sábado, 11 de abril de 2026

Justiça e Justificação - parte 1



Texto relativo à aula online n.º 11 dos Princípios da Fé Cristã

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Se ainda não começaste o curso "Princípios da Fé Cristã", gostaria de convidar-te a começares esta maratona espiritual comigo. A Bíblia incentiva-nos a crescer espiritualmente, e através dos estudos que aqui serão partilhados terás a oportunidade de conhecer melhor o que a Palavra de Deus diz sobre diversos temas.

A Bíblia afirma, “o meu povo perece por falta de conhecimento” (Oséias). Por isso, convido-te a cresceres no teu conhecimento bíblico, para que sejas bem-sucedido, como nos ensina Josué 1:8.
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1 – JUSTIÇA DIVINA

1.1. SIGNIFICADO DE JUSTIÇA

Na Bíblia, a mesma palavra é traduzida por ‘rectidão’. Deus é recto em tudo que faz.

Romanos 2.2 - “Bem sabemos que o juízo de Deus é segundo a verdade, contra os que praticam tais coisas”. 

Salmos 11.17 - “Porque o Senhor é justo, Ele ama a justiça, os rectos lhe contemplam a face”.

É comum as pessoas colocarem em dúvida a justiça de Deus, principalmente quando acontece alguma coisa que não lhes agrada. Quando tudo corre às mil maravilhas, costumam esquecer-se de Deus; quando, porém, lhes sobrevêm aborrecimentos, reclamam: “Porque é que Deus permite que isto aconteça?”

A prova de atitude certa do coração em relação à justiça de Deus está na possibilidade de agradecermos sinceramente a Deus tudo o que nos acontece - 1 Tessalonicenses 5.18.

1.2. O NOSSO DEUS É JUSTO - Sl 7.9; 45.6; 92:9

Salmos 7:9 - “Põe fim a toda a maldade dos ímpios, e abençoa todos os que são verdadeiramente justos.” Salmos 45:6 - “O teu reino, ó Deus, dura para sempre; a justiça é aquilo que faz a força do teu reino.” 

Deus é justo em Si mesmo e deseja os Seus filhos pratiquem justiça na Terra. Ser recto, ser honesto é também ser justo. Na justiça de Deus existe a equidade, que é contrário da iniquidade, que quer dizer, ‘aquele que não é igual’. Isto é, não usar de igualdade para julgar as pessoas. A justiça de Deus, não é assim, Ele trata todas as pessoas com equidade, isto é, todos de igual modo, justiça igual para todos.

1.3. DEUS É BOM, MAS TAMBÉM, É JUSTO - Is 11.3,4; 1 Jo 1.8-10

Isaías 11:3,4 - “Todo o seu prazer será em temer ao Senhor. Não julgará segundo as aparências, nem por ouvir dizer. Castigará a Terra com a vara da sua palavra e com o sopro da sua boca condenará à morte os malvados. Pelo contrário, defenderá com justiça os pobres e com equidade os explorados.” / 1 João 1:8-10 - “Se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos e estamos a rejeitar a verdade. Mas se lhe confessarmos os nossos pecados, podemos confiar que ele é fiel e justo e nos perdoará e purificará de toda a injustiça. Se afirmarmos que não pecámos, chamamos mentiroso a Deus, e a sua palavra não tem lugar nos nossos corações.”

A justiça de Deus trabalha com Sua bondade. Deus nos perdoa porque Ele é bom, mas nos corrige segundo a Sua justiça.

1.4. DEUS SE AGRADA DAQUELE QUE PRATICA A JUSTIÇA - Pv 21.3-21; 1 Jo 2.9

1 João 2:9 - “Aquele que diz que vive na luz e aborrece o seu irmão na fé continua ainda em trevas”

Sendo Seus filhos, Deus se agrada quando praticamos a justiça. Quantas vezes julgaste alguém só pelo que ouviste, de acordo com o que pensas que está certo? Sabe de uma coisa: nem sempre o que pensamos é o justo e certo. Procura praticar a justiça de Deus. Nunca errarás e agradarás a Deus!

1.5. O EVANGELHO DE JESUS CRISTO É A MANIFESTAÇÃO DA JUSTIÇA DE DEUS - Rm 1.17; 5.21; 2 Co 5.21

Romanos 1:17 - “Este Evangelho revela-nos a justiça que Deus nos atribui. Esta justiça nasce e completa-se através da fé. Tal como está escrito: o justo pela fé viverá.” / Romanos 5:21 - “Antes, o pecado governava sem limites todos os homens, levando-os à morte; mas agora é a misericórdia de Deus, que não merecíamos, que governa, colocando-nos numa posição de justiça perante Deus e de acesso à vida eterna por Jesus Cristo nosso Senhor.” / 2 Coríntios 5:21 - “Deus carregou todo o nosso pecado sobre Cristo, que estava isento de qualquer pecado, para que nele fossemos revestidos da justiça de Deus.”

Deus viu o Homem perdido pelo pecado, e porque Ele é justo providenciou a Salvação para todo aquele que estava perdido por causa do pecado de um só homem.

1.6. DEUS JULGARÁ O POVO COM JUSTIÇA - Rm 2.5-7,11; At 17.31; Sl 9.7,8

Romanos 2:5-7,11 - “Devido à tua teimosia em recusares que o teu coração se arrependa, estás a acumular sobre ti mesmo a cólera de Deus, para o dia em que ela se manifestar e em que o seu justo juízo se revelar. Recompensará então cada um segundo as suas obras. Dará vida eterna àqueles que, com perseverança na prática das boas obras, procuram a glória, a honra e a vida imortal que ele oferece. (…) Porque a todos trata da mesma maneira.” / Atos 17:31 - “Pois marcou um dia para julgar o mundo com justiça através do Homem que para isso designou. E deu a todos uma sólida razão para creem nele, ressuscitando-o da morte.” / Salmos 9:7,8 - “Quanto ao Senhor, ele vive para sempre; o seu tribunal está já preparado para julgar. Ele mesmo julgará o mundo com justiça e as nações com toda a retidão.”

Deus estabeleceu um dia quando julgará todos os Homens na face da Terra. Ele não nos julgará segundo a nossa justiça mas a Sua, que é perfeita e vê todos os nossos atos e os pesa na balança.

1.7. A JUSTIÇA DE DEUS É PARA GALARDOAR O CRENTE NA VIDA FUTURA - 1Tm 4.8; Ml 3.18

1 Timóteo 4:8 - “O exercício físico tem algum valor, mas o desenvolvimento da vida espiritual é útil em tudo, nesta vida e também na futura.” 

Toda vez que pratica a justiça no meio de seus amigos, muitas vezes é chamado de bobo ou louco. Saiba que Deus está olhando para si e que um dia Ele o recompensará por este ato de justiça praticado. Toda vez que pratica a justiça ela fica para a eternidade, lá veremos a grande diferença entre os justos e injustos.

1.8. AS LEIS DE DEUS SÃO JUSTAS

Assim como há leis naturais que governam o mundo físico, também há leis morais no mundo espiritual.

As leis morais de Deus estão resumidas nos Dez Mandamentos e no Sermão do Monte. Os Dez Mandamentos, com suas conhecidas proibições, acham-se registadas em Exodo 20.1-17. Não é lícito matar, roubar, caluniar, etc., porque tais actos destroem as próprias bases da vida. Quem cai do edifício, destrói a vida física; quem quebra os mandamentos, destrói a vida espiritual.

O Sermão do Monte, registado em Mateus 5-7, começa com as bem-aventuranças. De novo Deus expõe o que espera do Homem: humildade de espírito, mansidão, fome e sede de justiça, misericórdia e assim por diante.

O Senhor Jesus empenha-se em que sejamos felizes, porém, avisa que não há atalhos para a felicidade. Ela vem da vida em harmonia com as leis morais do universo de Deus. Deus fez o mundo de tal modo que a felicidade não se alcança quando a buscamos, e sim, quando buscamos os ideais de que as bem-aventuranças nos apresentam.

Deus não é arbitrário no estabelecimento de Suas leis. Ele não está divertindo-Se à nossa custa, nem ostentando Sua autoridade. Está dizendo-nos o que dá certo. Para alcançarmos êxito, temos de viver de determinada maneira. Gálatas 6:7 - “Não se iludam: Deus não se deixa enganar. Toda a gente virá a ceifar aquilo que tiver semeado.”

Disse alguém que nós não quebramos as leis de Deus: são elas que nos quebram. Se mentirmos, por exemplo, sofreremos as consequências. Se formos apanhados, podemos ser castigados; mas se não formos apanhados, já nos ‘castigamos’ a nós próprios pelo dano que infligimos a nosso próprio carácter, pela mentira.

1.9 O JUIZO DE DEUS É JUSTO 

- É ‘segundo a verdade’ - Rm 2.2 - Não podemos enganar a Deus. Ele sabe o que realmente somos

- É pessoal: ‘a cada um segundo o seu procedimento’ - Rm 2.6 - Seremos julgados pelo que tivermos feito, não pelo que outros fizeram. Compareceremos sozinhos diante de Deus.

- É imparcial: ‘porque para com Deus não há acepção de pessoas’ - Rm 2.11 - Deus não nos favorecerá pelo facto de sermos de uma determinada cor, raça, nacionalidade,...

- É completo: ‘no dia em que Deus, por meio de Jesus Cristo, julgar os segredos dos Homens’ - Rm 2.16 - Homens e mulheres estarão diante de Deus, completamente a descoberto; cada segrado estará na luz, naquele dia.

Vem o Dia do Juízo Final (Mt 25.31-46; At 17.31; 2Ts 2.7-10; Hb 9.27; Ap 20.11-15). Nesse dia a justiça será satisfeita. 

Houve pecado que não sofreu punição nesta vida? Nesse dia será punido. 

Houve fidelidade não recompensada? Então será recompensada (Hb 6.10). 

Todos compareceremos perante o Tribunal de Deus (Rm 14.10 - “Não têm o direito de julgar os vossos irmãos ou de criticá-los com superioridade. Lembrem-se de que cada um de nós terá de prestar contas perante o tribunal de Deus”; 2Co 5.10 - “Pois todos devemos comparecer diante do tribunal de Cristo; e aí cada um receberá segundo o que tiver feito de bem ou mal, enquanto viveu no corpo.”). Nossas obras serão provadas pelo fogo (1Co 3.12-15).

Se assim não fosse, seria difícil responder-se às perguntas e reclamações sobre as aparentes injustiças da vida presente: muitas vezes o justo sofre e o ímpio prospera. “Recebeste os teus bem em tua vida, e Lázaro igualmente os males” (Lucas 16.25). Se fores tentado a achar que os Homens do mundo estão a desfrutar mais do que tu, não te esqueças de que, quando eles estiverem a  enfrentar o juízo de Deus, o gozo que te cabe estará apenas no início.

Uma expressão muito usada por Paulo é ‘a ira de Deus’ (Rm 1.18; 2.5,8;  5.9; Ef 5.6; Cl 3.6; 1 Ts 1.10; 5.9). 

Pode um Deus de amor irar-se? Sem dúvida que pode, uma vez que:

- o pecado resulta da livre escolha do Homem

- ao Homem foi dada a oportunidade de conhecer a verdade

- Deus providenciou para o Homem o perdão e a liberdade do pecado.

Se os Homens desprezam a Salvação gratuitamente oferecida, e preferem seu próprio caminho, haverá injustiça da parte de Deus, se derramar Sua ira sobre esses pecadores?

Ninguém irá para o Inferno, que não tenha escolhido a separação de Deus. E o inferno é justamente a separação completa e definitiva.

Naquele dia não haverá justas reclamações. Ninguém poderá dizer: “Deus foi injusto comigo!” O que vai cair sobre os Homens no Juízo Final são as consequências de sua própria escolha.

Com confiança podemos reproduzir a pergunta de Abraão em Gn 18.25: “Não fará justiça o Juiz de toda a Terra?”

1.10. A SALVAÇÃO DE DEUS É JUSTA

Se Deus é justo e os Homens são pecadores, como podem estes ser salvos? Porá Deus de lado a Sua justiça, fechando os olhos aos pecados dos Homens, a fim de usar de misericórdia? Rm 3.21-26.

A justiça de Deus é dada aos que põem a sua fé em Cristo (Rm 3.22 - “Esta justiça de Deus vem pela fé em Jesus Cristo a todos os que crêem...”). Ele pode fazer essa dádiva por causa da morte de Cristo na cruz (Rm 3.24,25). Cristo satisfez as exigências da justiça divina, submetendo-Se a elas.

Por isso (Rm 3.26), Deus pode ser justo e justificador - pode perdoar pecados sem faltar com a justiça; e pode permanecer justo sem ter de abandonar Seu desejo de salvar-nos. A nossa Salvação foi efetuada de forma absolutamente justa. Deus não fechou os olhos ao nosso pecado, nem o desculpou, nem passou por cima dele: levou sobre Si. Sofre na cruz as suas consequências. 2Co 5:19 - “Porque Deus estava em Cristo, reconciliando o mundo consigo mesmo, não mais considerando os pecados dos homens como razão de acusação contra eles.”

Não precisamos temer que Deus porventura mude de opinião e resolva afinal não usar de misericórdia. Não, pois a justiça de Deus já foi satisfeita. A obra de Cristo na cruz jamais poderá desfazer-se.

Para o crente, o julgamento que determina a salvação já passou (Jo 5.24). O quadro do dia do juízo final, que consideramos antes, não deve ser para nós motivo de temor, pois não vamos comparecer diante de Deus na incerteza de sermos salvos ou perdidos, para só então o sabermos. Se Cristo é nosso, esse juízo já passou, para nós. (Rm 8.1).

E, se como crentes viermos a pecar, falhando perante Deus? Não vem abaixo tudo isso? 1Jo 1.9 nos afirma: “Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda a injustiça”. Com quem é Deus fiel? Não é para com Jesus Cristo, que morreu por nossos pecados? Podemos confiar, plenamente, em que Deus nos perdoará, se confessarmos.

O perdão não é um capricho divino: é uma questão muito séria, Ele sofreu por nosso pecado, pagando o grande preço do perdão.

Deus realizou o impossível. Agora, Ele pede que nós correspondamos: que confessemos honestamente o pecado, que o abandonemos, e que ponhamos nossa confiança n’Ele a fim de recebermos o perdão e a purificação do pecado.

Como Deus é justo em nos ter dado as leis da vida, em julgar-nos à base dessas leis, e, então,  providenciar para nós a Salvação, satisfazendo Ele mesmo as justas exigências de Suas próprias leis!

“Pois também Cristo morreu, uma única vez, pelos pecados, o justo pelos injustos, para conduzir-nos a Deus” - 1 Pedro 3.18.


CONTINUA... parte 2

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