquela que flui do interior, do coração. É a comunhão constante, a limpeza contínua do coração, que acontece somente quando estamos na presença do Senhor. 

... continua...

muda de vida (parte 1)

Ezequias foi instrumento nas mãos de Deus para trazer um novo tempo sobre a sua nação.

Quando começou a reinar, Ezequias poderia ter escolhido o caminho de maldição deixado pelo seu pai. O rei Acaz foi um dos piores e mais inescrupulosos reis de Israel, e Ezequias carregava toda a carga de um pai que não temia ao Senhor. Diz a Bíblia, no livro de II Crónicas 28, versos 22,24,25: “No tempo de sua angústia cometeu ainda maiores transgressões contra o Senhor; ele mesmo, o rei Acaz. Ajuntou Acaz os utensílios da Casa de Deus, fê-los em pedaços e fechou as portas da casa do Senhor; e fez para si altares em todos os cantos de Jerusalém. Também em cada cidade de Judá fez altos para queimar incenso a outros deuses; assim provocou à ira o Senhor, Deus de seus pais.” 

Após a morte de Acaz, o filho assumiu o trono, e a Bíblia nos conta que ele, um jovem de 25 anos, “fez o que era reto perante o Senhor segundo tudo quanto fizera David, seu pai” (II Crónicas 29:2).

Que extraordinário! Ezequias escolheu olhar para David, e não para seu pai, Acaz, que não lhe havia deixado uma boa herança espiritual. Sabia que Jesus é da linhagem de David, e que nEle, nós somos também herdeiros de uma herança de bênção, e não da maldição muitas vezes recebida de nossos pais? Hoje, somos chamados para sermos líderes da nossa geração, para fazer diferença na nossa época. Agora, Deus anseia pelos “ezequias” para que Ele venha trazer um novo tempo que tanto ansiamos.

Talvez até aqui se tenha escondido atrás dos seus problemas familiares. Muitos jovens são frustrados porque acreditam que não podem servir a Deus, sofrem pela obrigação de seguir o exemplo de vida que receberam em casa, ainda que ele seja medíocre. Não quero que jogue fora as bênçãos e os bons exemplos recebidos da sua família. Entretanto, muitas vezes é preciso escolher olhar para o Pai Celestial, para Jesus, Filho de David, ao invés de nos acomodarmos debaixo das marcas negativas advindas de nossa herança familiar.

Muitas pessoas ficam escravizadas por essa herança. São jovens que temem se casar porque suas mães não foram felizes; rapazes que seguem o exemplo de adultério e de prostituição do pai ou dos tios porque eles sempre valorizaram este tipo de conduta. Mulheres e homens que não tiveram coragem para viver uma vida santa. Até mesmo alguns, que chamados por Deus, não aceitaram o convite para abandonarem tudo em favor da obra: “... Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, dia a dia tome a sua cruz e siga-me.” (Lucas 9:23.) Desistiram do “a si mesmo se negue” por alguma ambição financeira ou de status exigido dentro de casa. Outros, devido a uma baixa condição financeira, se julgam inferiores ou incapazes para fazer algo grande para Deus. São traumas emocionais que forçam tantos a cometerem os mesmos erros em seus novos lares, como se nunca pudessem se desprender das angústias da alma. É uma vida de religiosidade que se vai repetindo de geração em geração.

Se quisermos experimentar o genuíno mover que Deus quer derramar, vamos ter de fazer como Ezequias. Não temos desculpas. Jesus levou sobre Si as nossas dores e as nossas maldições. Precisamos, no nosso íntimo, aceitar essa cura, deixá-la agir em nós, assumir a posição de curados, regozijar com a vitória e vivê-la a cada instante. Ezequias não agiu como filho de Acaz, mas sua identidade foi registada como filho de David. E tu? Vive a tua vida como filho de Deus, que te regenerou em Jesus, e te escolheu para reinar. Sê tu, um(a) “Ezequias dos nossos dias”.