quinta-feira, 5 de janeiro de 2023

inteligência artificial



Perguntamos ao famoso ChatGPT se achava que a Inteligência Artificial pode chegar ao ponto de ser perigosa para os humanos. A sua resposta foi brutalmente honesta.

O ChatGPT é um modelo de linguagem pré-treinado desenvolvido pela OpenAI. É capaz de gerar respostas humanas a perguntas e comandos de forma quase indistinguível de um ser humano. Quem o diz é o ChatGPT, pelas suas próprias palavras.

Para não o deixarmos sem resposta, perguntamos-lhe se achava que a Inteligência Artificial (IA) pode chegar ao ponto de ser perigosa para os humanos? Sendo que o próprio chatbot inclui-se na esfera de IA, a sua resposta foi brutalmente honesta.

“A Inteligência Artificial pode ser perigosa para os humanos de várias maneiras”, começou por explicar, salientando que pode ser utilizada para atividades prejudiciais aos humanos.

“Por exemplo, uma IA pode ser programada para controlar veículos autónomos e, se não estiver corretamente programada ou se falhar, pode causar acidentes de trânsito. Além disso, a IA pode ser utilizada para realizar ataques cibernéticos ou para controlar sistemas críticos, como redes elétricas ou sistemas de transporte, o que pode levar a danos materiais e até mesmo à perda de vidas”, escreveu o ChatGPT.

A resposta não ficou por aqui e a Inteligência Artificial continuou a explicar como é que a sua “raça” pode ser perigosa para nós, humanos.

“Em segundo lugar, a IA pode ser perigosa porque pode ser utilizada para realizar atividades ilegais ou imorais. Por exemplo, pode ser utilizada para realizar atividades de espionagem ou para realizar transações ilegais online. Além disso, a IA pode ser utilizada para manipular ou falsificar informações, o que pode levar a decisões erradas ou ao caos social”, prosseguiu.

Manipular ou falsificar informações? Esperemos que o ChatGPT não o faça connosco e que as suas respostas sejam baseadas em factos. Num ato de boa-fé, decidimos continuar a ler a sua resposta.

“Em terceiro lugar, a IA pode ser perigosa porque pode ser utilizada para ampliar as desigualdades económicas e sociais. Pode ser utilizada para automatizar muitas tarefas, o que pode levar ao desemprego em massa e ao aumento da desigualdade. Além disso, pode ser utilizada para controlar ou monitorizar as pessoas, o que pode levar a uma perda de privacidade e a uma diminuição dos direitos civis”, acrescentou.

No fim, o ChatGPT deixou ainda um aviso aos programadores para terem o devido cuidado com estes e outros riscos.

“Em resumo, a IA pode ser perigosa para os humanos se não for utilizada de maneira responsável e ética. É importante que os desenvolvedores de IA tenham em mente os riscos e as possíveis consequências dos seus trabalhos, e que implementem medidas de segurança e ética adequadas para minimizar esses riscos. Além disso, é importante que haja um diálogo público sobre os prós e os contras, e que as pessoas estejam cientes dos riscos e saibam como proteger-se contra eles”, realçou.

Fonte: ZAP

aborto, primeira causa de morte pelo 4.º ano consecutivo


O aborto é a principal causa de morte no mundo pelo quarto ano consecutivo

O último estudo disponível do Worldometer de 2022, capturado em 31 de dezembro pela ferramenta de arquivamento da Internet The Wayback Machine, mostra que mais de 44 milhões de abortos ocorreram no ano passado, tornando o aborto a principal causa de morte em todo o mundo pelo quarto ano consecutivo. Embora o Worldometer cite uma folha informativa da Organização Mundial da Saúde como fonte de suas estatísticas de aborto, a OMS afirma que "cerca de 73 milhões de abortos induzidos ocorrem em todo o mundo a cada ano". A organização global caracteriza o aborto como um serviço de saúde essencial. As doenças transmissíveis foram a segunda principal causa de morte em 2022 de acordo com o Worldometer, resultando em quase 13 milhões de vítimas. As mortes atribuídas a doenças infecciosas, bem como as mais de 8 milhões de mortes causadas por câncer, as aproximadamente 5 milhões de mortes causadas pelo tabagismo, as cerca de 2,5 milhões de mortes relacionadas ao álcool e as quase 2 milhões de mortes causadas pela SIDA neste ano somam para menos do que o número de vidas perdidas para o aborto em 2022.

Enquanto isso, mortes em acidentes de trânsito e suicídios mataram mais de 1 milhão de vidas cada um no ano passado, enquanto mais de 800.000 pessoas perderam suas vidas devido a doenças relacionadas à água, meio milhão de pessoas morreram por causa da gripe sazonal, quase 400.000 pessoas morreram de malária e cerca de 300.000 mulheres morreram durante o parto. As mortes causadas pela pandemia de coronavírus representaram 1.209.570 óbitos. O Worldometer identificou o número total de mortes em todo o mundo em 2022 como pouco mais de 67 milhões, número que ultrapassa 100 milhões com abortos incluídos.

O número de abortos realizados em 2022 constitui um ligeiro aumento em relação aos aproximadamente 44 milhões medidos em 2021. Quase 44 milhões de abortos foram realizados em 2020 e 42,4 milhões em 2019. Em todos esses anos, os abortos foram a principal causa de morte ao redor do mundo.

5 mudanças que todo líder precisa descobrir para liderar no futuro


O que te trouxe até aqui não vai te levar até lá.

Por mais que saibas que isso é verdade, especialmente ao pensar sobre a nova realidade à frente, provavelmente há algo dentro de ti que resiste a isso.

Eu prometo-te que há algo dentro de mim que resiste ao axioma.

Aqui está o que se passa na minha cabeça enquanto penso sobre o que me trouxe até aqui e não me levou até lá…

- Mas eu me dei bem no passado... essa abordagem não pode funcionar de novo?

- Não sei se tenho energia para repensar tudo de novo.

- Se eu conseguir resultados incrementais fazendo o que estou a fazer agora, isso não é bom o suficiente?

Quando me ouço a ter estes pensamentos, percebo que é uma maneira terrível de liderar. À luz da enorme distorção pela qual todos passamos, o que te ajudou a progredir no passado como líder provavelmente não funcionará tão bem no futuro.

Mas a resistência à mudança é real.

Estamos a "sair" da pandemia, e os próximos anos serão anos de grandes mudanças para quase todos: líderes da igreja e líderes empresariais incluídos.

Então, quais mudanças precisas fazer para garantir que estás à altura do desafio?

Aqui estão cinco coisas que todo líder deve descobrir para liderar bem no futuro. Domina isso, e o futuro e a mudança que exigidas serão muito mais fáceis de navegar.

1. Abertura

Quando as coisas não saem do jeito que planeaste em relação à liderança, é fácil ficar mais fechado, em vez de mais aberto.

Por um lado, a abertura a novas ideias, novas abordagens, diferentes perspectivas e novos pensamentos pareceria logicamente a coisa óbvia a se fazer.

Mas emocionalmente, permanecer aberto pode ser a coisa mais difícil de fazer como líder.

Há duas razões pelas quais te fecharás a novas estratégias, a menos que se detenha.

Primeiro, já estás sobrecarregado, desanimado e a sentires-te derrotado. E quando isso acontece, é fácil voltar ao que sabes ou ao que funcionou. Isso não é totalmente mau, mas não é suficiente. Claro, não jogues fora "o bébé junto com a água do banho", mas simplesmente repetir o que está a trazer retornos decrescentes é uma má ideia.

A segunda razão pela qual resistirás a ficar aberto a novas ideias é que já estás confuso. Tentar coisas novas pode parecer muito arriscado, ainda mais confuso e complexo.

Por essas e outras razões, muitos líderes fazem o contrário do que deveriam fazer ao enfrentar a incerteza — tornam-se mais fechados, não mais abertos.

Não é que eles nunca vão se abrir. Eles vão. Mas muitas vezes, só depois que tudo está a desmoronar.

Isso é o que acontece sempre que as pessoas atingem o fundo do poço: de repente tu te abres.

E a essa altura, tanto estrago já foi feito que muitas vezes é tarde demais.

Permanecer aberto em meio à mudança, estagnação e declínio e mudar ao longo do caminho é uma abordagem muito melhor.

2. Resiliência

Uma das definições de sucesso é levantar mais uma vez do que foste derrubado.

Essa é uma metáfora de trabalho decente para a resiliência também. Resiliência é a capacidade de se recuperar rapidamente das dificuldades. Ultimamente, tem havido tantas dificuldades.

O que te torna resiliente? Os factores variam, mas alguns itens básicos para resiliência incluem:

- Uma visão optimista. Por mais que isso possa soar como "torta no céu", é difícil liderar a partir do pessimismo.

- Descanso adequado. É incrível como uma boa noite de sono muda tanto.

- Amigos. A liderança costuma ser solitária, mas não precisa ser.

- Uma vida fora do trabalho. Trabalhar o tempo todo ironicamente diminui a sua produtividade.

- Fé e Crença. Significado e propósito fazem uma grande diferença.

A boa notícia é que tudo isso está sob o teu controlo. O lugar mais fácil para começar é descansar um pouco. Por que não começar já esta noite?

3. Agilidade

O melhor tipo de estilo de liderança na incerteza é a liderança ágil. A liderança ágil é uma liderança flexível, a capacidade de girar e mudar não apenas uma vez, mas sempre que as condições de mudança o justificarem.

Quando o futuro é imprevisível, agilidade é habilidade. Flexibilidade é um super-poder.

A razão pela qual a agilidade é tão importante é que uma crise significa que não há respostas claras e nenhum fim imediato à vista. É exactamente por isso que se chama crise, não problema. Os problemas podem ser resolvidos. As crises precisam ser geridas, e isso diariamente.

À medida que avançamos neste novo ano, parece que a gestão de crises será um conjunto de habilidades exigido de todos os líderes à medida que nos dirigimos para um futuro imprevisível.

4. Saúde Emocional

Como líder (ou como humano), tu és tão saudável quanto emocionalmente saudável.

Os líderes da igreja que afirmam ser espiritualmente saudáveis, mas emocionalmente doentes, não são saudáveis. O mesmo ocorre com os líderes empresariais que afirmam ser óptimos no que fazem – a falta de saúde emocional causa muitos danos colaterais e, em última análise, pode levar ao colapso.

Uma jornada para se tornar emocionalmente mais saudável leva anos e envolve muita oração, aconselhamento, treinamento e feedback.

O trabalho de Pete Scazzero sobre saúde emocional para líderes mudou o caminho de muitos líderes. Link (audio em inglês)... clique AQUI

5. O Paradoxo de Stockdale

Jim Collins chama de Paradoxo de Stockdale a um dos princípios que muitos líderes falaram no início da crise. 

Jim Stockdale era um almirante americano capturado e preso durante a Guerra do Vietname. Ele foi mantido e torturado por sete anos. Stockdale disse que as primeiras pessoas a morrer no cativeiro foram os optimistas, que ficavam a pensar que as coisas iriam melhorar rapidamente e eles seriam libertados. “Eles morreram de coração partido”, disse Stockdale. Em vez disso, argumentou Stockdale, a chave para a sobrevivência era combinar realismo e esperança. Nas palavras de Stockdale: “Esta é uma lição muito importante. Nunca deves confundir a fé de que vencerá no final – que nunca podes perder – com a disciplina para enfrentar os factos mais brutais de sua realidade actual, sejam eles quais forem.”

Esse, essencialmente, é o teu trabalho na liderança de crise. Os maiores líderes confrontam os factos brutais, mas nunca perdem a esperança.

terça-feira, 1 de novembro de 2022

Comida com sangue, sim ou não?



O cristão tem liberdade para escolher comer ou não sangue, de acordo com sua consciência. Cada pessoa deve decidir por si se acha que pode ou não comer sangue. A questão de comer ou não comer sangue não é central na Bíblia.

Argumentos contra comer sangue:

Deus proibiu todos de comer sangue – a proibição de comer sangue foi dada a Noé e seus descendentes, muito tempo antes das leis de Moisés para Israel (Gênesis 9:3-4).

O sangue representa a vida – devemos respeitar o valor simbólico do sangue na Bíblia, abstendo-nos de comer.

Os apóstolos recomendaram não comer – em Atos dos Apóstolos 15:28-29, depois de discutir uma grande controvérsia sobre as leis do Antigo Testamento, uma das recomendações dos apóstolos foi não comer sangue.

Argumentos a favor de comer sangue:

Jesus declarou puros todos os alimentos – Jesus disse que não é o que comemos que nos torna impuros, o problema é o nosso coração (Marcos 7:18-20); já não estamos sujeitos a regras cerimoniais de pureza.

Podemos comer tudo – não há alimentos que são naturalmente ruins a nível espiritual mas podem causar problemas para a consciência de quem acha que são ruins (Romanos 14:14).

A proibição era só uma recomendação – os apóstolos não impuseram a proibição de comer sangue como lei nem comentaram mais sobre ela, como fizeram sobre a idolatria e a imoralidade sexual.

Conclusão.

Ambos os lados têm argumentos válidos. Pessoalmente prefiro não comer!

Qualquer que seja sua opinião, dê glória a Deus e não condene quem tem uma opinião diferente. 

“A comida, porém, não nos torna aceitáveis diante de Deus; não seremos piores se não comermos, nem melhores se comermos.” - 1 Coríntios 8:8

quinta-feira, 22 de setembro de 2022

Vinte Conselhos para Casais

1 Nunca fiquem ambos zangados ao mesmo tempo

2 Nunca lance em rosto um ao outro um erro do passado

3 Nunca se esqueçam das horas felizes de quando começaram a se amar

4 Nunca se encontrem sem um termo bem vindo

5 Nunca usem indiretas, quer estejam sozinhos ou em presença de outros

6 Jamais grite um com o outro, a não ser que a casa esteja pegando fogo

7 Procure cada um se esforçar ao máximo para estar de acordo com os desejos do outro

8 Seja a renúncia de si mesmo o alvo e a prática de cada dia

9 Nunca deixem o sol se pôr sobre qualquer zanga ou ressentimento; melhor mesmo é não zangar-se!

10 Jamais dêem ensejo a que um pedido razoável tenha de ser feito duas vezes

11 Nunca façam um comentário em público, que possa magoar o outro. Pode parecer engraçado, às vezes, mas fere

12 Nunca suspirem pelo que poderia ter sido, mas tirem o melhor partido daquilo que é

13 Não censurem nunca, a não ser que tenham a certeza de que uma falta foi cometida, e mesmo assim falem sempre com amor

14 Jamais se separem sem palavras amáveis, nas quais pensem enquanto separados. Breves palavras proferidas na manhã preenchem um longo dia

15 Não deixem que nenhuma falta cometida fique sem ser confessada e perdoada

16 Não se esqueçam que o lugar mais próximo do céu na terra é aquele em que duas almas se tornam umas no altruísmo

17 Não fiquem satisfeitos enquanto não tiverem certos de que estão ambos trilhando o caminho estreito e reto, um ajudando o outro

18 Jamais se esqueçam que o casamento foi estabelecido por Deus e que só a sua benção pode torná-lo o que deve ser

19 Não permitam que esperanças terrenas os distanciem do lar eterno

20 Jamais deixem de regar o amor com muito carinho e afeto.

Refugiados, uma oportunidade



De acordo com o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), vivemos um momento em que mais de 28.000 pessoas são deslocadas à força todos os dias. Mais de 65 milhões de pessoas — o equivalente à população do Reino Unido — fugiram de suas casas.

Um terço destes (22 milhões) classifica-se como «refugiado» uma pessoa fora do seu país de origem que «receando com razão ser perseguida em virtude da sua raça, religião, nacionalidade, filiação em certo grupo social ou das suas opiniões políticas, se encontre fora do país de que tem a nacionalidade e não possa ou, em virtude daquele receio, não queira pedir a proteção daquele país».[1] Esta crise de refugiados é a pior crise humanitária desde a II Guerra Mundial, ultrapassando o que foi na altura a maior deslocação humana em massa na história.

A maioria dos refugiados são mulheres e crianças, metade com menos de 18 anos. Milhões de refugiados vivem em situações de deslocação prolongada, esperando décadas por uma resolução. Um quarto dos refugiados de hoje são sírios, com metade da sua população pré-guerra morta ou deslocada à força nos últimos seis anos.[2]

Muitas pessoas se questionam sobre as causas deste surto de migração forçada. Guerra e conflito — especialmente guerras de longa duração — são as causas principais, mas existem outros fatores:

- Confrontados com privação económica, os trabalhadores mudam-se em busca de oportunidades.

- Desastres naturais e degradação ambiental podem levar a deslocação em larga escala, especialmente quando exacerbados por tensões políticas.

- A perseguição expulsa as pessoas da sua terra-natal, que partem em busca de segurança e liberdade.

No nosso mundo interligado, não só temos mais conhecimento sobre estas situações, como também somos mais diretamente afetados por elas. Perante este fenómeno global, como devem os cristãos responder?

Caridade e hospitalidade

A Bíblia ordena caridade e hospitalidade ao estranho residente ou viajante, bem como cuidado pelos abatidos e oprimidos. Como consequência, pessoas que seguem Jesus e levam a sua Palavra a sério têm um mandato especial para responder à crise de refugiados. No entanto, as complexidades do sistema de refugiados e a preocupação com a segurança nacional muitas vezes suplantam o apelo à justiça e misericórdia. De facto, os cristãos contam-se entre aqueles que pedem aos seus países para fechar as portas aos imigrantes.

Em nenhum lugar é talvez isto mais irônico do que nos Estados Unidos, que há muito tempo se orgulha da sua identidade como uma terra fundada por refugiados à procura de liberdade religiosa. Como a «terra dos livres e lar dos bravos», reinstalamos mais refugiados todos os anos do que qualquer outro país. O nosso ícone nacional, a Estátua da Liberdade, tem uma inscrição de boas-vindas no seu pedestal:

Dai-me os vossos fatigados, os vossos pobres,

As vossas massas amontoadas que anseiam por respirar em liberdade,

O refugo infeliz da vossa costa apinhada.

Enviai-me esses sem-abrigo assolados pela tormenta,

Eu ergo o meu farol junto ao portal dourado.

Apesar disso, o debate acerca da imigração nos EUA continua aceso sobre imigrantes sem documentos, refugiados e muçulmanos, com o nosso presidente a implementar restrições de viagem e a estabelecer um limite historicamente baixo de admissão de refugiados para o ano fiscal de 2018. No meio desta tempestade, os cristãos americanos encontram-se política e eticamente divididos sobre este assunto controverso.

Independentemente da sua opinião sobre imigração, os cristãos deviam reconhecer que têm um papel naquela que é a principal questão humanitária do nosso tempo. Por onde começamos? Eu sugiro que comecemos com a nossa imaginação.

Formando a nossa imaginação sobre o estrangeiro

Quando ouvimos a palavra «refugiado», que imagens nos vêm à mente? A de uma mulher molhada vestida de hijabe a arrastar-se até à costa? Uma criança coberta de poeira numa velha tenda no deserto? Ou um cientista que desenvolveu a teoria da relatividade? Um artista premiado? Um filantropo?

A nossa imagem mental dos refugiados afeta a nossa atitude para com eles. Desde o primeiro esforço internacional para resolver a crise de refugiados do início do século XX que cidadãos expressam preocupação acerca do impacto dos imigrantes na cultura e economia local; refugiados são estrangeiros, que muitas vezes não falam a língua local nem conhecem costumes e práticas locais. Nos últimos anos, a segurança nacional tem sido a coisa mais importante quando se pesa a compaixão pelas pessoas mais vulneráveis do mundo contra a proteção daqueles que nos são queridos, fazendo a reinstalação parecer arriscada, até insensata, para alguns. A aceleração de tecnologias de destruição maciça e infiltração de informação tornam tudo mais ameaçador.

Informando biblicamente a nossa imaginação sobre o estrangeiro

Apesar de a nossa natureza humana nos fazer desconfiar de estrangeiro, há momentos em que Deus nos chama para, em vez disso, os acolhermos. Para fazer isso, temos de permitir que Deus molde a nossa imaginação de quem o estrangeiro é, especialmente uma vez que «receber o estrangeiro» é um dos mandamentos mais frequentemente repetidos nas Escrituras hebraicas.

Os estrangeiros entre os israelitas deviam ser tratados com igualdade, como se fossem nativos (Núm. 15:15-16). Israel recebia convidados estrangeiros e era esperado que protegesse, servisse, amasse e cuidasse deles (Lev. 19:34, Deut. 26:12, Eze. 47: 21-23). Deus decretou que os estrangeiros tinham direito ao seu amor e preocupação, por isso cuidar de refugiados hoje não é apenas uma questão de compaixão ou pena — é uma questão de justiça.

Muitos refugiados são cristãos sendo perseguidos pela sua fé, fazendo deles nossos irmãos e irmãs no Senhor, e portanto membros da família.

Muitos refugiados são cristãos sendo perseguidos pela sua fé, fazendo deles nossos irmãos e irmãs no Senhor, e portanto membros da família. Quando estes refugiados vêm, eles mudam a paisagem, não só das nossas nações, mas também das nossas igrejas. De formas significativas, as igrejas estão sendo revitalizadas pelos refugiados.[3]

Cada cristão, além de pertencer à família global cristã, também pertence a outra família — a família global humana.[4] Com mais de 7 bilhões de pessoas no globo hoje, temos de nos lembrar que todos pertencemos à mesma família humana. Esta perspetiva humaniza os refugiados, lembrando-nos de que eles são mais do que estatísticas — são pessoas feitas à imagem de Deus, merecedoras da nossa compaixão e proteção.

Vocês foram estrangeiros

Finalmente, talvez o argumento mais convincente para cuidar de refugiados seja que, como eles, nós somos estrangeiros. Desde o patriarca Abraão a Jesus e os seus discípulos, à igreja global, a metáfora do estrangeiro está profundamente enraizada na nossa história e teologia, e portanto, na nossa própria identidade:

Finalmente, talvez o argumento mais convincente para cuidar de refugiados seja que, como eles, nós somos estrangeiros. Desde o patriarca Abraão a Jesus e os seus discípulos, à igreja global, a metáfora do estrangeiro está profundamente enraizada na nossa história e teologia, e portanto, na nossa própria identidade:

Deus escolheu abençoar Abraão tornando-o estrangeiro, não como castigo mas como parte do seu plano para a salvação das nações (Atos 7:6).

Antes de Cristo, as nações estavam separadas de Cristo (Ef. 2:12), mas depois Deus adotou-nos na sua família através de Jesus Cristo, e já não somos «estrangeiros nem visitantes» (Ef. 2:14, 2:19).

O tema do estrangeiro também descreve a nossa relação com o nosso lar celestial. Como refugiados, todos os que estão em Cristo são considerados estrangeiros, viajantes e peregrinos na Terra (1 Crón. 29:15, Heb. 11, 1 Pe. 1:17). Contudo, como estrangeiros e exilados não andamos sem direção; estamos só à espera de um país melhor — um país celestial (Heb. 11:16); e por isso fixamos os olhos no céu, onde reside a verdadeira cidadania: «Nós, porém, somos cidadãos do céu e de lá esperamos que venha o nosso Salvador, o Senhor Jesus Cristo.» (Fil. 3:20). Em algumas formas, conseguimos identificar-nos com refugiados porque nós também não temos um lar permanente nesta vida. Estamos em uma jornada partilhada, iguais aos olhos do Senhor, inteiramente dependentes da sua graça.

A resposta da igreja com uma mentalidade global

Tendo em conta a magnitude da crise de refugiados, as igrejas de todo o mundo precisam de saber como lidar com trauma e identidade numa sociedade cada vez mais globalizada. Cristãos com uma mentalidade global devem abraçar uma identidade global combinada com uma doutrina de hospitalidade. Esta perspetiva deve informar a forma como vemos as políticas de imigração do governo, especialmente em relação a refugiados.

O termo «refugiado» tem sido aplicado genericamente a vários tipos de migrantes afetados por qualquer fator negativo, seja económico ou ambiental. Contudo, ao discutir o fenómeno da migração global, o termo refere-se especificamente a pessoas que fogem da guerra ou perseguição e que podem provar o perigo de voltar ou ficar na sua terra, como vimos acima.

Os refugiados são especialmente vulneráveis, porque não saem por escolha; uma vez fora das fronteiras do seu país, perdem qualquer proteção de cidadania que tinham e estão à mercê (e com direito à assistência) do regime de proteção internacional. Embora a hospitalidade bíblica não precise de distinguir entre pessoas, os refugiados apresentam um caso particularmente convincente para hospitalidade e misericórdia.

Quando conseguimos usar a nossa imaginação bíblica para ver os refugiados, percebemos que muitas vezes deixámos o patriotismo e o medo sobrepôr-se à fé e à ação, e acreditamos que experimentamos Deus através da hospitalidade a estrangeiros. Esta realidade espiritual desafia-nos a ver refugiados não como um fardo, mas como um atributo valioso para as nossas comunidades, e a ver questões de imigração como questões morais, não apenas económicas e políticas. O professor de seminário Christine Pohl escreve:

O acolhimento de refugiados é um dos poucos lugares em política moderna onde a linguagem explícita de hospitalidade ainda é usada. As pessoas ainda associam noções teológicas de santuário, cidades de refúgio, e cuidado pelo estranho com as necessidades das pessoas deslocadas de hoje. Os cristãos têm um papel vital em garantir que as necessidades dos refugiados são levadas a sério pelos governos nacionais. Mas a nossa resposta tem de se estender para além das políticas públicas para um envolvimento mais pessoal em agências de voluntários, comunidades, igrejas e casas onde atos de acolhimento oferecem refúgio e uma nova vida a algumas das pessoas mais vulneráveis do mundo.[5]

Podemos acolher através da típica hospitalidade de refeições e comunhão, mas também através da defesa de direitos e educação. Muito do medo à volta da crise de refugiados é baseado em informações erradas. Quando as igrejas estão informadas, têm oportunidade de dissipar medos e empoderar as suas comunidades para se envolverem.

Os refugiados são perseguidos por causa da sua raça, religião, nacionalidade e afiliação política ou social. Que nós que seguimos Cristo possamos acolher refugiados sem olhar a essas categorias. Temos uma oportunidade tremenda de partilhar o amor de Deus e a luz de Cristo com pessoas de terras distantes que de outra forma poderiam não receber desse ministério. O sobrevivente do Holocausto Elie Wiesel louvou os «gentios justos» que arriscaram as suas vidas para proteger refugiados judeus. Para os cristãos, andar com pessoas desenraizadas no processo de restaurarem as suas vidas é um ato vicário de graça, uma vez que também nós, uma vez, fomos estrangeiros.

Notas de fim

Definição oficial do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados; por exemplo, ver http://www.unhcr.org/afr/publications/brochures/3b779dfe2/protecting-refugees-questions-answers.html. ↑

Ver artigo intitulado ‘The Refugee and the Body of Christ’, de Arthur Brown, na edição de setembro de 2016 da Análise Global de Lausanne. https://lausanne.org/content/lga/2016-09/the-refugee-and-the-body-of-christ. ↑

Ver o artigo intitulado ‘Is God Reviving Europe Through Refugees?’ (Será que Deus está renovando a Europa através dos refugiados?) de Sam George, na edição de maio de 2017 da Análise Global de Lausanne. https://lausanne.org/pt-br/recursos-multimidia-pt-br/agl-pt-br/2017-05-pt-br/sera-que-deus-esta-renovando-a-europa-atraves-dos-refugiados. ↑

Para reflexão sobre identidade global, ver Todd M. Johnson e Cindy M. Wu, Our Global Families: Christians Embracing Common Identity in a Changing World (Grand Rapids: Baker Academic, 2015). ↑

Christine Pohl, Making Room: Recovering Hospitality as a Christian Tradition (Grand Rapids: Eerdmans, 1999), 166. ↑

Cindy M. Wu é esposa e mãe educadora de ensino domiciliar residente em Houston, Texas. É co-autora do livro Our Global Families: Christians Embracing Common Identity in a Changing World (Baker Academic, 2015) com Todd M. Johnson, e autora de A Better Country: Embracing the Refugees in Our Midst (William Carey Library Publishers, June 2017), um recurso que desafia cristãos a responder à crise de refugiados global.

Fonte: Lausanne

Comunidade Cigana



A terceira Conferência Cigana Europeia (European Roma Conference), que teve lugar em Sarajevo, na Bósnia, em outubro de 2019, reuniu 226 participantes de 31 países. O encontro teve uma diversidade de pessoas: ciganos e não-ciganos, pessoas do mundo académico ou com pouca educação formal, pastores, missionários, músicos, líderes e paroquianos.

O tema foi «Parcerias saudáveis». O conteúdo prático, intercalado com estudos de caso reais da Bósnia, Sérvia, Roménia, Finlândia e Índia, ilustrou o valor de multiplicação que existe em parcerias saudáveis e o perigo de parcerias desiguais com expectativas divergentes. Os grupos, organizados por países e regiões, discutiram as suas experiências, tanto boas como más.

Porquê este tema, neste momento e lugar? Existem desafios no desenvolvimento de parcerias de missão mutuamente saudáveis — um facto comprovado tanto pela história de missões como pelas minhas próprias observações no sudeste da Europa. Apesar disso, a parceria com igrejas e comunidades ciganas é vital para partilhar os nossos vários dons na manifestação da ‘nova humanidade’ em Cristo.[1]

Quem são os ciganos?

A maioria dos académicos ligam o povo que hoje identificamos como ciganos a grupos de pessoas que migraram do noroeste da Índia há mais de um milénio, em referência ao povo romani e à língua romaní. O termo «Roma» é hoje frequentemente utilizado para abranger uma ampla faixa de pessoas que se identificam como rom, ciganos, sinti, calon, etc.[2] A questão da identificação é complexa, uma vez que, por vezes, a autoperceção de um grupo não se alinha com a terminologia de estranhos; geralmente, espero até saber como uma comunidade se autoidentifica antes de utilizar qualquer termo.

Demasiadas vezes, os ciganos são retratados em imagens unidimensionais e estáticas — frequentemente associadas à pobreza ou criminalidade, por exemplo — quer sejam do Brasil, de França ou da Roménia. É fundamental compreender que os ciganos não são homogéneos mas diferentes grupos minoritários espalhados por vários países e continentes. Podem falar diferentes línguas ou dialetos romani e ter várias práticas culturais e religiosas. Têm também histórias diferentes com as sociedades em que se inserem. Na Europa, por exemplo, séculos anteriores de políticas severas destinadas a assimilar, banir ou até exterminar ciganos (na II Guerra Mundial) promovem ainda hoje imagens negativas deste grupo.

No entanto, apesar dessas diferenças, alguns cristãos ciganos têm um sentido de identidade transnacional e visão missionária, desde a Europa, passando pela América do Norte e do Sul e estendendo-se até à Índia.[3] Por exemplo, alguns académicos e ativistas associam a comunidade cigana aos banjara, uma grande tribo de clãs que se encontra no noroeste, centro e sul da Índia.[4] Srinivas Naik é um pastor banjara e fundador da Global Banjara Baptist Ministries (Ministérios Batistas Banjara Globais, GBBM), que opera em quatro Estados indianos através da plantação de igrejas, formação de liderança e trabalho social. Em Sarajevo, ele expressou um forte desejo de se relacionar e adorar com pessoas do seu próprio grupo étnico e referiu um sentido de «pertença»: não só ele e outros ciganos pertencem a Cristo, como também pertencem uns aos outros em termos de etnia e história.

Realidades paralelas

O cristianismo continua a crescer globalmente entre ciganos, sobretudo na forma pentecostal — desde grandes avivamentos em França, a partir da década de 1950, ao rápido desenvolvimento na Europa Central e de Leste após a queda do comunismo.[5] Estudos académicos em vários contextos verificaram que o cristianismo contribui para um aumento dos níveis de educação e alfabetização e uma diminuição da criminalidade e da distância social da cultura dominante.[6]

Contudo, a Europa apresenta realidades paralelas dentro dos seus 10-12 milhões de ciganos:

- Embora haja ciganos integrados em todas as esferas da sociedade, muitos enfrentam uma dura situação socioeconómica, sobretudo na Europa de Leste.

- Os grupos de ciganos na Europa têm muitas vezes maiores taxas de desemprego, analfabetismo e problemas de saúde, bem como habitação de qualidade interior e menor escolaridade.

- Lidam com exclusão social, discriminação e racismo. O preconceito não é sempre unilateral: alguns grupos de ciganos manifestam desprezo por não-ciganos (gadjôs) e até por outros ciganos.

- A vulnerabilidade de ciganos em certos contextos faz deles um dos alvos principais no tráfico de seres humanos.

Porém, as questões de discriminação e marginalização social não se limitam à Europa. Embora os ciganos (compostos por calon e rom) sejam foco político crescente nos últimos 20 anos,[7] continuam a ser alvo de preconceito. Na Índia, os banjara são muitas vezes socialmente isolados, sem educação e economicamente desfavorecidos. Embora os banjara no Estado de Naik sejam categorizados como grupo tribal, o que lhes dá mais respeito social, são frequentemente considerados dalits (intocáveis) noutros Estados.

A necessidade de parcerias saudáveis

Perante isto, acredito que existem três grandes razões para desenvolver parcerias saudáveis entre ciganos e não-ciganos:

1. Momento kairos?

Este pode muito bem ser um ‘momento kairos’ em termos de oportunidade global para evangelizar e discipular grupos ciganos. Na Europa de Leste, muitos pastores ciganos declararam que agora é o tempo dos ciganos, em referência à sua abertura espiritual. Na Índia, Naik reporta um enorme crescimento nos últimos 20 anos, quando os banjara começaram a evangelizar banjara. De forma independente, também ele disse que agora é o momento dos banjara, estando Deus a derramar o seu Espírito entre eles, e pediu mais parceiros de todo o mundo para se lhes juntarem e aproveitarem esta oportunidade.

 2. Desafios intimidantes

Este momento kairos vem muitas vezes em contextos intimidantes no que toca à enormidade de desafios e oportunidades tendo em conta a falta de pessoas e de recursos. O discipulado é um processo intenso limitado pela falta de pessoas a servir. Por exemplo, Naik descreve formação limitada para evangelistas e pastores, o que produz «fruto fraco». As questões das comunidades pobres também podem ser esmagadoras: a necessidade de emprego e criação de emprego, educação, apoio social e político, formação em discipulado, cura de traumas e educação teológica.

Existem muitos exemplos de como as parcerias aumentaram tanto a qualidade como a quantidade dos esforços de missão:

- Igor Shimura, ativista social e pastor calon, relatou que, através de parcerias tanto nacionais como globais, a Bíblia está a ser traduzida para calon, foram plantadas dez igrejas e mobilizados congressos missionários.

- A GBBM beneficiou de parcerias externas que, por exemplo, lhes mostraram como o historiar de cinco histórias do Antigo Testamento podem preparar uma cultura politeísta para o evangelho.

3. A necessidade de igualdade

A parceria é urgentemente necessária para incentivar transformação; contudo, a história dos ciganos em muitos contextos exige uma ênfase na qualidade da parceria.  Na Europa, por exemplo, a própria igreja marginalizou ciganos ao longo da história, excluindo-os do batismo e, por vezes, considerando-os incapazes de liderar as suas próprias igrejas. Parcerias igualitárias, portanto, podem ser um testemunho essencial para a reconciliação relacional possível em Cristo. Miki Kamberović, um pastor de ciganos na Sérvia, observou que os ciganos começam apenas agora tomar posse da sua identidade. São necessárias pessoas que não venham já com planos e ideias, mas que queiram trabalhar em conjunto para a transformação de comunidades ciganas.

A Roma Networks, que organizou a conferência em Sarajevo, tem como objetivo estabelecer redes e produzir investigação para transformar as comunidades ciganas. A ênfase em parcerias saudáveis em Sarajevo captou intencionalmente a necessidade crítica de partilhar a diversidade de dons, de capacitar ciganos e curar a relação entre ciganos e não-ciganos.

O presidente da Roma Networks, Nina Jankucić, afirmou que não precisam que pessoas, com as suas ações, façam os ciganos pensar que são incapazes de contribuir. Isso deixa uma marca que passa para a geração seguinte. Nas parcerias saudáveis, todos os membros contribuem com aquilo que têm. Isto faz parte do processo de cura, à medida que os ciganos começam a acreditar que têm algo a contribuir — e à medida que contribuem, o mundo também muda a sua percepção.

Implicações

Que imagem poderemos associar ao tipo de parcerias que procuramos? A de uma mesa-redonda: uma mesa-redonda assegura que todos se veem uns aos outros e têm acesso igual à conversa. Aqui estão algumas considerações para os ciganos e não-ciganos à medida que se sentam a esta mesa:

1 Em função das muitas falsas perceções e preconceitos acerca dos ciganos, é crucial conhecer a cultura e a história ciganas num determinado contexto. A igreja tem a responsabilidade de ir além dos retratos unidimensionais.

2 Ouvir, aprender e construir relacionamentos sem ter planos predefinidos fomenta a confiança. Quanto mais tempo se dedica ao relacionamento, menos frágil é a confiança. Isto promove a honestidade e o feedback mútuos que serão necessários na comunicação intercultural que irá sem dúvida ocorrer. Parcerias criadas num paradigma transacional, enquadradas em termos de posse e falta de recursos, passam ao lado da identidade e da função do corpo de Cristo.

3 Os cristãos ciganos precisam se ver como estando tanto a contribuir como a aprender com a igreja global. Uma troca mútua de compreensão teológica e missional acende o fervor evangelístico, enriquece a igreja no seu contexto, acaba com o territorialismo de ministérios e questiona barreiras étnicas. Por exemplo, vários ministérios banjara na Índia fazem parte de um Conselho Indiano de Cristãos Banjara (BCCI), que organiza eventos conjuntos demonstrando união.

4 A igualdade de parcerias entre igrejas na Europa Ocidental e de Leste (e noutros lugares) tem um papel crítico na abordagem de questões sociais complexas. Por exemplo, a migração Leste-Oeste na Europa aumentou rapidamente depois da queda do comunismo e subsequente expansão da UE. Para os migrantes ciganos, como outros, isso teve resultados positivos e negativos:

- Embora muitos migrantes ciganos se integrem bem através do emprego e redes familiares, a vulnerabilidade de outros leva à exploração ou à dificuldade em navegar novos sistemas sociais.

- Os que mais aparecem na comunicação social são os mais pobres ou envolvidos no crime, propagando estereótipos e receios na sociedade.

- As igrejas no Ocidente podem não ter a certeza de como ajudar pessoas que dependem de mendigar ou que são mão-de-obra menos qualificada.

No entanto, as oportunidades de missão fluem em várias direções. Pastores ciganos enviam anciãos para dirigir novas igrejas no Ocidente e ciganos e não-ciganos começam projetos missionários no Leste. É uma questão complicada que requer mais aprendizagem mútua, tanto para aproveitar as oportunidades de missão como para lidar com os desafios emergentes.

Em última análise, de acordo com Charles Van Engen, «Consideramos que o conhecimento cristão acerca de Deus é cumulativo, aperfeiçoado, aprofundado, alargado e expandido à medida que o evangelho toma forma em cada nova cultura».[8] Parcerias humildes na mesa-redonda de Cristo conduzem a essa maior compreensão de Deus e, em seguida, a uma participação mais rica na sua missão. Recentemente, sentei-me na minha pequena igreja multi-étnica na Croácia e fiquei maravilhada — um pastor cigano pregava enquanto croatas, sérvios, americanos e ciganos o ouviam atentos. Nesta parte do mundo, esse é um notável testemunho do que é possível sob o senhorio de Jesus e a graça do Espírito.


Notas

Andrew Walls, The Cross-Cultural Process in Christian History (Maryknoll, NY: Orbis, 2002). ↑

Dois exemplos ilustram esta complexidade: em alguns contextos, os grupos identificam-se como ciganos, enquanto noutros contextos o termo é ofensivo; sinti não se identificam como roma. ↑

See for example: Marcos Toyansk, ‘The Romani Diaspora: Evangelism, Networks and the Making of a Transnational Community’, Razprave in Gradivo: Revija za Narodnostna Vprasanja (2017) 79:185–205. ↑

Daniel Krása, Ňilaj, ‘The Banjara: A Nomadic Tribe of India and Possibly One of the Cousins of Europe’s Roma’, Romano džaniben (2007), 45-65; B. Shyamala Devi Rathore, ‘A Comparative Study of Some of the Aspects of the Socio-Economic Structure of Gypsy/Ghor Communities in Europe and in the Andhra Pradesh, India,’ European Journal of Intercultural Studies 6:3 (1996), 15-23; Donald Kenrick, Historical Dictionary of the Gypsies (Romanies) 2nd ed (Maryland: The Scarecrow Press, 2007). ↑

It is difficult to find reliable numbers of churches and Christians, just as in many contexts it is difficult to know accurate population numbers. However, a few estimates can offer some examples: an estimated 800 Roma churches in Bulgaria; Romania has numerous movements—one movement alone has 200 churches; an estimated 140,000 believers in France and 200,000 in Spain. Manuela Cantón-Delgado, ‘Gypsy Leadership, Cohesion and Social Memory in the Evangelical Church of Philadelphia’, Social Compass (2017), Gypsy and Traveller International Evangelical Fellowship 2014 Report, Rene Zanellato; Magdalena Slavkova, ‘Prestige and Identity Construction Amongst Pentecostal Gypsies in Bulgaria’ in D Thurfjell & A Marsh eds. Romani Pentecostalism: Gypsies and Charismatic Christianity (New York: Peter Lang International Academic Publishers, 2014): 57–74 ↑

See, for example: Tatiana Podolinská and Hrustič, Tomaš, ‘Religion as a Path to Change? The Possibilities of Social Inclusion of the Roma in Slovakia’ (2010); Miroslav Atanasov, ‘Gypsy Pentecostals: The Growth of the Pentecostal Movement Among the Roma in Bulgaria and its Revitalization of Their Communities’, Asbury Theological Seminary (2008). ↑

Florencia Ferrari and Martin Fotta, ‘Brazilian Gypsiology: A View from Anthropology’, Romani Studies 24.2 (2014),11-136; 113. ↑

Charles Van Engen, ‘Five perspectives of Missional Theology’, in Appropriate Christianity, ed. Charles Kraft (2005), 183-202; 197. ↑

Fonte: LAUSANNE