Após
as declarações de Charles Darwin, e a sua polémica publicação “A
Origem das Espécies”, nunca mais houve sossego para os Cristãos,
pois os princípios defendidos pelos mesmos começaram a ser
colocados em causa por uma enorme quantidade de pessoas,
individualidades, cientistas, etc., que até ao momento, depois de
imensas tentativas, também nunca conseguiram provar as suas teorias.
Com
todo este ataque a teologia cristã procurou adaptar-se a esta nova
realidade. Nos séculos XIX e XX, a teologia cristã fez um
esforço no sentido de harmonizar o relato bíblico com os dados
científicos, operou as necessárias mutações de sentido dos
textos e seleccionou, de acordo com as suas pré-compreensões, as
verdades de entre os mitos.
Traumatizada pela herança inquisitorial e pelo célebre episódio de Galileu – que desafiou a cosmologia aristotélico-ptolemaica (não bíblica!) acolhida pela Igreja do seu tempo –, influenciada pelo espírito racionalista e naturalista da modernidade e esmagada pela força aparente das evidências a favor da Teoria da Evolução, muitos teólogos, inicialmente de matriz protestante, procuraram, ao longo do século XIX, encontrar um compromisso entre a Bíblia e a Ciência, a Fé e a Razão. No entanto, essa procura assentou na aceitação tácita a priori dos postulados naturalistas, racionalistas e evolucionistas, dados por muitos como indiscutíveis. De acordo com estes postulados, a religião era vista, em si mesma, como uma fase de um processo evolutivo que começa com o mito e tem como ponto de chegada um estado de emancipação e maturidade racional. Do mesmo modo, os escritos bíblicos eram interpretados em termos histórico-dialéticos, materialistas ou idealistas, ou como documentos forjados no contexto de conflitos políticos, económicos e sociais entre grupos, classes e correntes religiosas, ou, em termos hegelianos, como parte do processo de auto-manifestação do Espírito Absoluto.
Está hoje demonstrado que o preconceito anti-semita levou muitos racionalistas e nacionalistas alemães do século XVIII e XIX a exaltar a Razão e a Nação, e a desvalorizar os escritos hebraicos como sendo manifestações de atavismo e primitivismo. Este entendimento integrava-se num contexto espiritual e intelectual marcado pela crítica racionalista do Antigo Testamento, pela afirmação da “morte de Deus” (Eric Voegelin, Der Gottestmord, Wilhelm Fink, 1999, 91 ss.) e pela questão judaica, não sendo descabido ver aqui muita da lenha da horrenda fogueira que viria a ser o Holocausto (Ralph L. Smith, Teologia do Antigo Testamento, História, Método e Mensagem, São Paulo, Vida Nova, 2001, 33 ss.). Nem a teologia cristã mais bem intencionada escapou a estas influências. Sob a inspiração da abordagem crítica, racionalista e evolucionista de estudiosos da Bíblia como Julius Wellhausen, o teólogo Rudolf Bultmann veio apelar à desmitificação de todo o relato bíblico (Rudolph Bultmann, Jesus, UTB, Stuttgart, 1988; Das Urchristentum, Patmos, 2000), ao passo que a escola neo-ortodoxa, de Karl Barth e Emil Brunner, enfatizou a dimensão subjectiva e existencialista da fé (Anfänge der dialektischen Theologie, Teil I - Karl Barth - Heinrich Barth - Emil Brunner, 5ª ed., 1985; Emil Brunner, Christlicher Existenzialismus, Zwingli-Verl. 1956; Offenbarung und Vernunft, Zwingli-Verl., 1961; Hans Urs von Balthasar, Karl Barth. Darstellung und Deutung seiner Theologie Johannes-Vlg., Freib, 1976.). Para estes teólogos, a Bíblia fala com autoridade apenas em questões de fé, não tendo qualquer autoridade em questões históricas e científicas. Esta maneira de ver, tipicamente naturalista e materialista, domina ainda grande parte da teologia cristã contemporânea (Dave Breese, Seven Men Who Rule the World from the Grave, Moody Press, Chicago, 1990, 89 ss). A sua influência detecta-se facilmente em muitos estudos cristológicos, para não falar das teses anacrónicas e hoje largamente desacreditadas do conhecido movimento hipercrítico “Jesus Seminar” (John Meier, A Marginal Jew: Rethinking the Historical Jesus, Vol. I, New York: Doubleday, 1991; Marcus Borg, Meeting Jesus Again for the First Time, San Francisco: Harper, 1995; John Dominic Crossan, Jesus: A Revolutionary Biography, San Francisco, Harper, 1995; Michael J. Wilkins and James P. Moreland, editors, Jesus Under Fire: Modern Scholarship Reinvents the Historical Jesus, Grand Rapids, Michigan, Zondervan Publishing House, 1996; Douglas Groothuis, Searching for the Real Jesus in an Age of Controversy, Harvest House, 1996.). Em muitos círculos teológicos discuti-la é uma heresia.
Mesmo nas denominações cristãs mais conservadoras predomina, ao menos de forma difusa, a ideia de que a Bíblia não é autoridade em questões científicas, considerando-se que sustentar o contrário é sinal de um irracional fundamenta-lismo anti-intelectual e anti-científico. Adoptam-se assim teses de compromisso entre a Bíblia e a ciência, como o evolucionismo teísta, o criacionismo progressivo, a hipótese-quadro, a teoria do hiato, a teoria do dia-era, etc. Em muitos círculos cristãos o Criacionismo Bíblico é anatemizado como um escândalo para o Homem moderno, que só prejudicará a reputação do Cristianismo, dividirá os crentes e afastará definitivamente as pessoas da mensagem cristã. Se mesmo uma boa parte do Cristianismo capitulou perante a Teoria da Evolução, deve concordar-se com Ernst Mayr quando diz que Charles Darwin marcou profundamente a modernidade. O que não deixa de ser perturbador, do ponto de vista teológico, na medida em que a autoridade da Palavra de Deus é preterida em favor das ideias de uma mente em última análise doente e desequilibrada (Ralph Colp, Jr. To Be an Invalid: The Illness of Charles Darwin. Chicago, IL: University of Chicago, 1977; W. B. Bean, "The Illness of Charles Darwin." The American Journal of Medicine 65(4): 1978. 572-574; Thomas Barloon, Russell Noyes, Jr.. "Charles Darwin and Panic Disorder." JAMA, 277 (2): 1997, 138 ss.).
Dentro do grupo de Criacionistas, há os evolucionistas-teístas, que defendem a tese de que a Bíblia ou outros livros considerados sagrados dão margem a uma mistura da evolução, origem da vida e criação, dizendo que Deus deu origem à vida, mas permitiu que esta evoluísse.
As forças religiosas que têm tomado esta posição são os casos da Igreja Anglicana e da Igreja Católica Apostólica Romana. Alguns teólogos têm procurado conciliar os textos bíblicos com a Teoria da Evolução.
Teilhard de Chardin foi um padre jesuíta, teólogo, filósofo e paleontólogo francês que logrou construir uma visão integradora entre ciência e teologia. Através de suas obras, legou uma filosofia que reconcilia a ciência do mundo material com as forças sagradas do divino e sua teologia. Disposto a desfazer o mal entendido entre a ciência e a religião, conseguiu ser mal visto pelos representantes de ambas. Muitos colegas cientistas negaram o valor científico de sua obra, acusando-a de vir carregada de um misticismo e de uma linguagem estranha à ciência. Do lado da Igreja Católica, por sua vez, foi proibido de leccionar, de publicar suas obras teológicas e submetido a um quase exílio na China.
"Aparentemente, a Terra Moderna nasceu de um movimento anti-religioso. O Homem bastando-se a si mesmo. A Razão substituindo-se à Crença. Nossa geração e as duas precedentes quase só ouviram falar de conflito entre Fé e Ciência. A tal ponto que pôde parecer, a certa altura, que esta era decididamente chamada a tomar o lugar daquela. Ora, à medida que a tensão se prolonga, é visivelmente sob uma forma muito diferente de equilíbrio – não eliminação, nem dualidade, mas síntese – que parece haver de se resolver o conflito."
O Padre Ariel Álvarez Valdez sustentou que tratava-se de uma parábola composta por um catequista hebreu, a quem os estudiosos chamam de “yahvista”, escrita no século X a.C., que não pretendia dar uma explicação científica sobre a origem do Homem, mas sim fornecer uma interpretação religiosa, e elegeu esta narração na qual cada um dos detalhes tem uma mensagem religiosa, segundo a mentalidade daquela época (“Adão e Eva: origem ou parábola?)
John F. Haught, filósofo americano criador do conceito de Teologia evolucionista, disse que "o retrato da vida proposto por Darwin constitui um convite para que ampliemos e aprofundemos a nossa percepção do divino. A compreensão de Deus que muitos e muitas de nós adquirimos em nossa formação religiosa inicial não é grande o suficiente para incorporar a biologia e a cosmologia evolucionistas contemporâneas. Além disso, o benigno designer [projectista] divino da teologia natural tradicional não leva em consideração, como o próprio Darwin observou, os acidentes, a aleatoriedade e o patente desperdício presentes no processo da vida”, e que “Uma teologia da evolução, por outro lado, percebe todas as características perturbadoras contidas na explicação evolucionista da vida”, sobre as idéias de Richard Dawkins, Haught declara que: “A crítica da crença teísta feita por Dawkins se equipara, ponto por ponto, ao fundamentalismo que ele está tentando eliminar”.
Ilia Delio, teóloga americana, defendeu que a teologia pode “tirar proveito” das aquisições de uma ciência que vê na “mutação” o núcleo essencial da matéria.
O Rabino Nilton Bonder sustentou que "a Bíblia não tem pretensões de ser um manual eterno da ciência, e sim da consciência. Sua grande revelação não é como funciona o Universo e a realidade, mas como se dá a interação entre criatura e Criador".
Em 2008, numa revista portuguesa, veio a notícia de um clero anglicano que propunha que deviam ensinar o criacionismo também nas Escolas, paralelamente ao evolucionismo. Logo de seguida a Igreja Anglicana manifestou o seu apoio ao evolucionismo afirmando que a “Igreja Anglicana deve-lhe [refere-se a Charles Darwin] desculpas pelos malentendidos.” Na mesma revista, e no mesmo artigo, Gianfranco Ravasi, Presid. Do Conselho para a Cultura do Vaticano, reafirmou que não há contradição entre o evolucionismo e as ideias católicas.
Já em 1950, o Papa Pio XII tinha afirmado que não havia contradição entre a Evolução e a doutrina cristã. A legitimidade da teoria da evolução foi admitida pelo Catecismo da Igreja Católica (n.ºs 283-286). Esta posição foi reforçada pelo Papa João Paulo II, em 1996. A própria Igreja Católica, através do seu Magistério, não considera o criacionismo e o design inteligente como teorias científicas ou teológicas.
Rafael Martínez, sacerdote espanhol e professor de História da Ciência, em Roma, afirmou que “Os primeiros mal-entendidos a respeito da aceitação da teoria da evolução pela doutrina católica referem-se a uma interpretação literal da narração bíblica da criação. (…) Hoje sabemos que a sabedoria divina criou o mundo utilizando as forças da natureza.”
Há os que apoiam a tese da criação da Terra considerando como literais os seis dias do Génesis bíblico. Tais cristãos denominam-se criacionistas da Terra Jovem ou literalistas bíblicos. A maioria dos cristãos protestantes acredita no registo literal de Génesis.
Génesis: Literal ou Simbólico?
Não há concenso entre grande parte dos criacionistas acerca da interpretação do livro de Génesis, se o mesmo deve ser literal ou simbólico.
«Há muitas tentativas de harmonizar a história bíblica da criação com as ciências biológicas e geológicas. Apesar de a teoria da evolução ser muito associada a estas ciências, evidentemente não são equivalentes.»
Muitos dos esforços de conciliação foram descritos no livro de Bernard Ramm: The Christian View of Science and Scripture (Eerdmans, 1954). É uma pena que este livro nunca tenha sido traduzido para português, embora uma parte dele já tenha sido publicado pela Ediciones Certeza, em espanhol. Ramm defende o que ele chama de criacionismo progressivo, em que ele postula que os dias de Génesis devem ser interpretados como eras de longa duração.
Não posso aceitar a "teoria do gap" (TEORIA DA BRECHA ou TEORIA DO INTERVALO) defendida por evolucionistas-teístas, que tenta afirmar a teoria da evolução e, ainda, afirma que Deus a ordenou. O problema é que, enquanto tentam afirmar a existência de Deus, recusam sua única revelação verbal, a Bíblia. Parece ter-se firmado como uma tentativa de satisfazer às pretensões infundadas dos evolucionistas de uma terra muito velha.
A Teoria do Intervalo é a teoria que acredita que Deus criou o planeta Terra completamente funcional, com todos os animais, incluindo os dinossauros e outras criaturas que conhecemos apenas por fósseis. Então, segue a teoria, aconteceu algo que destruiu a terra por completo – alguns especulam que foi a queda de Satanás à terra – e, por isso, a terra tornou-se sem forma e vazia. A esta altura, Deus começou tudo de novo, recriando a terra em sua forma de paraíso como descrito nos primeiros capítulos de Génesis.
No seio evangélico, a Teoria do Intervalo tem como expoentes as seguintes pessoas: Dr. Thomas Chalmers (1780-1847), fundador da Free Church of Scotland, e C. I. Scofield, na Scofield Reference Bible (1917), que defendeu, em suas notas, a Teoria do Intervalo (Teoria da Brecha), devido ao crescimento de tal ensino por volta do séc. XIX.
Esta teoria está alicerçada em alguns textos bíblicos, situados de forma clara, fora do contexto, como Salmo 90:4 e 2 Pedro 3:8. Aqui o texto reforça a ideia de que o Senhor não está dependente do tempo (kronos). Nenhum dos textos acima trata da Criação.
Os defensores da Teoria da Brecha ou Teoria do Intervalo, afirmam que Génesis 1:1 relata a criação do Universo e Génesis 1:2 relata a recriação do mesmo. De acordo com os evolucionistas-teístas, depois da criação houve a queda de Satanás, o pecado no Éden, a expulsão, mortes, etc., e depois a recriação, ou seja, após toda a infiltração do pecado na humanidade, disse Deus que era tudo muito bom. Esse tipo de afirmação é absolutamente incoerente com o ensino bíblico. Ou seja, afirmam que houve caos, morte, desordem, pecado, etc. Tudo isto aconteceu antes de Adão pecar! De forma alguma (Romanos 5:12,14; 1 Coríntios 15:22,45).
Deus não poderia ter dito isso se o mal já tivesse entrado no mundo através da queda de Satanás durante o “intervalo”. Dessa mesma forma, se a explicação para a existência de fósseis é com milhões de anos durante esse intervalo, isso significa que morte, doenças e sofrimento eram comuns bem antes da queda de Adão em pecado. No entanto, a Bíblia nos diz que foi o pecado de Adão que introduziu morte, doenças e sofrimento a todo tipo de vida, principalmente à humanidade: “Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram” (Romanos 5:12).
Aqueles que defendem a Teoria do Intervalo o fazem para poder reconciliar as teorias de cientistas modernos que acreditam na teoria de que a terra é muito velha – a crença de que a terra é mil milhões de anos mais velha do que a Bíblia afirma que ela seja quando adicionamos as genealogias do homem encontradas nas Escrituras. Até evangélicos bem intensionados adoptaram a teoria de que a terra é velha, interpretando muito do capítulo de Génesis alegoricamente, e ao mesmo tempo tentando manter uma interpretação literal do resto das Escrituras. O perigo com isso é em determinar até que ponto podemos parar de observar a Bíblia como alegorias e começamos a interpretá-la literalmente. Foi Adão uma pessoa real? Como sabemos? Se ele não era, então será que ele realmente trouxe pecado à humanidade, ou podemos transformar isso em uma alegoria também? E se Adão não realmente existiu para introduzir o pecado que todos nós herdamos, então não houve motivo pelo qual Jesus tinha que morrer na cruz, pois, primeiramente, isso negaria o motivo para a vinda de Cristo como 1 Coríntios 15:22 explica: “Porque, assim como, em Adão, todos morrem, assim também todos serão vivificados em Cristo”.
Génesis 1 simplesmente não pode ser reconciliado com a noção de que a criação ocorreu durante longos períodos de tempo, nem que esses períodos ocorreram entre Génesis 1:1 e 1:2. O que aconteceu entre Génesis 1:1 e 1:2? Absolutamente nada! Génesis 1:1 nos diz que Deus criou os céus e a terra. Génesis 1:2 nos informa que logo quando Deus criou a terra, ela era sem forma, vazia e escura; não estava pronta ainda e não era habitada por criaturas. O resto de Génesis capítulo 1 nos diz como Deus refinou a terra sem forma, vazia e escura e a encheu com vida, beleza e bondade. A Bíblia é verdade, literal e perfeita (Salmos 19:7-9). A ciência nunca conseguiu refutar nem um jota ou um til da Bíblia, e nem conseguirá.
Os proponentes da teoria do intervalo afirmam que há uma distinção entre a palavra "criar" (heb. "bara") em Génesis 1:1 e "fazer" (heb. "asah") em Exodo 20:11. Para eles bara e asah referem a dois tipos de criação separadas pelo tempo. Bara seria a criação original e asah a recriação depois da queda do diabo. Mas um cuidadoso estudo revela que o significado de asah é igual ao significado de criar (Génesis 1:7,16,25; Génesis 3:1; Neemias 9:6; Isaías 57:16; Jeremias 31:16).
De especial interesse é Neemias 9:6 onde a palavra asah é usada para afirmar que Deus fez o céu e todo o Seu Exército (anjos). Outra passagem de interesse é Provérbios 8:26: “Ainda Ele não tinha feito (asah) a terra...nem sequer o princípio do pó do mundo.” O contexto está nos versículos 22 e 23: “O Senhor me possuía no início de sua obra, antes de suas obras mais antigas, desde a eternidade fui estabelecida, desde o princípio, antes do começo da terra.” Se asah é entendido por recriação, então Deus não possuía a sabedoria quando ele criou o mundo original, e foi possuir só depois da queda de Satanás! Como vemos, ambas as palavras são usadas como sinónimos (ver também o uso de bara em Génesis 1:21 e asah em Génesis 1:25 onde se refere a criação dos animais aquáticos e terrestres; e Génesis 1:26 e 27 onde asah e bara são usados para designar a criação do Homem). Também era uma característica do hebraíco, particularmente na poesia, o facto de usar-se dois verbos diferentes para se referir à mesma acção (paralelismo sinonímico - ver Isaías 41:20 onde asah e bara são usadas trocavelmente).
Proponentes da teoria do intervalo tem argumentado que a gramática de Génesis 1:2 é favorável a interpretação do longo intervalo de tempo. No entanto, nós temos uma cláusula nominal em Génesis 1.2 (“a terra estava sem forma e vazia...” representa algo fixo, um estado) e não uma cláusula verbal - a qual representa algo em progresso. Por exemplo: “O Senhor é nosso rei” em Isaías 33:22 é uma cláusula nominal e “Deus disse” em Génesis 1:3 é uma cláusula verbal).
Desta forma Génesis 1:2 é uma cláusula nominal, a qual é circunstâncial (subordinada e explanatória) à Génesis 1:1. Assim em Génesis 1:2 nós temos uma descrição da terra como ela foi originalmente criada e não como ela tornou-se em um tempo subsequente à criação. Uma tradução equivalente destes trechos seria: “No princípio Deus criou o céu e a terra, agora, a respeito da terra, ela estava sem forma e vazia.”
Um outro ponto gramatical a ser discutido é o waw que é usado como conjunção entre o primeiro e o segundo versículo. Existe o waw consecutivo e o waw copulativo. O waw consecutivo expressa sequência de tempo. Este é o tipo de waw usado em Génesis 1.3 “E Deus disse." O waw copulativo é também conhecido como waw disjuntivo (porque ele quebra a sequência da narrativa) ou waw conjuntivo (porque ele adiciona detalhes circunstânciais). O uso do waw disjuntivo é o mais apropriado para descrever Génesis 1:2, porque o waw não está continuando uma sequência (waw consecutivo) e não está adicionando detalhes explanatórios para a narrativa (waw conjuntivo). Segundo F. F. Bruce, para permitir um intervalo de tempo o texto teria que ter um waw consecutivo ao invés do waw copulativo. (F. F. Bruce. “And the Earth Was Without Form and Void: An Enquiry into the Exact Meaning of Genesis 1:2.” Journal of the Transactions of the Victoria Institute 78. 1946. p. 21).
A gramática destes dois versos nos forçam a dizer que a terra foi criada sem forma e vazia. Dizer que ela foi criada e depois tornou-se sem forma e vazia é gramaticamente impossível. Desta maneira Génesis 1:2 não é um desenvolvimento sequencial e cronológico de Génesis 1:1.
Um outro argumento dos proponentes da teoria do intervalo é de que a palavra "estava" (Génesis 1:2) – heb. hayeta - deve ser traduzida como tornou-se. É imperativo notar que a palavra hayeta é copulativa, ou seja, ela serve como cópula ou conexão entre “a terra” e “sem forma e vazia.” Adicionando a isto, os tradutores da Septuaginta traduziram hayeta pela palavra grega eimi (ser) e não ginomai (tornar-se). Não havia nenhum agente externo (teoria do uniformitaria-nismo) que fizesse com que os tradutores antigos comprometessem o sentido original do texto! Sem dizer que nenhuma versão Bíblica de respeito traz a palavra tornou-se, mesmo que seus tradutores não acreditem na literacidade e historicidade de Génesis 1-11. Inserir uma preposição nas Escrituras que elas não afirmam, simplesmente por causa de uma visão pessoal do mundo é um grave erro de exegética. Embora tornar-se pode também ser um dos significados de hayeta em situações bastante restritas, o facto de Génesis 1:2 ser uma cláusula circunstancial de Génesis 1:1 torna impossível traduzir hayeta por qualquer outra palavra a não ser estava.
Outra consideração a ser feita são as palavras tohu e bohu, traduzidas normal-mente como "sem forma e vazia". Proponentes da teoria do intervalo argumentam que bohu deve ser traduzido por “destruído” e não como algo que está para ser construído. A palavra é usada apenas 3 vezes no A.T., e em cada uma delas num contexto diferente e com um significado diferente (Isaías 34:11 e Jeremias 4:23 - esta última referindo-se ao juízo de Deus no futuro). Apenas em Isaías 34:11 onde o contexto está relacionado com a destruição dos muros que bohu é usado como algo destruído, mas nenhum léxico defende esta mesma interpretação para Génesis 1:2. Se os teoristas do intervalo reivindicam uma interpretação especial em Génesis 1:2 de bohu simplesmente por uma mera preferência subjetiva, então porque não interpretar os demais versículos (Isaías 34:11 e Jeremias 4:23) com o mesmo sentido de Génesis 1:2? Mas é claro, isto seria apenas uma opinião subjetiva e não teria nenhum lugar no estudo objetivo da gramática Vetero-Testamentária.
Tohu significa ‘sem forma’. Os teoristas do intervalo entendem tohu como algo que foi reduzido ao caos. Mas não há nenhuma relação ao conceito de redução dentro da palavra. Nota-se que nas outras duas únicas vezes em que tohu e bohu são usadas juntas, se refere a eventos proféticos futuros e não eventos históricos passados. A terra então, longe de estar num estado de caos, estava num período particular de criação. Ela tinha um núcleo, manto e crosta composto de metais e rochas. Ela estava coberta pelos oceanos e envolto em uma perfeita atmosfera, mas ainda não estava completa de acordo com o propósito de Deus. Por isso que no segundo e terceiro dia da criação nós vemos Deus mais organizando a Terra do que criando. Deus não criou a terra para ser um caos, mas sim para ser habitada (Isaías 45:18).
Muitos, rejeitando a teoria de que o Dilúvio de Noé é o suficiente para responder os depósitos de fósseis, carvão e petróleo, os colocaram no intervalo de Génesis 1:1 e 1:2. Mas se isto for verdade, se existia morte no mundo animal antes de Adão, como é que nós iremos explicar Romanos 5:12 o qual diz que por um homem só o pecado entrou no mundo e pelo pecado a morte? Paulo ainda afirma que toda a criação ficou sujeita a corrupção por causa de Adão (Romanos 8:20). Ou seja, a maldição só entrou no mundo natural por causa do homem (Génesis 3:17,18). O quanto as plantas e os animais mudaram por causa da queda nós não sabemos, mas não podemos negar que ela caiu do estado de perfeição após a queda. E isto não se restringe só ao planeta terra, mas a todo o universo. Poderia então, a morte prevalecer num mundo perfeito sem pecado? Não indica a Bíblia que a criação geme e suporta angústias (Romanos 8:22) por causa da maldição Edénica que veio após a queda? Realmente me parece incrível acreditar que Satanás e seus anjos tenham caído, que a terra tenha sido arruinada por um dilúvio pré-adâmico, que uma raça pré-adâmica inteira tenha perecido, que um mundo completo de animais e plantas tenham se tornado extintos e que Adão e Eva estavam caminhando em cima deste cemitério cósmico e que Deus tenha dito no final da criação: Muito Bom! (Génesis 1:31).
Quando então teria Satanás caído? Muitas denominações incorporam em suas teologias oficiais o facto de que Satanás caiu antes da criação do mundo. Existe nesta pressuposição um implícito compromisso com o uniformitarianismo. Que Lúcifer caiu é inegável (Isaías 14). Agora assumir que ele andava num Eden pré-adâmico (Ezequiel 28) é inconcebível. Como já foi refutado a ideia de uma ruína-restauração da terra, segue-se que o Éden, Jardim de Deus de Ezequiel 28 era o Éden de Génesis 1, pois assim não só Ezequiel, mas também todos os profetas antes de Cristo, todos os apóstolos, todos os Pais da Igreja e basicamente toda a Igreja nos primeiros 18 séculos entendiam! Não há nenhuma razão segundo as Escrituras para colocar a Queda de Satanás antes da Criação, pois embora esta interpretação é popular hoje, ela nunca foi defendida durante a História da Igreja. Sem nenhuma pressuposição e não estabelecendo nenhuma ideologia a priori, antes fazendo uma análise a posteriori do texto de Génesis junto com outros textos, a conclusão mais cabível é de que a Queda de Satanás se deu entre o término da Criação e aquele dia eventual onde a serpente cruzou o caminho de Eva.
Em suma, concluímos que é inacreditável crer que Moisés ao escrever Génesis acreditava no intervalo de tempo entre duas criações distintas. Se assim o fosse, porque Deus então não nos deu mais detalhes deste dilúvio cósmico que destruiu toda uma criação ao invés de se comunicar entre as entrelinhas, escondendo o fato somente para os mais inteligentes da espécie humana descobrir?
Reafirmamos que Génesis 1-11 foi escrito para ser compreendido como uma história literal e não simbólica ou figurativa. O gênero literário de Génesis 1-11 indica a natureza intencionalmente literal da narrativa. Com efeito, todos os escritores do Novo Testamento se referem a Génesis 1-11 como história literal. (Ver Mateus 19:4-5; 24:37-39; Marcos 10:6; Lucas 3:38; 17:26-27; Romanos 5:12; 1 Coríntios 6:16; 11:8-9, 12; 15:21-22, 45; 2 Coríntios 11:3; Éfesios 5:31; I Timóteo 2:13-14; Hebreus 11:7; 1 Pedro 3:20; 2 Pedro 2:5; 3:4-6; Tiago 3:9; 1 João 3:12; Judas 11, 14: Apocalipse 14:7.)
Outros evangélicos como Charles Hummell (The Galileo Affair) sugerem uma interpretação literária do texto bíblico.
Donald Daae (Bridging the Gap) faz uma interpretação mais literal.
“Embora nenhuma tentativa de harmonização seja completamente satisfatória, parece-me que há esperanças de se alcançar bons resultados no futuro.” (Dr. Ross Douglas)
Contudo, se pensarmos que Génesis é simplesmente simbólico, então “onde iremos aprender que Deus é Criador?”, então não há consistência nas palavras “Deus criou”. Quando as pessoas dizem que Génesis é somente simbólico, elas são inconsistentes, pois aceitam parte do livro como literal.
Jesus afirmou que as suas palavras são mais sólidas e duradouras do que os próprios céus e a Terra. A palavra do Criador é digna de toda a confiança. Porque assim é, a Bíblia nunca se coloca no domínio da pura interpretação subjectiva de factos (Jonathan Sarfati, Refuting Compromise, Masterbooks, 2004, 35 ss.). Bem pelo contrário, a validade das mais importantes doutrinas bíblicas apoia-se em factos objectivos (criação; queda; dilúvio global; dispersão; aliança; êxodo; nascimento, morte e ressurreição de Jesus) cuja explicação só pode ser encontrada, não na regularidade das leis naturais, mas na acção extraordinária de Deus que também criou essas leis. Na Bíblia, os factos são importantes, porque mostram a acção providencial de Deus na história Fhumana e as doutrinas são dignas de crédito precisamente porque se apoiam em factos objectivos e não em mitos ou “fábulas engenhosas” (2 Pedro 1:16).
Na Bíblia é claro que os milagres de Jesus são autênticos e testemunham da Sua qualidade de Criador. A ressurreição física de Cristo é igualmente um facto histórico concreto, sem o qual a fé não tem sentido. Tentar desmitificar ou encontrar explicações científicas para estes e outros milagres que a Bíblia relata é passar totalmente ao lado da verdade fundamental que a Bíblia visa transmitir: o Universo foi criado por um Deus pessoal que intervém activamente na história do Homem - criado à Sua imagem e semelhança - que, por causa do pecado da humanidade, encarnou na pessoa de Jesus Cristo para redimir o mundo através da Sua morte e ressurreição! (João 3:16). Se os factos mencionados pelo relato bíblico não são verdadeiros, a história da salvação deixa de ter sentido. Isto mesmo sustentou o Apóstolo Paulo: “se Cristo não ressuscitou, logo é vã a nossa pregação, e também é vã a vossa fé” (1 Coríntios 15:14).
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