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quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

verdade vivida e proclamada



Refletindo sobre a forma como Cristo edificou os Seus discípulos, podemos ver que Jesus visava a transformação (santificação). Cristo fez discípulos através de um processo de relacionamento interpessoal muito próximo, que os envolveu em muitas experiências da vida real. Ele não apenas debitou informação numa hora de semana programada para tal, e ficou à espera que, após o estudo individual de cada um dos escolhidos, estes despejassem a doutrina memorizada. Não! Cristo foi um modelo que interagiu com os discípulos num contexto de vida. Não estamos a negar a eventual importância da situação ensino / aprendizagem formal, mas sem dúvida há formas mais profundas e eficazes de formar. 

Refletindo acerca do exemplo de Jesus: um estilo de vida perfeitamente sintonizado com o conteúdo ensinado, onde a preocupação pela vida total estava presente e onde o amor era o ingrediente principal do seu relacionamento com os discípulos. Hoje, numa época em que falar de amor é percepcionada por muitos quase como uma atitude de "pieguice", nunca é demais lembrarmo-nos das palavras de Jesus aos discípulos: "Nisto conhecerão todos que sois Meus discípulos, se tiverdes amor uns pelos outros" (João 13:55). E quando nos referimos ao amor uns pelos outros é certo que estamos a mencionar o amor dentro da Igreja. Assim, experimentar o amor dos outros e crescer na capacidade de expressá-lo aos outros, é tanto um ingrediente essencial na edificação como na evangelização.

Há muitas razões pelas quais Cristo pode ser proclamado, algumas delas legítimas aos olhos de Deus (Filipenses 1:15-17). E se Paulo, quanto a estas dizia "todavia que importa?" Uma vez que Cristo, de qualquer modo, está sendo pregado quer por pretexto quer por verdade, também com isto me regozijo, sim, sempre me regozijarei (Filipenses 1:18). O exemplo que ele próprio nos dá é a de uma proclamação de Cristo por amor a Deus e aos Homens. Ele próprio exorta aos crentes: "Completai o meu gozo de modo a que penseis a mesma coisa, tenhais o mesmo amor, sejais unidos de alma..." (Filipenses 2:2). A exortação ao amor e à unidade é algo constante no Novo Testamento. Temos a convicção bíblica de que a Igreja é a representante de Deus na Terra; somos Seus embaixadores não apenas um a um, mas como Corpo; somos também modelos, não apenas na vida individual de cada um, mas nos relacionamentos do Corpo. Seremos assim os representantes de um Deus triuno, também Ele relacional. A realidade manifesta e plenamente convincente do amor de Cristo expresso pelo Corpo de Cristo, é a evidência mais persuasiva da verdade do Evangelho que podemos apresentar. Unida à comunicação da Palavra, leva ao reconhecimento de que Deus está em nós e que nós somos Seus discípulos...

Pessoalmente, estamos convictos de que baseando-nos naquilo que Deus revelou quanto aos Seus propósitos para o Corpo, o ideal será uma Igreja que se organiza para o discipulado. Quase ouvimos uma acusação surda de "ignorar egoisticamente os perdidos", mas não. De facto, à medida que o discipulado se desenvolve, cada indivíduo e o Corpo de Cristo passam por uma transformação progressiva. O amor passa a ser cada vez mais manifesto e visível aos que são de "fora". O fruto do Espírito expressa-se cada vez mais. Quanto mais semelhantes com Cristo, mais amor haverá pelos perdidos como pessoais totais. A preocupação e o amor levar-nos-ão a querer falar de Cristo e a tentar suprir todo o tipo de necessidades que possuam. Passaremos a ser cada vez mais um exemplo vivo de pessoas no meio das quais Deus vive, o que despertará a sede dEle, por muitos que não O conhecem!

Celina Simões

GBUletim - 05/1995

sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Tua 'Marca' Reflete Quem És



Talvez mais do que nunca, as empresas estão a ser fortemente pressionadas para afirmarem as  suas “marcas”. Ouvimos muito sobre “identidade de marca” ou "corporativa" e reconhecimento do produto – a importância de criar uma visibilidade crescente para produtos e serviços – tudo com o objetivo de incrementar vendas e fortalecer a fatia de mercado.
 
Isso pode ser um desafio complicado, especialmente quando os consumidores têm à disposição uma larga variedade de escolhas. Seja na venda de automóveis e camiões, ténis, comida enlatada, produtos para casa, itens de higiene pessoal, ou restaurantes, a pergunta é: como fazer com que nossos produtos e serviços se destaquem como a melhor opção?
 
Podemos nos valer de websites inteligentes, forte presença nos media, cartões de visitas, e-mail e panfletos entregues via correio para melhorar o reconhecimento. Logótipos e marcas comerciais inconfundíveis podem ajudar, mas a pergunta permanece: Como nos distinguir, de maneira positiva, de nossos concorrentes?
 
Jay Danzie, escritor e estrategista de marcas, fez uma observação intrigante. Num post social ele escreveu: “O seu sorriso é o seu logo, sua personalidade é o seu cartão de visitas, a forma com que você faz que os outros se sintam depois de uma experiência é a sua marca comercial, e fazer com que outras pessoas desejem ser como você é a sua marca.”
 
Isso não é interessante? Ele estava a dizer que mais do uma companhia ou logótipo bem idealizados ou reconhecimento instantâneo, o melhor logo é “seu sorriso”. Cartões de visitas podem ser informativos, mas a personalidade de uma pessoa conta ao potencial cliente muito mais. Já pensaste numa marca comercial como sendo simplesmente o impacto que causaste ao interagir com outra pessoa? Nós podemos pensar em muitas marcas conhecidas, mas não existe “marca” melhor do que ter outras pessoas desejando ser como tu. É interessante notar que a Bíblia fala a respeito de cada um desses tópicos:
 
Um sorriso pode fazer maravilhas. Já pensaste em como pode ser difícil ser amistoso e oferecer palavras gentis e encorajadoras sem sorrir? Num mundo onde não faltam motivos para fechar a cara, o nosso sorriso – nosso logo – pode causar uma poderosa impressão. “O coração ansioso deprime o homem, mas uma palavra bondosa o anima.” (Provérbios 12:25).  
 
O poder de uma personalidade positiva. A personalidade de uma pessoa é mais do que ser sociável ou tímido, falante ou reservado. Ela também envolve ter uma preocupação e interesse genuínos por outras pessoas. “Nada façam por ambição egoísta ou por vaidade, mas humildemente considerem os outros superiores a si mesmos. Cada um cuide, não somente dos seus interesses, mas também dos interesses dos outros.” (Filipenses 2:3,4).  
 
Interações causam impactos duradouros. Já foi dito que um “cliente satisfeito” é a melhor referência – alguém que fala favoravelmente sobre um produto ou serviço e faz com que outros queiram levá-lo em consideração. “E as palavras que me ouviu dizer na presença de muitas testemunhas, confie-as a homens fiéis que sejam também capazes de ensinar outros.” (2 Timóteo 2:2).
 
Ser alguém digno das aspirações de outros. Um dos mais fortes estímulos  que poderíamos receber é ouvir alguém dizer “Eu quero ser capaz de fazer negócios da maneira como tu fazes.” Ou “Eu gostaria de conhecer mais pessoas como tu.” As pessoas aspiram ser como tu? “Tornem-se meus imitadores, como eu o sou de Cristo.” (1 Coríntios 11:1).

Robert J. Tamasy

sábado, 29 de março de 2025

5 verdades sobre implantação de igrejas hoje

como ser eficiente na formação de discípulos no século vinte e um.

Com seu corte de cabelo black power e uma barba esculpida, ele parecia mais um músico pop do que um implantador de igrejas. Na verdade, ele era ambos. Ele e alguns amigos estavam alcançando os jovens nas favelas de São Paulo, no Brasil, oferecendo aulas gratuitas de música. O jovem veio à nossa consultoria de implantação de igrejas para ver o que poderia aprender.

Como costuma acontecer nestas reuniões, o jovem implantador de igrejas brasileiro nos ensinou algumas lições importantes.

Conhecimentos coletivos de implantação de igrejas

Ele é um dos 436 latino americanos que juntamente com um grupo semelhante de europeus se juntaram às consultas de um dia organizados pela rede temática de Lausanne de implantação de igrejas. Desde seu lançamento em 2014, a rede juntou diversos implantadores de igrejas, missionários, líderes emergentes, teólogos, pesquisadores e líderes denominacionais de 20 cidades do Brasil, América Central, Croácia e Espanha, para discutir como melhorar a eficiência em cumprir a grande comissão.

Dados de estudos e discussões de mesa redonda revelam um interesse universal na implantação de igrejas saudáveis, assim como os desafios em comum que implantadores têm no mundo todo.[1] As consultas produziram uma mistura rica de experiência, sucessos, fardos e aspirações. Após peneirar e refletir, condensamos estes conhecimentos coletivos em Cinco verdades simples sobre a implantação de igrejas no começo do século vinte e um, na esperança de iniciarmos uma discussão ainda maior sobre as questões:

1 O desafio mais urgente que encaramos é fazer discípulos da próxima geração.

Os implantadores de igrejas na América Latina e Europa expressaram sua preocupação sobre como fazer discípulos na próxima geração. A juventude atual, especialmente na cultura urbana pós-moderna não têm interesse em “religião organizada”. As igrejas evangélicas nestas comunidades estão atraindo poucos jovens. De fato, mais membros da próxima geração estão deixando em vez de se juntar às igrejas.

“Você tem que falar para essa criançada logo de cara que você é cristão e quer que eles conheçam o Senhor

Essa notícia é ruim. A boa notícia é que estes mesmo jovens estão mais interessados do que nunca em conhecer Jesus, e se tornarem seus seguidores mais entusiasmados se apresentados ao evangelho. Eles também são maravilhosamente efetivos em fazer discípulos de outros jovens urbanos pós-modernos.

O jovem músico implantador de igrejas de São Paulo nos disse: “Falamos para os jovens logo de cara que enquanto estiverem aprendendo violão ou teclado, também vão aprender sobre Jesus. Eles não entram no programa sem concordar com isso.”

As pessoas se surpreenderam com isso. Sua tática vai contra os princípios ensinados em aulas missionárias. Deve-se primeiro construir relacionamentos com um grupo-alvo, segundo a tradição, investindo meses ou até anos antes de “ganhar-se o direito” de apresentar o evangelho às pessoas.

“Isso não funciona para nós”, diz o jovem, “você tem que falar para essa criançada logo de cara que você é cristão e quer que eles conheçam o Senhor. Se você esperar para abordar o assunto mais tarde, eles acham que você as enganou e deixam o curso”. Depois ele explicou que as crianças da favela têm mais vontade de fazer aulas de música quando Jesus é parte do currículo.

2 Devemos aprender e seguir a eclesiologia bíblica.

O Novo Testamento revela como a igreja primitiva foi constituída para realizar a grande comissão. Apesar das ameaças de ostracismo social, perseguição oficial e heresia interna, a primeira geração dos seguidores de Jesus fez discípulos fiéis de seus compatriotas mais rápido do que em qualquer outro momento da história. Acreditamos que hoje, se aplicarmos a eclesiologia do Novo Testamento os resultados serão incríveis.

A convicção de Alan Hirsh é convincente em seu livro “The Forgotten Ways: Reactivating the Missional Church” (“As rotas esquecidas: reativando a igreja missionária”, em tradução livre). Hirsh acredita que podemos fazer da igreja nos dias de hoje o mesmo que os apóstolos fizeram no primeiro século. Ele oferece cinco marcas essenciais de eclesiologia bíblica para nos ajudar a recuperar a genialidade da igreja apostólica:

icon-christ1.Cristo é o centro (foco em Deus).

icon-disciples2. Cristo é reproduzido de forma contínua (fazendo discípulos).

icon-love3. Cristo manifesta seu amor através dos membros (comunhão compassiva).

icon-body4. Cristo trabalha através de cada fiel no Corpo (sacerdócio universal).

icon-globe5. Cristo redime toda a criação através da igreja (missão externa).

Nas consultas de implantação de igrejas de Lausanne, perguntamos aos participantes: “Quais destas cinco características da igreja do Novo Testamento é a mais urgente para a recuperação da igreja no seu país?”

As respostas variam muito, dependendo dos diferentes contextos históricos e sociais:

  • Na América Central (El Salvador, Honduras, Guatemala e Nicarágua), os líderes sentem que o desafio mais urgente da igreja é fazer discípulos.
  • Por outro lado, os brasileiros mencionam com frequência que precisam colocar Cristo no centro da igreja novamente.
  • Nos Balcãs, os líderes confessaram que uma grande necessidade é permitir que cada cristão obtenha um lugar, que é seu por direito, no sacerdócio.
  • Os líderes espanhóis identificaram a falta de visão missionária como seu desafio principal.

3 Cada cristão é parte do sacerdócio universal de fiéis, e compartilha a responsabilidade e autoridade.

Em um estudo que conduzimos na Espanha, 150 ministros de grupos jovens compartilharam suas ideias sobre como alcançar a próxima geração para Jesus. Eles expressaram fortemente sua opinião de que precisamos de novas expressões de igreja que enfatizam que todos são parte do ministério. Eles salientaram que os jovens têm a tendência de se entediarem e deixarem os grupos quando não são mais valorizados como indivíduos e deixam de ter oportunidades de contribuir.

Nós precisamos de novas expressões de igreja que enfatizam que todos são parte do ministério

Em Alcala de Henares na Espanha, um grupo de oito cristãos se frustrou, pois não estavam ativamente envolvidos na missão de Deus em suas cidades. Então, com muito cuidado para manter a paz com suas respectivas congregações, decidiram alugar uma loja vazia no térreo de um condomínio populoso em uma região de baixa renda da cidade. O grupo começou com atividades que aplicavam os dons únicos de cada pessoa, como um clube de scrapbooking, aulas de conversação de inglês, e exercícios aeróbicos para mulheres muçulmanas. Logo, o grupo dava as boas-vindas a 50 pessoas não cristãs para uma ou mais de suas atividades baseadas na Bíblia.

A esposa de um presbítero expressou sua satisfação entre lágrimas de alegria: “Ninguém nunca tinha me dado uma oportunidade assim, de expressar minha fé de formas que combinam com minhas motivações e talentos”. Eventualmente, uma das igrejas domésticas do grupo notou e aplaudiu os esforços. Quando escrevemos este artigo, a congregação estava considerando como liberar mais de seus membros para o campo missionário local, utilizando o projeto piloto como seu modelo.

4 Os cristãos devem colaborar uns com os outros para impactar o mundo.

A conversa sincera de Jesus com o pai, registrada em João 17 nos deu uma chave para alcançar sua geração, esta geração e todas as outras gerações futuras: “Rogo também por aqueles que crerão em mim, por meio da mensagem deles, para que todos sejam um, Pai, como tu estás em mim e eu em ti. Que eles também estejam em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste.” (Jo 17:20b-21).

Muitos cristãos hoje não compreendem por que há tantos “silos” no mundo cristão. Pior ainda, eles estão muito confusos sobre por que as pessoas nestes silos não trabalham juntos, nem mesmo conseguem se dar bem um com a outra.[2]

Quando desafiado a determinar o que estava limitando seu impacto, a resposta foi: “É porque não trabalhamos juntos como um corpo.”

Em 2016, nossa rede teve uma consulta de um dia na Croácia com a participação de 25 líderes denominacionais de todo o país. A apreensão sobre a reunião prevaleceu, devido aos atritos históricos entre as denominações. De fato, quando perguntamos o que considerariam um bom resultado da reunião, um líder respondeu: “Qualquer coisa desde que ninguém saia sangrando.”

A reunião correu bem, sem fatalidades a serem registradas. No entanto, muitos estavam chocados em ouvir de um estatístico local que a Croácia tem somente 178 igrejas apesar da população de quatro milhões. A taxa de crescimento é de cinco novas igrejas por ano.

Quando desafiado a determinar o que estava limitando seu impacto, a resposta foi: “É porque não trabalhamos juntos como um corpo.” Esta descoberta ajudou a quebrar a tendência solitária e construir relacionamentos uns com os outros. Eles então formaram uma plataforma nacional de implantação de igrejas com uma visão compartilhada de alcançar a Croácia.

Durante a última década, diversos movimentos de plantação de igrejas de base na Europa romperam as barreiras que separavam o Corpo de Cristo. Identificamos alguns elementos em comum nas redes colaborativas que levam ao sucesso:

icon-leaderUm líder catalisador que tem paixão em juntar o Corpo de Cristo para alcançar um grupo-alvo;

icon-statsEstatísticas úteis que revelam as taxas atuais de crescimento e áreas com maior necessidade de implantação de igrejas;

icon-strategyEstratégias amplamente compartilhadas que impulsionam a implantação de igrejas;

icon-placeUm local para interação, para o aprendizado e para aguçar a visão.

5 As redes unificam o Corpo de Cristo.

O Movimento de Lausanne está nos ensinando a não confundir a globalização do Cristianismo com a união do Corpo de Cristo. O mundo do Cristianismo nesta geração está crescendo de forma impressionante, nas mais diversas culturas e baseado nas mais diversas tradições teológicas. A “igreja do hemisfério norte” na Europa e América do Norte opera de forma completamente diferente da “igreja do hemisfério sul”, onde as igrejas locais estão em pleno crescimento. Segundo Wesley Granberg-Michaelson:

A fenda teológica entre estes dois mundos continua a crescer, à medida que o centro de gravidade do cristianismo continua a se deslocar para o hemisfério sul… Eu acredito que a separação entre estes dois mundos constitui o maior desafio para a união da igreja no século 21… Isso ressalta a necessidade urgente de construirmos novas redes de relacionamento. Estas redes precisam ser criadas intencionalmente de forma que atravessem as divisões geográficas, teológicas, institucionais e geracionais. Espero que tais redes continuem a se multiplicar e crescer em diversidade.[3]

Redes precisam ser criadas intencionalmente de forma que atravessem as divisões geográficas, teológicas, institucionais e geracionais

Redes de implantação de igrejas são uma das categorias de diversos movimentos de colaboração que fazem parte da grande comissão. Algumas das redes são informais com conexões também menos formais, outras foram organizadas e generosamente financiadas para este propósito. A classificação das redes não importa, mas sim que elas são uma resposta à oração de Jesus: “Para que todos sejam um, Pai, como tu estás em mim e eu em ti…para que o mundo creia que tu me enviaste.” (Jo 17:21).

“Para que o mundo creia” deve ser o objetivo de todo implantador de igrejas. É verdade que algumas igrejas hoje estão focadas em “plantar a bandeira” de certa denominação em territórios que até o momento não foram reivindicados, ou para acomodar um grupo demográfico que não se sente confortável com sua igreja mãe. No entanto, Jesus tinha um propósito diferente para a igreja que ele estava construindo.

A igreja se formou à medida que os discípulos de Jesus se multiplicavam. Ela continua a existir e a fazer mais discípulos de Jesus. Este é seu principal propósito. “A missão não foi criada para a igreja; a igreja foi criada para a missão – a missão de Deus”, ressalta o teólogo britânico Chris Wright.[4]

Então se queremos que a implantação de igrejas seja efetiva no século 21, os implantadores de igreja devem obedecer ao comando de Jesus dado no primeiro século: “Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo,
ensinando-os a obedecer a tudo o que eu lhes ordenei.” (Mt 28:19-20a).

Concluímos com isto, a mais simples verdade sobre implantação de igrejas.

Endnotes

  1. Nota do Editor: Leia o artigo de Ken Parks: “Terminando os 29% ainda não alcançados pela evangelização mundial”, na edição de maio da Análise Global de https://lausanne.org/pt-br/recursos-multimidia-pt-br/agl-pt-br/2017-05-pt-br/terminando-os-29-ainda-nao-alcancados-pela-evangelizacao-mundialLausanne. Veja também o artigo ‘What We Call the Edge, God Calls the Center’, (em tradução livre, “O que chamamos da beirada, Deus chama de centro” – artigo disponível somente em inglês) na edição de julho 2015 da Análise Global de Lausanne https://lausanne.org/content/lga/2015-07/what-we-call-the-edge-god-calls-the-center
  2. Nota do Editor: Leia também o artigo de Thomas Albert Howard, intitulado “Um chamado pela união cristã pela grande comissão: o 500º aniversário da reforma protestante”, nesta edição de novembro de 2017 da Análise Global de Lausanne
  3. Wesley Granberg-Michaelson, From Times Square to Timbuktu: The Post-Christian West Meets the Non-Western Church (Grand Rapids: Eerdmans, 2013), 19-20, 70. 
  4. Christopher J. H. Wright, A Missão de Deus, desvendando a grande narrativa da Bíblia (São Paulo, Vida Nova, 2014), 62. 

David Miller

David Miller e sua esposa Barbara servem desde 1980 na Bolívia como evangelistas itinerantes e professores da Bíblia entre os povos nativos nos Andes. Formado em jornalismo, David também trabalhou como editor executivo do Compass Direct News, relatando sobre a perseguição dos cristãos no mundo. Ele serviu como Coordenador Regional da Global Missions of the Church of God antes de assumir a coordenação da Rede de Lausanne de Implantação de Igrejas na América Latina, em 2015. Ele é autor da obra “The Lord of Bellavista: The Dramatic Story of a Prison Transformed” (“O Senhor de Bellavista: a história dramática de uma prisão transformada”, em tradução livre).


FONTE: AQUI

quinta-feira, 11 de julho de 2019

discipulado é relacionamento

COMPARTILHO AQUI UM ARTIGO DE UM GRANDE AMIGO - ANDERSON SANTOS - E ESPERO QUE SEJA DE BÊNÇÃO NA VOSSA VIDA COMO TEM SIDO NA MINHA VIDA.

Quero em pouca palavras escrever sobre um verdadeiro discipulado.

Tenho lido algumas coisas sobre este tema, e vejo muita confusão. Às vezes alguns querem fazer algo com boas intenções, mas não sabem o que estão fazendo. Usei a palavra "discipulado" para chamar a atenção, mas, na verdade, na Bíblia não existe esta palavra. 

Quero levá-lo a entender que precisamos trocar esta palavra por “relacionamento”. Quero mostrar-lhe que este "modo de viver" é inspirado em Jesus Cristo.

Ao pensarmos na forma como Jesus vivia com os Seus discípulos, entendemos como é importante o relacionamento. Jesus vivia uma vida intensa com os Seus discípulos, e esta vida intensa promovia relacionamento profundo e duradouro.

Vou mostrar alguns versículos, mas quero que você pense comigo no destaque do texto, pois o alvo é o relacionamento que Jesus tinha com os discípulos.

A Igreja neste contexto tem importante papel. Ela é formada por discípulos comprometidos com o Reino do Senhor. 

A possibilidade de sermos edificados uns pelos outros traz-nos um sentimento sincero que fortalece a fé. Na IGREJA ENCONTRAMOS TUDO: pessoas que são transparentes, pessoas que são superficiais, pessoas cheias de Deus, pessoas sem sensibilidade, pessoas simpáticas, pessoas antipáticas, pessoas que amam demais, pessoas que amam pouco, e podemos citar muitas outras qualidades e defeitos, e nestas coisas o mais importante é o sentimento de edificar ou outros para que atinjam a maioridade no Senhor, ao ponto de comer alimentos sólidos, aprendendo a suportar a fraqueza dos fracos e a força dos fortes, aprendemos a andar em unidade entendendo a diferença de cada um. Então vivemos em discipulado, onde ali as coisas ficam escuras por pouco tempo. Deus traz a vida uns dos outros, pois somos expostos no nosso carácter e conduta. Que experiência fantástica! Louvado seja Deus !!!

A Igreja não é uma administração, não é um conjunto de normas e preceitos, não é liturgia, não é congregar no sábado, domingo, etc... Igreja são pessoas que representam o corpo de Cristo e vivem em comunhão repartindo a vida de Cristo uns com os outros e com os de fora. 

Para entender é ler o livro de Actos dos Apóstolos e vai perceber que é muito mais do que vemos por aí, eu tenho lutado por isso, ainda que demore, mas em Deus eu creio num corpo de pessoas que vivam comunhão e relacionamentos, vivendo Cristo e dando Cristo, uma vida de testemunho como Cristo viveu. 

Num dos momentos para mim - você que está lendo com muita paciência - é o RETIRO de verão aqui em Portugal, com esta parte da Igreja, onde buscamos viver um pouco desta VIVA REALIDADE, onde seu ponto forte é na reunião do sábado a noite que é um resumo de tudo o que se passa, e eu vi algo tremendo que me fez chorar, ver pessoas indo na frente confessando pecados, de livre e espontânea vontade, proferindo palavras, testemunhos, abençoando, orando uns com os outros, enfim, um pouco do Céu na terra. Um irmão ao final da reunião falou-me: "Anderson, eu vi aqui o ATOS 2", no sentido de que ele viu a continuação do que aconteceu no livro de ATOS. 

“E aconteceu que, no segundo sábado após o primeiro, passou pelas searas, e os seus discípulos iam arrancando espigas e, esfregando-as com as mãos, as comiam.” (Lucas 6:1) - Iam, arrancando, comiam... dão sentido de andar juntos. Jesus estava com os discípulos quase sempre. Jesus tinha uma vida com seus discípulos de relacionamento. No momento em que Jesus estava junto com eles, Jesus comia, compartilhava , ensinava e exortava juntos. 

Jesus não vivia com eles nos templos, pregava e depois ia para casa, mas, andava e comia com eles. Estavam sempre juntos. Uma relação de pastor e ovelha. 

“E Jesus subiu ao monte, e assentou-se ali com os seus discípulos.” João 6:3

“Ora, um de seus discípulos, aquele a quem Jesus amava, estava reclinado no seio de Jesus.” João 13:23

“E, saindo, foi, como costumava, para o Monte das Oliveiras; e também os seus discípulos o seguiram.” Lucas 22:39

“E Judas, que o traía, também conhecia aquele lugar, porque Jesus muitas vezes se ajuntava ali com os seus discípulos.” João 18:2

Jesus tinha um relacionamento profundo e duradouro com seus discípulos. Em seu ministério Jesus pregava para multidões, muitos O seguiam, mas Jesus separou 12 homens para relacionar e, seu relacionamento foi tão intenso que produziu frutos tremendos. Eles estavam sempre juntos, dia após dia. Por causa deste modelo é que hoje estamos em Cristo,  por causa da mensagem pregada por estes homens, e que estas mensagens chegaram até nós porque eles foram bem instruídos. 

E dentro desta pequena reflexão, quero dizer que discipulado/relacionamento não é um estudo bíblico; não é um "cultinho" em casa, não é somente exortar, mas, relacionamento é conviver, andar junto, abrir o coração motivado por um relacionamento de confiança e amizade. E neste relacionamento acontece de tudo: falar a Palavra, comer junto, ensinar, exortar, rir, brincar, chorar, sofrer, mas tudo junto, amigos.

Jesus era amigo de seus discípulos. 

O  relacionamento promove uma amizade. Através desta amizade, nós vamos construir algo duradouro e vamos produzir discípulos que vão dar muitos frutos. 

Com o relacionamento, não vamos precisar nos preocupar se vamos perder alguém da congregação, ou não, pois construímos alicerces baseados na amizade.

Estava conversando com um irmão da congregação aqui em Portugal e ele lembrou que a Palavra fala de amigos mais chegados... “Cuidado! As muitas amizades podem levar à ruína, mas existe amigo mais chegado que um irmão.” Prov 18:24

João 15:15 - “Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz seu senhor; mas Eu vos tenho chamado amigos, pois tudo o que ouvi de meu Pai Eu compartilhei convosco.”

Provérbios 17:17 - “O amigo dedica sincero amor em todos os momentos e é um irmão querido na hora da adversidade.”

Provérbios 27:9 - “Perfume e incenso promovem alegria no coração; o conselho sincero de um amigo dá encorajamento para viver.”

Você tem amigos ? Quem é seu amigo hoje?

Precisamos aprender que o homem não vive só. O homem precisa de amigos. Pessoas que andam connosco. Pessoas que nos exortam, nos amam, falam a verdade. Pessoas que de tanto conviver connosco nos conhecem. 

O relacionamento tem que ser um modelo de vida, uma prática nas igreja de hoje. As pessoas precisam entender que este modelo atual onde, se assistem um culto dominical, ou reunião de oração e depois não se relacionam, e só se encontram no próximo final de semana, não promove amizade. 

Então, concluo que:
1- Se você está num discipulado baseado em somente estudar a Bíblia, isto não é discipulado
2- Se você está num "discipulado" baseado em culto solene, isto não é discipulado
3- Se você está num "discipulado" que não há espaço para você abrir o coração, isto não é discipulado
4- Se você está num "discipulado" que não pode chorar e ser consolado, isto não é discipulado
5- Se você está num "discipulado" que não se pode rir e se divertir, então você não está num discipulado"
6- Se você não tem liberdade de expor sua opinião, então você não está num "discipulado"

Lembre-se que relacionamento vai produzir estas atitudes acima no aspecto positivo. Ou seja, meu relacionamento vai produzir:
1- Estudo da Palavra
2- Informalidade
3- Abertura de coração
4- Choro
5- Diversão
6- Liberdade de se expressar
... e muito mais. 

Relacionamento produz discípulos sadios, produz filhos e não crentes. Produz amigos. Produz discípulos.

Reflita!

Anderson Tânia Santos

Fonte: AQUI

sábado, 10 de fevereiro de 2018

marcas de um verdadeiro discípulo

Estas são as marcas de um verdadeiro discípulo de Cristo:

  • Tratável (Tiago 3.17)
A definição segundo o dicionário comum é: pessoa que se caracteriza por ser afável, amável e benévolo. Segundo o dicionário Strong: tratável ("epiekes") é manso, brando,“apropriado”, isto é, gentil, alguém com moderação, paciente.


"Epi" é uma preposição primária, que significa a rigor, sobreposição para tempo, lugar, ordem, etc. Também, é relativo a distribuição (genitivo), isto é, sobre, etc. "Eikó", aparentemente um verbo primário com a ideia de cópia, "assemelhar-se", "parecido com".

Uma pessoa tratável refere-se ao estado interior de uma pessoa de bom carácter. Isto é, faz acordos e os cumpre, não mente. Enfim, a relação de trato cabe em todas as situações de relacionamentos. Seja a empatia informal, ou as formalidades de trato com a palavra, prometer e cumprir o prometido. Envolve a vida social, os negócios, a palavra empenhada, engloba todas as situações de relacionamentos interpessoais. 

  • Ensinável
Segundo o dicionário, uma pessoa ensinável, é uma pessoa pronta, desejosa e faminta para ser ensinado. Quer crescer, aberto a instrução e formação. Motivado a aprender. Marcada por fazer boas perguntas, realmente querendo entender.

Só se ensina a quem deseja aprender! Estou convicto também de outra: Aprende-se enquanto se ensina!

Ser ensinável é ver-se incompleto. É identificar ausentes em si o que gostaria de ver presente. É desejar crescer.

Ser ensinável é resistir a conformação.  É fugir do estacionamento existencial. É aceitar o fato que há estações a frente e que é preciso avançar na viagem...

Ser ensinável é correr atrás do ensino, de quem ensina, é fazer-se discípulo, escolher pisar sobre as marcas de alguém.

Ser ensinável é ter referenciais, alguém para quem olhar, não como parâmetro de perfeição, mas sim de aperfeiçoamento. É sair da caverna, aventurando-se na floresta.

Ser ensinável é aceitar revisar paradigmas, reformular conceitos, criticar crenças, é dispor-se ao que outrora sequer admitia existir.

Ser ensinável é extrair de cada experiência da vida uma lição, é aprender com as experiências dos outros. É crescer com o que aprende dos próprios erros e e com os dos que o cercam.


  • Submisso
Segundo o dicionário: pessoa obediente, que se submeteu a alguma coisa ou que ainda se submete; dócil, humilde, respeitosa.


  • Transparente
sem segredos, desabafa

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

fazendo discípulos

Acho muito interessante ver a ordem de Jesus contida em Mateus 28:19, "Fazei Discípulos". Estas duas palavras dizem muito:

1°) Note que Jesus disse "fazei" ou "façam", isso conota que da parte daqueles que receberam a ordem, algo deveria ser construído. Se o Mestre pedisse "conquistem", nós só precisaríamos achar, ou lutar por eles, se a ordem fosse "convençam", então teríamos que treinar nossa oratória e conhecimento bíblico, ou se ele falasse, "achem onde estão" só precisaríamos colocar em cartazes, programas de TV ou Rádio, shows e festas que estávamos os procurando. "Fazer" envolve estas coisas, mas envolve uma palavra maior, "envolver". Quem quer construir algo precisa entender que aquilo que é duradouro é feito com calma, conhecimento, amor. Fazer discípulos é construir junto com alguém um carácter para que este seja o mais próximo de Jesus.

Logo: Fazer = Construir envolvendo-se

2°) A palavra é "discípulo". Jesus não disse "Fazei evangelismos", porque apesar deste ser importante, é apenas um passo do discipulado. Cristo não falou "Fazei cópias", os discípulos tinham suas personalidades e o Mestre respeitava. Ele muito menos falou "Fazei Sentimentalistas" pois apesar do amor dEle me emocionar eu ainda preciso estar firme nos alicerces da Palavra de Deus. Ele disse "DISCÍPULOS", por que esta palavra leva a aprendizagem, um discípulo é alguém extremamente dedicado, não aceita nada mais do que o máximo, porém toda essa dedicação é para o aprendizado. Por isso ser o melhor discípulo significa que você é o melhor aprendiz. Ah! por isto também que ele não disse "fazei mestres".

Logo: Discípulo = Se dedicar sempre aprendendo

Sabendo disto precisamos apenas colocar mais uma informação, a ordem de Jesus foi dada a pessoas que já eram consideradas Seus discípulos, isto é, essas duas palavras necessitam ser um ciclo. Só um discípulo pode fazer outro.

Agora juntem comigo estas duas palavras: Fazer = Construa envolvendo-se, e Discípulo = Se dedicar sempre aprendendo e coloque junto nossa última informação sobre o ciclo do discipulado, pronto, agora podemos entender de maneira plena a ordem de Cristo. Jesus pediu para pessoas dedicadas e prontas a aprender (discípulos) que construíssem um relacionamento baseado no envolvimento (fazer) até que estas pessoas pudessem se tornar dedicadas e tão humildes que sempre estivessem prontas a aprender (discípulos).

Se essa ordem de Cristo fosse realmente nossa bandeira, nossas amizades, nossas famílias, nossos estudos bíblicos, escolas sabatinas, cultos, seriam voltados para a aproximação e essa com muita paciência. Ao invés de críticas traríamos um abraço que lembraria que todo aprendiz tem erros, ao invés de longas discussões teríamos este tempo para ouvir, pois como posso construir alguém sem saber quem é? Ao invés de falsas prosperidades entenderíamos que o chamado de Jesus foi e sempre será um pedido para me doar, no tempo que for preciso e com toda perseverança que Ele teve por mim!

FAZEI DISCÍPULOS!

Adaptado de Tiago Cordeiro