quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

verdade vivida e proclamada



Refletindo sobre a forma como Cristo edificou os Seus discípulos, podemos ver que Jesus visava a transformação (santificação). Cristo fez discípulos através de um processo de relacionamento interpessoal muito próximo, que os envolveu em muitas experiências da vida real. Ele não apenas debitou informação numa hora de semana programada para tal, e ficou à espera que, após o estudo individual de cada um dos escolhidos, estes despejassem a doutrina memorizada. Não! Cristo foi um modelo que interagiu com os discípulos num contexto de vida. Não estamos a negar a eventual importância da situação ensino / aprendizagem formal, mas sem dúvida há formas mais profundas e eficazes de formar. 

Refletindo acerca do exemplo de Jesus: um estilo de vida perfeitamente sintonizado com o conteúdo ensinado, onde a preocupação pela vida total estava presente e onde o amor era o ingrediente principal do seu relacionamento com os discípulos. Hoje, numa época em que falar de amor é percepcionada por muitos quase como uma atitude de "pieguice", nunca é demais lembrarmo-nos das palavras de Jesus aos discípulos: "Nisto conhecerão todos que sois Meus discípulos, se tiverdes amor uns pelos outros" (João 13:55). E quando nos referimos ao amor uns pelos outros é certo que estamos a mencionar o amor dentro da Igreja. Assim, experimentar o amor dos outros e crescer na capacidade de expressá-lo aos outros, é tanto um ingrediente essencial na edificação como na evangelização.

Há muitas razões pelas quais Cristo pode ser proclamado, algumas delas legítimas aos olhos de Deus (Filipenses 1:15-17). E se Paulo, quanto a estas dizia "todavia que importa?" Uma vez que Cristo, de qualquer modo, está sendo pregado quer por pretexto quer por verdade, também com isto me regozijo, sim, sempre me regozijarei (Filipenses 1:18). O exemplo que ele próprio nos dá é a de uma proclamação de Cristo por amor a Deus e aos Homens. Ele próprio exorta aos crentes: "Completai o meu gozo de modo a que penseis a mesma coisa, tenhais o mesmo amor, sejais unidos de alma..." (Filipenses 2:2). A exortação ao amor e à unidade é algo constante no Novo Testamento. Temos a convicção bíblica de que a Igreja é a representante de Deus na Terra; somos Seus embaixadores não apenas um a um, mas como Corpo; somos também modelos, não apenas na vida individual de cada um, mas nos relacionamentos do Corpo. Seremos assim os representantes de um Deus triuno, também Ele relacional. A realidade manifesta e plenamente convincente do amor de Cristo expresso pelo Corpo de Cristo, é a evidência mais persuasiva da verdade do Evangelho que podemos apresentar. Unida à comunicação da Palavra, leva ao reconhecimento de que Deus está em nós e que nós somos Seus discípulos...

Pessoalmente, estamos convictos de que baseando-nos naquilo que Deus revelou quanto aos Seus propósitos para o Corpo, o ideal será uma Igreja que se organiza para o discipulado. Quase ouvimos uma acusação surda de "ignorar egoisticamente os perdidos", mas não. De facto, à medida que o discipulado se desenvolve, cada indivíduo e o Corpo de Cristo passam por uma transformação progressiva. O amor passa a ser cada vez mais manifesto e visível aos que são de "fora". O fruto do Espírito expressa-se cada vez mais. Quanto mais semelhantes com Cristo, mais amor haverá pelos perdidos como pessoais totais. A preocupação e o amor levar-nos-ão a querer falar de Cristo e a tentar suprir todo o tipo de necessidades que possuam. Passaremos a ser cada vez mais um exemplo vivo de pessoas no meio das quais Deus vive, o que despertará a sede dEle, por muitos que não O conhecem!

Celina Simões

GBUletim - 05/1995

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